segunda-feira, 30 de junho de 2014

Em observação, no Mister Pizza

Hoje é terça-feira. São 18h22.

Estou no Mister Pizza, no Centro, sentada em uma mesa. Ao meu lado direito, uma cadeira vazia. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira vazia. Na minha frente, uma cadeira vazia.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

Uma mulher passa na minha frente. É branca, alta, magra, tem o cabelo castanho, liso, comprido, preso num rabo de cavalo. Veste uma calça preta, blusa branca, blazer preto, e um lenço colorido. Usa uma bolsa preta e sapato social preto, de bico fino.

Um homem passa na minha frente. É branco, alto, magro, cabelo castanho, curto. Veste uma calça social preta, blusa social branca, sapato social preto. 

domingo, 29 de junho de 2014

Em observação, na Clínica

Hoje é segunda-feira. São 10h25.

Estou na Clínica de Cirurgia da Obesidade Mórbida, em Botafogo, aguardando a consulta.

Estou sentada na recepção. Ao meu lado direito, a porta de entrada da clínica. Na minha frente, um vão por onde as pessoas passam. Ao meu lado esquerdo, uma senhora sentada, lendo. Ela é mulata, alta, um pouco acima do peso, tem o cabelo curto, castanho, e usa óculos. Veste calça preta, sapatilha branca e preta, e blusa de manga, azul. Lê um texto, na sua mão.

Uma senhora passa na minha frente e sai.

A senhora ao meu lado esquerdo mexe na bolsa.

Uma senhora entra e passa na minha frente.

A senhora ao meu lado esquerdo mexe em alguns papéis, no seu colo. O nome dela é Ana(*).

- 3402. E-mail ta aí: ana_____@yahoo.com.br

Ana(*) tosse. Continua mexendo nos papéis. Ela levanta, ajeita a blusa, fica de pé, no balcão. Senta novamente. Ajeita os papéis, e guarda-os. Ajeita a bolsa. Ajeita a roupa.

Um senhor passa na minha frente e pára ao meu lado direito. É branco, alto, magro, grisalho. Veste uma calça jeans, blusa polo vermelha, sapato preto e carrega uma bolsa térmica vermelha.

Ana(*) ajeita-se na cadeira e cruza as pernas. Os braços sobre o colo.

Uma senhora passa e sai.

- Se alguém chegar aí, você fala que eu fui entregar Notre Dame e o outro que eu esqueci o nome.

Uma senhora passa na minha frente.

Emiliana passa pela minha frente e sai.

- Demora pra marcar, né? Parece até INPS.

Uma senhora passa na minha frente.

- É, marcar daqui a um mês. Já. Dia 17. Eu marquei. Tou marcada 8h30. Vitamina que ele passou...

A porta abre. Um senhor entra.

- Vânia(*), meus parabéns.

Ele fecha a porta e sai.

Ana(*) retorna e senta ao meu lado.

O senhor entra novamente.

- Vânia(*), meus parabéns. Não é seu aniversário hoje?

- Luana? Vamos lá?

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Em observação, no Espaço da Mulher - 7

Hoje é quinta-feira. São 8h25.

Estou no Espaço da Mulher, fazendo plantão. Ao meu lado direito, uma cadeira vazia. Ao meu lado esquerdo, uma mesa com uma TV em cima. Na minha frente, duas cadeiras vazias.

Por aqui, tudo aceso e silencioso. 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Em observação, no Sérgio Franco - 3

Hoje é quarta-feira. São 7h47.

Estou no Laboratório Sérgio Franco, sentada no guichê um, sendo atendida. Ao meu lado direito, uma cadeira vazia, com minha chave em cima. Na minha frente, a baia do guichê. Ao meu lado esquerdo, a atendente. Ela é branca, magra, baixa, cabelo liso, loiro, preso num coque. Veste um uniforme do local (saia azul marinho, blusa verde, blazer verde e sapato azul marinho). Está digitando no computador, séria e silenciosa. Ela lê algo no pedido médico, ainda séria e silenciosa. Volta a digitar no computador.

- Tá usando alguma medicação? Peso e altura.

Volta a digitar no computador, séria e silenciosa.

- Só o anticoncepcional?

Ela faz que sim com a cabeça e volta a digitar no computador, séria e silenciosa.

- Tem um exame aqui, este de Vitamina E, que este a Unimed não cobre, tá?

Ela mexe nos pedidos médicos e escreve algumas coisas neles, ainda séria e silenciosa. Volta a digitar no computador. Coça a cabeça. Pega os pedidos médicos, escreve algumas coisas neles.

- Assina por favor. Esse que a Unimed não cobre a senhora vai fazer particular?

Ela entrega o exame para eu assinar e continua digitando no computador.

- Só aguardar lá atrás. A urina a senhora leva também.

Venho para outra recepção e estou sentada, aguardando ser atendida. Na minha frente, um pequeno hall. Ao meu lado direito, um corredor onde as pessoas passam. Ao meu lado esquerdo, um senhor está sentado. É branco, magro, alto e calvo e usa óculos. Veste calça bege, casaco marrom, meia marrom e sapato marrom. Ele levanta e sai.

Um casal passa ao meu lado direito.

Uma senhora passa ao meu lado direito.

Agora, ao meu lado esquerdo sentou uma senhora. É magra, alta, loira, cabelo cacheado e usa óculos. Veste uma calça marrom, blusa bege, meia bege e tênis marrom. Tem uma bolsa marrom e um casaco jeans sobre o colo. Tem as pernas cruzadas e lê uma revista. Ajeita os óculos no rosto.

Um senhor passa ao meu lado direito.

- Senhora Luana Zanelli?

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Em observação, no Bob's

Hoje é terça-feira. São 17h07.

Estou sentada em uma mesa do Bob’s, no Shopping Edifício Avenida Central, no Largo da Carioca.

Ao meu lado esquerdo, vidro. Na minha frente, uma cadeira vazia. Ao meu lado direito, um pequeno corredor, onde as pessoas passam, para lá e para cá.

Um homem passa.

Um homem passa, bebendo algo num copo do Bob’s.

Um homem passa.

Duas mulheres passam. Ambas uniformizadas do Bob’s.

Um homem passa, uniformizado do Bob’s.

Um homem passa, uniformizado do Bob’s e carregando duas bandejas, também do Bob’s.

Dois homens passam, carregando bandejas do Bob’s, com lanches em cima.

Um homem passa, uniformizado do Bob’s.

Um homem passa.

Uma mulher passa.

Duas mulheres passam. Ambas uniformizadas do Bob’s.

Uma mulher passa. Carrega uma bolsa, uma sacola plástica.

Um homem passa, uniformizado do Bob’s.

Um homem passa, carregando uma mochila preta, uma bandeja do Bob’s, com lanche em cima, e um copo plástico, também do Bob’s, na outra mão.

Meu celular toca.

- Luana, boa tarde. Sei. Isso, meu nome é Luana. Qual seu nome? Então, Carmen, essa vaga é para trabalhar no Centro do Rio no horário noturno. Te interessa? Isso, noturno, até às 22h30 da noite. Somente essa. Tá bom então. Ligamos sim. Tá certo então. Tchau.

Desligo o celular.

Três mulheres passam.

Uma mulher passa, carregando uma bandeja do Bob’s.

Um homem passa.

Uma mulher passa.

Um casal passa.

Uma mulher passa.

Um homem passa.

Uma mulher passa.

Dois homens passam. Ambos uniformizados do Bob’s.

Uma mulher passa, com o celular no fone de ouvido.

Uma mulher passa, uniformizada do Bob’s.

Uma mulher passa, carregando uma bolsa preta e um sanduiche do Bob’s. É branca, alta, magra, loira, cabelo liso, comprido.

Um homem passa, carregando uma bandeja, com lanche do Bob’s em cima.

Uma mulher passa, carregando uma bolsa preta, um sanduiche do Bob’s e um celular. É branca, alta, magra, loira, cabelo liso, comprido.

Uma mulher passa, uniformizada do Bob’s.

Um homem passa. É negro, magro, baixo, cabelo preto, curto.

Um homem passa, carregando uma sacola plástica na mão esquerda e uma lata de suco de uva na mão direita.

Uma mulher passa, uniformizada do Bob’s. Carrega batatas fritas na mão esquerda.

Uma mulher passa. É mulata, alta, magra, cabelo preso. Veste uma calça preta, casaco preto e tênis branco.

Um homem passa, uniformizado do Bob’s.

Um homem passa, uniformizado do Bob’s, carregando uma bandeja.

Um homem passa, uniformizado do Bob’s.

Um homem passa, carregando uma bandeja, com lanche em cima.

Uma mulher passa, carregando uma bandeja do Bob’s.

Um homem passa.

Um homem passa, uniformizado do Bob’s, carregando uma bandeja.

Um homem passa, uniformizado do Bob’s.

Duas mulheres passam.

Um homem passa, carregando uma bandeja, com lanche em cima, e uma mochila preta. É branco, alto, magro. Tem cabelo preto, e usa barba. Veste calça jeans, blusa pólo bege e tênis preto.

Um homem passa, uniformizado do Bob’s. Seu nome é Marcos. É negro, alto, gordo, e tem o cabelo preto, curto.

O André chega.

domingo, 22 de junho de 2014

Em observação, no táxi - 4

Hoje é segunda-feira, são 10h05.

Estou no táxi do Sr. Francis, indo para casa (saindo de Nova Iguaçu), com meu pai.

Estou sentada atrás, sozinha.

Na minha frente, o Sr. Francis dirige o carro. É mulato, alto, forte. Veste uma blusa social verde e um boné azul, de jeans.

- A mim também. E eu não conheço nada aqui.

Sr. Francis ri.

- Coitado. Ligar o ar. Precisa ligar o ar não? É...

Sr. Francis coloca o cotovelo na janela aberta ao seu lado. Continua dirigindo.

- Já sabe o mês? Já sabe quando vai? É. É... verdade... e ninguém tá tão empolgado pra vir pro Brasil.

- Não, pai. Eu renovei. Renovei. É.

- Sem o hábito de dirigir. Consulado cada vez mais enrolado.

- Você que sabe, pai. Tá bom.

- Pô... Vamos por onde? Vamos pela Brasil. Nem sempre. Geralmente, ali no Caju. A gente pode andar pela seletiva que facilita.

Sr. Francis mexe no boné, na cabeça. Tira e põe o boné em seguida. Continua dirigindo.

- É. Vai fluir bem. Vai fluir bem.

Sr. Francis coça a cabeça por cima do boné. Continua dirigindo. Tá quente. Não... 

sábado, 21 de junho de 2014

Enteada

Hoje era dia das mães.

Fui almoçar-jantar às 18h40, com o namorado, no Shopping Botafogo. Um fast-food novo, que muito nos agradou.

No caixa, escolhendo o pedido, a pergunta:

- Você é mãe?

Levei longos dois segundos para responder:

- Não. Sou madrasta. 

Não gostei do termo "madrasta", em que o "má" antecede o "drasta". 

- Ah, eu também... Bom, mas vou dar um presentinho pra senhora.

E me deu um chocolate, envolvido em um cartão fofo.

Se a minha enteada - que é a pessoa que me permite ser "madrasta" - estivesse comigo, talvez eu não respondesse o que respondi: "sou madrasta".

Talvez eu sorrisse para a caixa do fast-food, e daria um abraço na pequena Hanna, e daria a elas o meu silêncio. E o meu afeto.

E a Hanna, essa sim, saberia que ela não tem uma madrasta; mas uma amiga fiel que a ama. E que vai amá-la, todos os dias. No dia das mães, na Páscoa, no Natal, no ano-novo. E até naquela segunda-feira chuvosa. E no domingo ensolarado da praia. E em dias comuns. E em dias incomuns.

Chocolates? Eu os adoro.

Mas os abraços - naqueles bracinhos pequenos - e aquela cabeça cabeluda, no meio da minha barriga. E, na mensagem de "eu também te amo, Luana", ou na sua risada, me chamando "Luana Zanelli". Estes, sim, são os melhores presentes que eu poderia receber. No dia das mães. E nos dias comuns. E nos incomuns.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 5

Hoje é sexta-feira. São 10h26.

Estou no consultório “Psicologia e Coaching”, esperando o paciente de 10h.

Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um móvel com minha mochila em cima. Na minha frente, duas cadeiras vazias.

Por aqui, tudo aceso e silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. Whatsapp do André. Whatsapp da paciente.

Volto a ficar no silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 4

Hoje é quinta-feira. São 17h40.

Estou no consultório “Psicologia e Coaching”, sentada na minha mesa.

Na minha frente, três cadeiras vazias. Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um pequeno móvel com duas pranchetas e um tênis em cima.

Por aqui, tudo aceso e silencioso. 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Em observação, no Levitate - 2

Hoje é quarta-feira. São 11h04.

Estou no Levitate Spa, sentada na recepção. Ao meu lado esquerdo, a porta de vidro de entrada do SPA. Ao meu lado direito, parte do sofá vazio. Na minha frente, uma cadeira, também vazia. Atrás do balcão, a recepcionista permanece silenciosa. Não consigo vê-la, pois o balcão é alto.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 3

Hoje é terça-feira. São 14h58.

Estou no consultório Psicologia e Coaching. Estou sentada na minha mesa. Na minha frente, três cadeiras vazias. Ao meu lado esquerdo, um pequeno móvel com minha bolsa em cima. Ao meu lado direito, parede.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

O netbook bipa. Mensagem do André no facebook.

Volta a ficar tudo silencioso.

Em observação, na Polícia Federal - 2

Hoje é segunda-feira. São 9h07.

Estou na Polícia Federal de Nova Iguaçu, sentada na recepção, esperando o atendimento.

Ao meu lado direito, um muro. Na minha frente, pessoas passam. Ao meu lado esquerdo, uma moça está sentada. É mulata, magra. Veste calça jeans, blusa branca, tênis bege e uma bolsa bege no colo. Tem o cabelo comprido, lido, preso num rabo de cavalo. Fala no celular.

- Não entendi. Tá bom. Vou pensar, se eu não tiver que trabalho hoje à noite, eu vou começar um cabelo hoje à noite e terminar amanhã. Tá, eu te ligo. Beijinho, tchau.

Ela desliga o celular. O celular toca. Ela está sentada, de pernas cruzadas. Fala com o rapaz ao seu lado direito. Mexe no celular, no seu colo.

- Documento. Uhum. Marquei. Oito e quarenta e cinco. Não. Eu cheguei uns cinco minutos atrasada. E tinha um senhor aqui. Um documento. A certidão de... Não. Não tem. Então, é aquele. Eu não trouxe, eu não sei aonde está.

Ela levanta-se. Ao meu lado esquerdo, agora, está vazio.

Eu levanto e vou ao balcão. Volto e sento ao lado da moça. Ela está de pernas cruzadas, com o celular na mão, olhando para a frente. Olha para o seu lado esquerdo. Mexe no cabelo. Abre a bolsa e olha algumas coisas dentro. Coça o nariz. Olha para a esquerda. Mexe no cabelo. Olha para a frente. Olha para a esquerda. Levanta e sai.

Agora, o meu lado esquerdo está vazio.

Uma senhora senta ao meu lado esquerdo, com um neném (menino) no colo. Ela é loira, alta, gordinha. Veste calça branca, e blusa social preta e branca. O neném, no seu colo, veste calça jeans azul escura, blusa azul e branca.

- Senta assim, isso.

Ela alimenta o neném.

- Não, meu amor. Ele tá com fominha, deixa a mamãe dar. Quando chegar em casa, a mamãe deixa você dar, tá?

Ela alimenta o neném com papinha.

- Oh pai, eu já dei os papéis pra moça. Isso. Quem pegou foi a moça, que nos atendeu da outra vez. É.

Agora, meu pai está em pé, ao meu lado direito. Ele é branco, alto, magro. Tem o cabelo branco, liso, e usa óculos. Veste um terno cinza escuro e sapatos pretos.

- Não, já acabou esse.

A mãe, ao meu lado esquerdo, continua alimentando o neném.

- Tá comendo? O que você comeu? O coelhinho? Não tem o lanche... Opa... Não, bebê, tá tudo bem. Vamos papar, gostoso. Isso. Isso. Não quer mais? Não? Não quer mais? Aqui, abre o bocão pra mamãe. Isso. Muito bom. Mais um pouquinho. Aqui, Miguel, amor, amor de vida... Opa.

O neném tosse.

- Opa, opa.

Um senhor passa na minha frente.

- Não quer mais? Não? Aqui, mamãezinha... Isso. Marco.

A mãe bate a colherzinha no pote de comida.

- Tá gostoso, filho? Ta aqui, ó. Tá aqui na frente, no estojinho. Isso, garoto. Tem que pegar outro, se não, vai molhar tudo. Só com a mamadeira. Aqui, Miguel. Engole, Miguel. Vambora. Ela já vem buscar. Pára. Tá tudo bem.

Meu pai tosse.

A moça se levanta.

- Tchau, bom dia.

- Tchau, bom dia também.

Meu pai, agora, senta ao meu lado esquerdo. Olha para a frente. Cruza as pernas.

Um senhor passa na minha frente.

- Senta pra cá que não tem sol na tela.

Eu e meu pai trocamos de lugar. Ele continua sentado ao meu lado esquerdo, de pernas cruzadas, olhando para a frente.

Um senhor passa na minha frente.

Meu pai estica o braço e olha as horas

Um senhor, uma senhora e duas crianças passam na minha frente. Todos orientais (japoneses?).

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. É negro, alto, magro.

Fui chamada. 

sábado, 14 de junho de 2014

Sandra - segundo ano

Foi aniversário dela ano passado. Todos os anos é aniversário de todo mundo, oras.


No ano passado teve este aqui: "Sandra"



No aniversário deste ano, tudo mudou.

Pessoas saíram da nossa vida.
Pessoas entraram na vida dela. Na minha. Na nossa. 
E, o saldo tem sido muito positivo.


Dia 08 de setembro do ano passado tudo mudou.

Dia 04 de maio do ano passado tudo mudou.
Tudo muda - para Sandra e para mim - todos os dias.


E o que eu posso dizer dessa mulher?

Ela pode ser pequetitita, mas no tamanho, só. É um mulherão gigante. Se você não consegue perceber o gigantismo dela, lamento, você está perdendo.


É uma mulher forte, mas sem perder a doçura, o encanto, o olhar feliz, apesar de tudo, de todos.

É uma mulher amorosa, querida, que tem um dos melhores sorrisos. Um dos melhores abraços.


Eu quero dizer que eu aprendo - diariamente - com esta ser humana. Ela sabe. Mas vocês precisam saber, também: eu aprendo, diariamente, com esta ser humana.



Uma das coisas que mais me dá prazer é ver a amizade que Sandra tem com o André, meu namorado.

Ela é uma das poucas pessoas que pode me chamar de Lua. [Sim, isso é privilégio de poucos]
E ela é a única amiga minha que chama o meu namorado de Dé. Nem eu mesma o chamo assim. 


E o que eu desejo pra esta ser humana no aniversário dela.



Que Sr. Romário tenha deixado ela no local certo.

Que ela se divirta em Cabo Frio.
Que ela cuide de si mesma. Mas ela sabe que tem um casal aqui que também ajuda.
Que ela tenha a sua casa. Que seu corpo continue sendo a sua melhor casa.
Que ela tenha um amor que a chamegue. Que ela seja, sobretudo, seu maior e melhor amor.
Que ela tenha comida boa na geladeira e no prato. 
Que ela tenha um trabalho que a faça feliz.
Que ela tenha saúde. E paz. E alegria. E amor. E prosperidade.


Eu não preciso me (nos) desejar na vida dela. Isso estaremos sempre.



Feliz aniversário, minha linda amiga.
Que você seja feliz, todos os dias da sua vida.

Amo (amamos) você.


Nos Imortais, uma sexta-feira qualquer
No dia do lançamento do livro da AnaZ. [Sim, ela também estava lá]
No Teatro SENAI. Nós três.
No Teatro SENAI. Nós três.
No Teatro SENAI. Nós três.
Cortando o André da foto, lindamente...

No dia do lançamento do livro de AnaZ. Escrevendo dedicatória...
Ela fotografou a dedicatória. :)
No Teatro NET.
No Teatro NET. Nós e o selfie.
No Teatro NET. Nós e o selfie.
Teatro Carlos Gomes. E a Lidi chegou pro grupitcho!

Teatro Carlos Gomes. E a Lidi chegou pro grupitcho!

Teatro Carlos Gomes. E a Lidi chegou pro grupitcho!

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 2

Hoje é sexta-feira. São 09h37.

Estou no consultório “Psicologia e Coaching”, aguardando o paciente de 10h.

Estou sentada na minha mesa. Na minha frente, três cadeiras vazias. Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um pequeno móvel com duas pranchetas em cima.

Por aqui, tudo aceso e silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular toca.

- Luana, bom dia. Bom dia. Qual é a vaga do seu interesse? Tá aberta ainda, mas a gente não está marcando mais entrevista. Pra você se candidatar você pode ligar na segunda feira ou mandar seu currículo por e-mail. Tá bom então. Por nada. Tchau.

Desligo. Volto a ficar com tudo silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O netbook bipa. E-mail que chegou.

Volto a ficar com tudo silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Em observação, no Espaço da Mulher - 6

Hoje é quinta-feira. São 07h57.

Estou no Espaço da Mulher, sentada em uma mesa, sozinha.

Por aqui, tudo aceso e silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado.

A Zezé vem aqui, abro a porta pra ela.

- Eu atendo de 8h15 às 9h15 e depois de 11h às 12h. O melhor seria ele vir após às 12h. É.

Zezé está lá atrás, ao telefone.

Ela passa por mim e vai embora.

- Não consegue não? Tá bom. Obrigada, Zezé. Vai com Deus. Beijo.

Volto a ficar sozinha, com tudo aceso e silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Sobre o dia dos namorados

Estávamos, no shopping, com a pequena.

- Despista ela. Vou lá voltar na loja, comprar o bicho de pelúcia que ela gostou.
- Mas é caro...
- Despista ela, por favor?
- Ok.

- Crianças, eu vou ao banheiro. Vão passear, ok?

[Dez minutos depois, já com a pelúcia da pequena em mãos...]

- Meu pai estava procurando seu presente.
- De dia dos namorados?
- Sim.
- O que é?

Eles se olharam. A filha e o pai. Um segundo se passou.

- Um vestido.
- Que cor?
- Vermelho.
- De bolinhas brancas.
- Não. Bolinhas não.
- Não, não tem bolinhas.
- E é vermelho?
- Pode ser.
- Pode ser ou É, pequena?
- Não sei.
- Olha, eu te dou uma macaca de pelúcia linda, fofa, amada, e você me sacaneia desse jeito?

Na terça-feira, eles se falaram de novo. O pai da pequena e a namorada.

- Só cheguei em casa agora. Fui ajudar ao amigo comprar o presente da mulher dele.
- É mesmo? Que legal. Que vocês compraram?
- Flores e chocolates. Ela gosta.
- Lindo.
- Mandamos entregar no trabalho dela.
- Mas a sua mulher não vai trabalhar no dia 12.
- Ué, mas é a mulher dele.
- Ah, sei. 
- E a sua?
- Estou falando com ela.
- O amigo, da mulher das flores e chocolates, te ajudou a comprar o presente também?
- Que presente?
- Da sua mulher.
- Não. Eu mesmo já comprei.
- Comprou?
- Claro. Comprado.
- Quando comprou?
- Um dia aí.
- No Centro?
- Oi?
- Comprou no Centro?
- Não, no shopping, aquele dia, com a pequena.
- Em dez minutos?
- Claro.
- Ela te ajudou a escolher?
- Não.
- Tem bolinhas?
- Pode ser.
- De que cor?
- As bolinhas?
- Não, tudo.
- Tenho uma pista.
- Conta.
- Acho que vai fazer minha mulher feliz.
- Ih, tá tudo errado.
- Tá?
- Tá. Tudinho.
- Ela não vai ficar feliz?
- Claro que não.

A mulher dele É feliz.
SER é o verbo que faz toda a diferença. 

Em observação, n'As Claras - 2

Hoje é quarta-feira. São 10h52.

Estou n’As Claras, no Shopping Itanhangá.

Estou sentada em uma mesa. Ao meu lado esquerdo, plantas. Na minha frente, uma cadeira vazia. Ao meu lado direito, um pequeno corredor onde as pessoas passam.

O celular bipa. Whatsapp do André.

Um homem passa. É branco, alto, magro, cabelo castanho, curto. Veste uma calça jeans, um casaco vermelho.

Dois homens passam.

O celular bipa. Whatsapp do André.

Uma mulher passa. É mulata, magra, baixa, cabelo preto, encaracolado, preso num rabo de cavalo. Veste calça social preta, blusa social azul e sapato social preto.

O celular bipa. Whatsapp do André.

Um homem passa.

Um casal passa, conversando.

- A possibilidade dela levantar e fazer as coisas é zero, né?

domingo, 8 de junho de 2014

Em observação, no táxi - 3

Hoje é segunda-feira, são 8h25.

Estou no táxi do Sr. Francis, indo para Nova Iguaçu, com meu pai.

Estou sentada atrás, sozinha.

Na minha frente, o Sr. Francis dirige o carro. É mulato, alto, forte. Veste uma blusa social verde e um boné azul, de jeans.

- Do menino, né?

Sr.Francis ri.

- É? Nova? Nova a moto?

- Não, pai.

- Bom... Ia dar até prazer de trabalhar... Verdade... Uhum. Hum. O seu é da Citroen, né? O seu é da Citroen? Ah, Vectra. Hum. Ele disse? Hum. É. Aí ele fez recusa? Aí ele fez recusa?

- Eu gostaria mesmo. Viajar com meu namorado.

- Já vai pensar duas vezes, né?

Sr. Francis ri.

- Veio, na Transcarioca, pra inaugurar? É. Por ela eu não tenho simpatia nenhuma. Ela não é nada simpática. É. Não tem carisma. É bom que é tudo pertinho, né? Isso a gente gasta pra chegarem Vitória aqui. Antigão. Pra vim, né? Pra vim. Ah é. Galeão é um atrás do outro. Ia virar primeiro mundo, rapidinho. Ah, fez a clonagem ali, né? Que tem no nordeste. Isso é muito evoluído na área da agricultura. Uma estufa, né? Hortaliça. Renault? Laguna? É tudo... Aí avisa. Avisa pra botar os cintos... Pra mostrar a tecnologia... É. Uhum. Já nasceu com dinheiro. A família dele já tinha dinheiro. Perdizes. O que que é isso? Uhum. Uhum. Hã. Quanto é que é a rolha? Hum. Tipo essas placas aí que existem? É. Não tem outra opção. Hum. Uhum. Hum. Uhum. É... uhum. Coisa de português, né? Fazer o que... Hum. Mourão. Uhum. Uma estaca, não é isso?

Sr. Francis coça a cabeça, na nuca. E continua dirigindo.

- Enterra o mourão. Coloca o mourão e... Hum. Uhum. Com óleo. É.

Sr. Francis coça o pescoço. E continua dirigindo.

- Uhum. É, cabeça dura.

Sr. Francis apoia o braço no vidro. E continua dirigindo.

- Desmamar. Hum. Pegar a Via Light. Hum. Uhum. Tem que ter um cuidado excessivo com esses caras porque... Sim. Já são nove? Já são nove horas? É, já chega falando isso que ele vai ficar contente... Aqui, né? É. 

sábado, 7 de junho de 2014

As amigas e a meditação

Ela aprendeu a correr. Re-aprendeu a caminhar. A respirar, a olhar.

São muito amigas. 

A que corre, é meio surda. Com os fones de ouvido, então, mais ainda. Quando corre, coloca os fones e uma música qualquer. Pode ser funk, música clássica, ou qualquer-outro-som..

Elas encontraram-se depois, bem depois. Grandes amigas.

- Lua, você não viu que te chamei?
- Não, quando?
- Na praia, você estava correndo.
- Nossa, não te ouvi... Perdão.
- Mas você olhou na minha direção, sua louca!
- Olhei?
- Lógico. 
- É que eu estava meditando.
- É, você não é normal. Ninguém medita correndo. Cadê a posição de lótus? O silêncio? Os olhos fechados?

Então a amiga que corre explicou, ainda que apenas na teoria:


  • Correr (pode ser caminhar) significa movimento;
  • Precisa ter um propósito. Caminhar no shopping não vale;
  • Tem que ser "caminhar" ou "correr" em algum local que seja a "sua casa";
  • O ar entra. O ar sai. Você sente, fisicamente, o ar entrando e saindo;
  • Na praia, o ar entra-e-sai com cheiro de mar;
  • Você sente o corpo em movimento: os pés tocam o solo. O ar toca o corpo. O vento bagunça os cabelos curtos;
  • O olhar pode estar em qualquer lugar, ou em lugar nenhum. Pode ser o ciclista, a criança, o cão, a areia, o mar, o pequeno movimento da nuvem. Pode ser até você, amiga. O olhar em você. Mas o olhar está pro lado de dentro;
  • E o pensamento? Zero. Só corpo. E respiração. 
A amiga olhou. Em silêncio. Foi sorrindo, aos poucos. [Seu olhar já estava sorrindo, antes de sorrir-aos-poucos]

- Você me ensina a meditar?
- Você gosta de ler?
- Gosto. Mas que tem a ver?
- Você gosta de ler romances?
- Gosto.
- Onde você lê romance?
- No ônibus, no trânsito, indo pra casa.
- Quando você começa e ler e, de repente, já passou um tempão e você está chegando em casa e você nem sentiu?
- Sei.
- E você viveu aquele cenário, que estava lendo? Que você estava lá? Nem sentiu sua perna ficar dormente? Nem ninguém sentar ao seu lado? E levantar? E outra pessoa sentar ao seu lado? Até o seu lado ficar vazio de novo?

A amiga, agora, gargalhava.

- Sei bem o que é isso.
- É um sentimento bom?
- Muito. Muito bom.
- Então você já sabe meditar, gata. Seja bem-vinda.

Te amo, Sandra. <3