domingo, 31 de agosto de 2014

Em observação, no Espaço da Mulher - 16

Hoje é segunda-feira. São 9h11.

Estou no Espaço da Mulher, sentada à mesa. Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira com minha mochila em cima. Ao meu lado direito, uma mesa com cadeiras vazias.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

Sobre Aparecida

Fui convidada pela pequena para ir à Aparecida - pela excursão da igreja - e fiquei sabendo que lá fazia um frio de lascar. Tentei desistir, inventar uma constipação intestinal, mas não consigo dizer "não" com facilidade praquela pequetita.

Então, fomos à viagem: eu, André, Hanna (a pequena), dona Edite (minha sogra), dona Lia (irmã da minha sogra), Manel (amigo), Verônica (namorada do Manel), dona Teresa (mãe-fofa do Manel).

Meu relato, portanto, sobre a viagem...


Parte 1 - Sobre a ida e a volta.

O ônibus não é o mais confortável de todos (mas tem banheiro! - mas não usamos), mas a viagem foi tranquila. Na volta, pegamos trânsito e demoramos mais tempo do que o previso. Tanto na ida quanto na volta, dormi bastante (em posições um pouco desconfortáveis), mas ok. 

Os guias do nosso ônibus eram muito simpáticos, solícitos, gentis e agradáveis. Só temos elogios a eles. As pessoas do ônibus, também, eram muito legais. A sua grande maioria eram de senhorinhas.

As paradas foram no Posto Graal, que tem comidas e ótimas coisas (apesar de caras). Na ida, a fila do banheiro era kilométrica e a parada foi às 2h e pouco da matina. Um frio de congelar os ossos (e o xixi).


Parte 2 - Sobre o clima

Foi me relatado que Aparecida fazia um frio do cacete. Não senti tanto frio assim (eu estava com quatro blusas e um casaco), e foi bem suportável (eu sou extremamente friorenta). Ao longo do dia fez sol e sentimos bastante calor (o que adoro).


Parte 3 - Coisas inusitadas

Chegamos na cidade às 4h30, mas só saímos do ônibus às 6h30. Ao chegar, logo queremos escovar os dentes. Era uma "escovação de dentes" coletivas, numa grande pia, do lado de fora dos banheiros. Uma experiência antropológica maravilhosa. De verdade.

Fomos em um cinema 6D (eu, André e Hanna) e achei um barato, apesar de ficar um pouquinho tonta.


Parte 4 - Sobre o comércio

Uma feira com diversas lojas, a grande maioria de artigos religiosos (mas que também vendiam outras coisas). Os preços, de tudo, bastante acessíveis.

Compramos muitas coisas religiosas, mas também coisas diversas (brinquedos, tênis, bolsa), a valores ótimos. Comprei algumas lembranças para alguns amigos. Queria trazer muitas coisas, para todos (eu adoro presentear), mas não foi possível.

Para comer, era difícil. Tudo muito cheio, atendimento meio ruim. Sempre uma multidão, em todos os locais. 

Ao comprar as velas, por exemplo (um comércio específico para elas) me impressionou as pessoas estarem em um local sagrado, religioso, RECLAMANDO. Acho feio, desproporcional. Mas, acho também que faz parte do ser humano reclamar. Há que termos compreensão, acho.


Parte 5 - Sobre a basílica, a missa, o templo, as pessoas

Fomos assistir a missa de 9h, e não conseguimos entrar totalmente na basílica. Na entrada, na escada, tinha gente sentada. No caminho, também. Sequer conseguímos ver o padre e/ou o altar. Ficamos em pé, no meio do caminho, no meio das pessoas, sentadas no chão.

Fiquei impressionada com a infinidade de gente. Me pareceu um público maior de gente mais humilde (digo humilde sem nenhum tom pejorativo). Se eram ricos, pobres, ou miseráveis, não importa. Eram pessoas simples, todas iguais a mim e a você. Muito chinelo, tênis, gente descalça. Nenhuma pessoa super-bem-vestida/calçada/maquiada. 

Conseguíamos ouvir os padres com clareza, orando, celebrando a missa. E as cantorias, e as músicas... Eu não sou católica e, com isso, não conseguia acompanhar a cantoria. Mas foi muita emoção cantar / orar o Pai Nosso, no meio da multidão. Ou ouvir a multidão cantando - junta - as músicas. Chorei muito. É uma coisa, uma emoção, uma plenitude indescritível. 

No meio da multidão, orando, eu me sentia de duas formas: única, sozinha. E, ao mesmo tempo, eu também era a multidão. Eu era o UM e era o TODO. E todos eram o SI MESMO e o TODO. Isso foi uma percepção muito clara e linda. 

Consigo perceber que o ser humano se religa ao outro ser humano através da religião, através do que ele acredita ser Deus. Consigo ver a união e a unidade tão linda e tão bela. E isso foi muito emocionante. Muito mesmo.

Ao acender as velas, senti quase a mesma emoção. Era um local de colocar as velas, onde já tinham centenas de outras acesas. Um acendia a sua vela na vela do outro. As velas caiam (as minhas) e apagavam, e tudo bem por isso. A vela não precisa estar acesa (se estiver acesa dentro de mim). Via as pessoas colocando as suas velas e orando - silenciosas ou não - e, todas as outras, ali, juntas, acendendo cada uma as suas... era de uma beleza...

E o calor das velas, e o movimento das chamas, e o cheiro das velas, dava uma outra beleza e sentido ao lugar.

Após o "acendimento das velas", conseguimos voltar à basílica, e aí consegui assistir parte de uma missa, de poder me ajoelhar no chão, e agradecer, e orar, e pedir. 


Parte 6 - Sobre as orações

Algumas pessoas queridas, que sabiam que eu ia / estava em Aparecida, me pediram orações. Não vou citar, para não expor ninguém. 

Eu ia me oferecer para orar para quem quisesse, se quisesse, mas ia parecer "dadivosa demais" (o que não é meu caso), ou de querer aparecer, sei lá. Ou ia acabar criando uma lista gigantesca de gente querendo oração que não seria possível...

Então, sem parecer egoísta, eu concentrei minhas orações na minha família, na família do André, e nas famílias que me pediram orações. E, as pessoas com quem falei pós isso (para quem orei), me agradeceram. E eu queria dizer que eu é que fui muito grata de poder orar por outro. De poder agradecer e pedir. 

E, sobre essa coisa de EU e TODO MUNDO, enquanto eu orava, eu consegui visualizar (nem pensei nisso, mas consegui perceber), todo mundo orando por todo mundo. Vou exemplificar: eu estava orando pela família "Silva". Eu, Luana, orando pelos Silva. Mas eu conseguia "perceber" todos que lá estavam, aquela centena de pessoas orando pelos Silva comigo. Como se fôssemos um único coração em oração. 

E, ao mesmo tempo, cada um que lá estava orava por uma família diferente. Pela sua ou pelo do outro. E eu me sentia, também, orando por cada família desconhecida. Isso foi de uma grande emoção e aprendizado. 


E, eu só tenho a agradecer ao André, e a família dele (minha) essa oportunidade, de experienciar isso tudo. Eu voltei renovada. Com a fé renovada. Religada com Deus e comigo mesma. 

Um grande beijo, com agradecimento, fé, e com o que há de melhor dentro de mim. 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Em observação, no Espaço da Mulher - 15

Hoje é quinta-feira. São 9h57.

Estou no Espaço da Mulher, sentada à mesa. Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira com minha mochila em cima. Ao meu lado direito, uma mesa com quatro cadeiras.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

O celular bipa. Email que chegou.

Volto para o silêncio.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 16

Hoje é quarta-feira. São 18h26.

Estou no consultório Psicologia e Coaching, sentada à mesa. Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um móvel com minha mochila e duas pranchetas em cima.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

A campainha toca. Paciente que chegou.

domingo, 24 de agosto de 2014

Em observação, na clínica - 4

Hoje é segunda-feira. São 11h03.

Estou na clínica de cirurgia da obesidade mórbida, em Botafogo, aguardando ser atendida.

Estou sentada na recepção, com outras duas senhoras e a recepcionista. Na minha frente, um vão por onde as pessoas passam. Ao meu lado direito, a porta por onde as pessoas entram e saem. Ao meu lado esquerdo, parte do sofá vazio.

Dagmar passa na minha frente.

- Alo Fátima? É Dagmar, espera um pouquinho só.

Abre a porta e sai, e fecha a porta atrás de si. A porta abre. Dagmar entra.

- É mesmo? Eu fiquei muito feliz de saber dessa história.

Ela fala ao celular. É uma senhora, branca, magra, baixa, cabelo vermelho.

Uma mulher está na minha frente. É alta, gordinha, cabelo castanho, liso, preso. Veste calça jeans, blusa preta e sapatilha preta, e bolsa preta.

Dagmar entra para a consulta.

A mulher entra. Ela volta e senta-se. Ela passa novamente.

- Mas faz parte. Mas tá bom então. Tchau gente, fica com Deus.

Ela passa ao meu lado, abre a porta, sai, e fecha a porta atrás de si.

Agora, na recepção, apenas eu e a outra paciente.

Dagmar retorna e está na minha frente. Ela é baixa, magra.

A porta abre. Entra um casal e ficam parados na minha frente. Agora, só a moça do casal parada na minha frente. Ela é branca, alta, magra, loira, cabelo liso. Ela veste uma bermuda jeans, blusa branca, sandália bege e bolsa bege.

- Oi, bom dia. Tudo bom? Tudo bom. Deixa eu ver aqui. Toma. Tá.

Agora, na recepção eu, o casal e a Diana.

Dagmar passa novamente pela recepção. Agora, na recepção eu, o casal, dona Dagmar e a Diana.

- Eu sei como é que é. Mas eu sei, mas eu trabalhei com esse tipo de profissional. Tchau.

Ela passa pela minha frente, abre a porta, sai, e fecha a porta atrás de si. Agora, na recepção eu, o casal e a Diana.

Isabel, agora, fica na minha frente.

- Tá. Hoje ele não tá aí não. Ah, é?

Ela senta novamente.

O rapaz do casal levanta e passa na minha frente. É branco, alto, magro, cabelo castanho, curto. Veste calça jeans, blusa polo azul marinho e tênis preto. Está de pé, lendo as coisas do mural, com os braços cruzados. Ele coça as costas e senta novamente.

A campainha toca. Um rapaz entra.

- Bom dia. Bom dia, eu tenho uma consulta agora. Kleber. Tá aqui. Aqui. Isso.

Kleber é branco, alto, gordo, cabelo curto, preto. Veste uma calça jeans preta, blusa polo amarela, sapato preto e bolsa marrom.

A mulher passa na minha frente novamente.

- Marquei. Tá vindo aí.

- Fala, bom dia. Na minha são quinze, cara. Pedal são dois par. Na minha são quinze. Hoje são trinta-e-dois. Ai, meu Deus do céu.

- Ta aqui, filha.

A mulher, agora, senta.

Na minha frente, agora, só o Kleber. E, na recepção, eu, a mulher, o Kleber e a Diana.

Kleber está de pé, com a mão na cintura. Fala ao celular. Fecha a bolsa.

- É trinta-e-dois mais três. Isso. Isso. Nada.

Ele desliga o celular. Guarda na bolsa. Ajeita a blusa. Funga. Ajeita a blusa. Tem a mão na cintura.

Diana sai.

Kleber funga. Le algumas coisas sobre o balcão da recepção. Ajeita a calça e a blusa.

Diana volta. Diana sai.

Doutor Luiz Carlos abre a porta e entra.

- Oi.

Ele entra.

Débora volta.

Kleber senta.

Débora sai.

Agora, na recepção, eu, Kleber e Vera.

Diana volta.

Agora, na recepção, eu, Kleber, Vera e Diana.

Vera passa.

- Obrigada. Tchau.

Ela sai e fecha a porta atrás de si.

Kleber e Diana saem. Agora, estou sozinha na recepção.

Diana volta. Agora, eu e Diana na recepção.

Kleber volta. Agora, eu, Diana e Kleber na recepção.

Kleber levanta, assina algo na minha frente e senta novamente.

Uma mulher entra. Ela sai.

Diana sai. Agora, na recepção, só eu e Kleber.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Em observação, no escritório do pai - 19

Hoje é sábado. São 10h24.

Estou no escritório do pai, sentada na mesa, na sala dele. Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado direito e lado esquerdo mesas cheias de coisas.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O dia da gratidão

Hoje foi aquele dia de acordar às 6h. Mas você gosta de colocar a soneca pra cinco-minutos-depois. E foi assim, de cinco-em-cinco-minutos até 6h30.

Banho, café da manhã, médico. O médico era Dra. Elda (endocrinologista) e Aline (a nutricionista).

A dra. Elda é mais fechadona, mais na dela, mas muito simpática, educada e ótima profissional. 

Já a Aline me chama de menina-Skiny.[Antes de perder peso, eu comia Skiny. Muito Skiny].
- Você tem isso na minha ficha, do Skiny?
- Não, eu me lembro.
- Mas já se foram dois anos.
- Mas eu me lembro.
- Por que?
- Porque eu gosto de você.
E aí aquela consulta deliciosa, com a melhor nutricionista que eu poderia ter, acontece normalmente...

- Quer dizer então que você vai casar... me conta isso aí?
Aí aquela coisa de abrir o celular, mostrar a foto do namorado, da enteada, etc.

- Eu não conheço seu futuro marido, mas diz pra ele que ele está te fazendo muito bem. Você está mais serena, falando mais devagar, mais tranquila...

Enfim. Revimos a dieta, os exames, a suplementação de vitaminas, proteína, etc.
E nos vemos daqui a seis meses.

O dia teve seu "momento feliz" parte 1.

Não eram 10h e mandei mensagem pra Guta:
"Amiga, posso ir te visitar? Me avisa. Beijo".

Ela não respondeu e eu fui pro Espaço da Mulher. Lá eu faço um trabalho (quase-nem-sempre) voluntário. E é o momento que eu tenho pra ficar quieta. Sem internet. Sem som. Sem nada. Só eu, o silêncio, os livros. Os possíveis pacientes que chegam. E os velhinhos, que acham que ali é a Defensoria Pública. 

Logo na entrada do Espaço, temos um pequeno brechó, com roupas, sapatos, e etcs. Nós doamos, as pessoas doam, e a gente vende as coisas (por um preço mais do que acessível) pra ajudar a manter o Espaço. 

Dona Graça, por exemplo, vem todas as quintas-feiras (dia do meu plantão) e compra alguma coisa pra ela, e me entrega as moedas contadas. É empregada doméstica do prédio em frente. Nos tratamos pelo nome e, ainda bem, ela não anda uniformizada-fantasiada. Ela vê quando chego pela janela e vem, lá, me dar bom-dia, e comprar as coisinhas dela.

Hoje uma senhora bateu à porta. Falava português muito mal (era americana), mas eu conseguia entender seu português americanizado.
Ela explicou: "tenho um carrinho de bebê, duplo, para um bebê maior na frente, e um menor, atrás; não é aqueles de gêmeos, de lado; é um na frente e um atrás. Vocês querem? Estamos voltando para os EUA e não precisamos do carrinho mais".

Cláudia, expliquei, nós aqui recebemos doações, para vender e manter o Espaço. Não podemos comprar seu carrinho.

Mas é doação. Estou dando para vocês.

Aceitamos, portanto, e ficamos muito agradecidas. Foi o "momento feliz" parte 2, do dia. Que mal estava começando.

Uma-moça-doando-um-carrinho-assim-desapegadamente. Nunca me viu. Eu nunca a vi. 

Resolvi ligar pra Albinha, minha parceira de trabalho e, logo no início da ligação, ouço que ela estava pensando em mim, já desde cedo (eu também nela) e conversamos longamente. Foi a parte 3 de alegria do dia.

A amiga respondeu a mensagem tardiamente e fui vê-la, junto com a Ana Flávia, sua neném de dezesseis-dias. DEZESSEIS DIAS.

Comprei uma bobagenzinha pra neném, porque não sei visitar sem levar nada... 

Então tá. Cheguei. E estava lá a amiga com a neném-mini deitada sobre ela. Aninhada no seu colo. Ficamos conversando - eu e Guta - com a neném ali, dormindo. Tudo sob os olhares, e lambidas, e chamegos dos cães Theo e Willy. 

E eu fiquei encantada com várias coisas:
- Deu uma saudades do meu (nosso) pré-vestibular, onde conheci a Guta. 
- Deu uma saudades de passear com ela, de carro, até São Conrado, só pra tomar um picolé.
- Deu uma alegria e um amor tão grande, mas tão, de ver a amiga querida sendo mãe e se emocionando ao falar da sua neném.
- Deu uma alegria enorme de ver ela falando COM a filha que, apesar de mini, é uma ser humana, como gente, sem tati-bitati.
- E a neném, com expressões tantas? Sobrancelha, boca, dedos das mãos, dos pés, pernas.

Saí da casa delas com uma vontade grande de chorar e agradecida de ver a preciosidade da vida, de mãe-e-filha. Dessa coisa divina que é a maternidade. 

Se eu falar que este foi o momento feliz parte 3 do dia... eu poderia dizer que foi parte 3.000...

Agora, com a Ataulfo de Paiva fechada, os ônibus vão pela praia. Fui pra lá, pegar o meu em direção à Copacabana. E, a vista da praia, do morro, do céu, do sol, faz meu dia ser feliz parte 4.

Eram 14h, e pra mim o dia já estava suficientemente feliz. 

Saltei em Copacabana, comi-um-qualquer-coisa e fui pra academia, suar o corpo um pouco. Momento feliz parte 5.

Sem dores, fui pra casa e trabalhei, até quase 19h. 

E o namorado ligou. E os amigos no whatsapp. E as interações-filosóficas no Facebook (com Renato e Rafa).

E as coisas que aconteceram (e acontecem) no meu dia, assim, tudo tão comum e tão inusitado só me fazem ser muito grata.

Grata à vida.
Grata aos amigos que tenho.
Grata à Aline pelo carinho e profissionalismo e por me ensinar a me alimentar.
Grata à Cláudia pelo futuro-carrinho que o Espaço da Mulher vai ganhar.
Grata à Alba pelo que me ensina.
Grata à Guta e à Ana Flávia pela tarde tão emocionante e deliciosa. Por testemunhar um amor tão grande entre elas que... caramba...
Grata ao André (e à Hanna) pelo amor que sentem por mim, e pelo que sinto por eles.
Grata ao Renato e Rafael pelas discussões, e risadas, e reflexões, ainda que virtuais.

Hoje, definitivamente, eu vou dormir feliz. Muito feliz.

Dia 8 - Smart-Fit - Selfie

O dia começou cheio (e feliz). Saí de casa às 7h20.

Tive nutricionista e endocrinologista. Meus exames estão todos lindos e ótimos. Ambas me suplementaram em algumas coisas (transferrina, vitamina D, proteína, etc.) A proteína é aquela pra comprar em lojas de produtos de atletas, e tomar pós-treino. Indicação da nutricionista, portanto. Não estou usando sem acompanhamento. Não comprei nada por falta de tempo (ainda).

Cheguei à Smart Fit por volta de 15h. Tarde, pois ainda voltaria para casa, para COMEÇAR a trabalhar.

Fiz 35 min de bicicleta e percorri quase 15 km. Cantei e dei uma dançadinha de leve. 

Não usei a faixa do cabelo hoje (e acho que vou preferir arcos, que eu tenho vários...), mas eu estava penteada (vim direto do trabalho, e não ventou...)

Quando acabei da bicicleta, resolvi caminhar / correr um pouco. Escolhi uma esteira vazia e caminhei na "velocidade" (é isso?) 6.0. Ao meu lado, uma esteira vazia. Do outro lado, uma moça caminhava em 5.5. Ou seja: eu estava mais veloz que ela.

Eventualmente, eu corria a 7.2. E aí me sentia Forrest Gump, mais veloz que a moça a duas esteiras de mim. E ficava entre 6.0 e 7.2. 

Só que veio uma moça negra, linda, com o cabelo estilo Jackson-Five, preso estilosamente. E parou na esteira entre eu e a moça do 5.5.

Ela ficou 10 segundos na esteira e já estava correndo a 8.5. Ou seja: a moça me passou. E eu me senti aquele animal peçonhento que se arrasta. Tive vontade de piscar pra ela e dizer:
- Mas acabei de fazer 15 km na bicicleta, tá?

Então, quando eu fiz 1 km (em 12 min) na esteira, eu resolvi parar tudo, e ir embora. Porque, pra ser humilhada, bastam 12 minutos.

O saldo de hoje foi:
- Não descabelei.
- Estava maquiada, suei, mas a maquiagem ficou ok.
- Cantei. Dancei (só na bicicleta).
- Consegui andar normal até em casa, pós-academia.
- As pernas doeram menos; e doem menos.

Em observação, no Psicologia e Coaching - 15

Hoje é sexta-feira. São 15h51

Estou no consultório Psicologia e Coaching, sentada à minha mesa. Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um móvel com minha mochila e três garrafas d’água em cima (duas vazias e uma cheia).

Por aqui, tudo aceso e silencioso.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Em observação, no Espaço da Mulher - 14

Hoje é quinta-feira. São 8h15.

Estou no Espaço da Mulher, sentada em uma mesa. Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira, com minha mochila em cima. Ao meu lado direito, uma mesa, com cadeiras vazias.

Por aqui, tudo aceso e silencioso. 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Em observação, no Levitate - 3

Hoje é quarta-feira. São 11h04.

Estou no Levitate Spa, no Shopping Itanhangá, na recepção, sentada em um sofá. Ao meu lado direito, parte do sofá, vazio. Ao meu lado esquerdo, a porta de vidro, de entrada do SPA. Na minha frente, outra poltrona, vazia.

Estou com a recepcionista aqui, no silêncio. Ela está atrás de um balcão alto. Então, não consigo vê-la. Ela sai do balcão e entra em direção ao SPA.

Agora, estou só no silêncio.

A recepcionista volta. Ela é branca, alta, magra, e cabelo castanho, encaracolado, preso num meio-rabo de cavalo. Ela senta, atrás do balcão. Ela tosse. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Dia 5 - Smart-Fit - Selfie

O dia começou às 6h, levantando da cama, com uma super enxaqueca.

Fui trabalhar de 8h às 12h30 (plantão no Espaço da Mulher) e não levei os apetrechos-de-academia na mochila. A enxaqueca me fazia ficar em casa.

Voltei pra casa, trabalhei um pouco, tomei outro Advil, almocei e resolvi testar meu corpo e ir.

No caminho, e no ventinho frio, cerca de 30 min pós-Advil, a dor já melhorava um pouco.

Eu sempre gosto de começar a malhar pela bicicleta, mas ambas estavam ocupadas. Comecei, portanto, na esteira, e fiz 1,31 km em quase 14 min. Foi quando a bicicleta vagou e eu fui pra ela. E fiz quase 15 km (14,9 km) em 35 minutos.


Pelo dia de hoje:
Suei muito.
Gosto de meditar no banho (enquanto a água me lava, peço que leve as impurezas físicas e emocionais). Gosto de fazer o mesmo com o suor e meditei - enquanto suava - que o suor tirasse a minha dor. Não passou por completo, mas aliviou um pouco.
Cantei e dancei, na bicicleta (até de olhos fechados).

Voltei pra casa feliz de ter ido, mesmo com um pouco de dor...

domingo, 17 de agosto de 2014

Em observação, no Espaço da Mulher - 13

Hoje é segunda-feira. São 8h36.

Estou no Espaço da Mulher, sentada em uma mesa.

À minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira com minha mochila em cima. Ao meu lado direito, uma mesa com quatro cadeiras vazias.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

sábado, 16 de agosto de 2014

Dia 4 - Smart-Fit - Selfie

Chegamos ao dia 4. Sábado.

Ontem, sexta, não malhei. Vale dizer que trabalhei de 8h30 às 19h30 e ainda fui ao cinema, à noite, com o André. Vale dizer que, sentada na cadeira, por 1h30, e depois descer aquelas escadas foi difícil. Doía. Tudo.

Então, falando do dia 4...

Trabalhei de 9h até quase 13h30. Levei a roupa-tênis pro trabalho e me troquei lá. Meu santo-pai me deu uma santa-carona até a academia. [Da minha casa à academia são 750m (pesquisei no Google Maps)].

Enquanto estava no caminho, mandei um whatsapp pro André e pra Ana (minha manicure), pra ver se ela tinha horário hoje pra eu fazer a pata.

Aí, beleza. Academia quase vazia. Hoje levei livro (Berenice procura, do Garcia-Roza) e fones de ouvido. 

Na academia são apenas duas bicicletas. Ambas vazias. Sentei em uma que não costumo sentar, a mais próxima do espelho, e mais longe do local onde as pessoas passam. O rádio não pega ali, fica chiado. Anotação 1: nunca mais sentar nessa bicicleta.

Ok, sentei. Ajeitei o banco, o nível, zerei a bicicleta e simbora pedalar. Liguei o fone de ouvido (ouvi rádio + chiado, mas já estava pedalando então...) e peguei o livro. Não li duas páginas. Por que?

Eu descobri que, por volta de 14h, as rádios que eu gosto - Transamérica (101,3 FM); MIX FM (102,1 FM) e Rádio Cidade (102,9 FM) - só tocam músicas boas e dançantes.

Ou seja:
1. Eu cantei sem medo de ser feliz.
2. Eu dancei sem medo de ser feliz. [Aquele esquema de dança da cabeça, dos ombros e das mãos]
3. Eu pedalei no ritmo das músicas. Empolgada.
4. Eu me vi, pertinho, no espelho, cantando e pseudo-dançando, e ri. 

Tocou Bon Jovi, depois Aerosmith, etc. E a cada música mais animada eu pedalava NO RITMO e rapidamente (cerca de 115, 120 RPM, que eu descobri que não é BPM. [Beijo, Léo]
Passei por momentos como "será que não vai tocar uma maldita música lenta nesse treco?". Não tocou.

Do meu lado, um moço na esteira suava. Muito. E, de vez em quando, ria. Acho que ria de mim. Hoje era o dia-empolgação. Eu ri de volta pra ele, e pronto.

Vale dizer que eu suo. Muito. 
Vale dizer que eu vou trabalhar maquiada.
Vale dizer que eu fui pra academia direto do trabalho.
Então, vocês deduzem que eu fui malhar maquiada. E suei. Muito.
#supergostoso

O delineador é a prova-d'água (beijo, Michele!); mas a sombra não. 
Então... 
Eu fiz 15 km em 35 minutos. Na bicicleta.
Aquela ali no espelho sou eu. 


O moço suado, ao meu lado, na esteira, suou de pingar (eca!), acabou de correr, e saiu da esteira e saiu da academia.

Anotação 2. Limpe seu aparelho depois de usá-lo; sobretudo, se você sua; sobretudo se seu suor pinta; outra pessoa vai usá-lo depois

Acabei a bicicleta, limpei-a e me dei conta de que tinha um aparelho novo na academia. Parecia uma bicicleta rústica, ao contrário. Bancos na frente. Pedais atrás. Eu quis fotografar, mas fiquei sem graça. Se esse negócio estiver lá durante a semana, eu tiro uma foto e mostro pra vocês. 

Quando fui pegar o paninho pra limpar a bicicleta, pensei: "ah, tranquilo. Vou correr na esteira um pouquinho".

Algumas observações, aqui:
- Não acredite se alguém disser que vai pra academia, malha, e não repara em ninguém! Repara! As pessoas reparam em mim (sofrendo, cantando, dançando), e eu reparo nas pessoas. Todo o tempo. 

Beleza, subi na esteira. Liguei e comecei a andar.

A ordem era, de frente pro espelho: 
A bicicleta (onde eu estava antes) - A esteira (onde eu estava agora) - Uma esteira vazia - um senhor correndo na esteira.

"Ih, mas o moço suado, de pingar, estava na esteira ao meu lado... que é esta que estou agora..."

Me deu nojo, mas eu já tava ali, então, vamos que vamos.

Aí eu comecei a caminhar. Não sei bem o que significam aqueles números todos que aparecem ali na esteira, mas eu tava no 4.0. Aí coloquei no 5.0. E, depois, no 6.0. 

O senhor (quase) do meu lado tava no 8.0. Correndo. Sem se segurar. Tinha, pelo menos, dez anos a mais que eu.

"Luana, sua fraca..."

Eu não queria dizer, mas eu sou competitiva.

6.1, 6.2, 6.3, 6.4...
7.0 e eu tava correndo. Me segurando. Me soltei. Durou 2 segundos solta. 

Eu admiro essa gente que corre na esteira SEM SE SEGURAR. Me falta coordenação para isso.

Aí você dança na bicicleta, que você está sentada. E você tenta repetir o procedimento na esteira. Mas, ali, o solo está correndo pra trás, e você, pra frente. 
Você se sente como aquele cão, gato, ou qualquer bicho que o dono coloca sobre uma esteira. 
Dá vontade de rir, e você gargalha.

Aí o rádio começa a tocar propaganda, e você resolve mudar a estação. Destravar celular, buscar o ícone do rádio, escolher outra estação - enquanto se segura - enquanto caminha. Complexo.

E o senhor, ali, na velocidade 8.0.
E você oscilando entre 6.0 e 7.0
7.2 e você está correndo. Se segurando. 
E aí você se sente correndo a São Silvestre enquanto canta, corre, se olha no espelho, e o senhor, do seu lado, te ultrapassando.
Você retorna para a realidade e coloca a esteira no 6.0.
Aí você gargalha mais um pouco. Murmura: "você é louca".

Enquanto você está no 6.0, você coloca no 6.2 e percebe que consegue andar mais rápido (e não sabe se anda rápido ou se corre devagar). Olha no relógio: 14h53. 

O whatsapp toca. Sua manicure. "Você pode vir às 16h? Tá vago".
Aí você quer responder a ela: "Sim". 
Mas, se nem trocar o rádio, caminhar, se segurar, olhar o velho te ultrapassando... E pensa: "preciso almoçar, tomar banho, e sair. E são 14h53".
E aí você resolve caminhar 2 km. Sim, DOIS QUILÔMETROS, em 21 minutos, até dar 14h58.
Só depois de acabar de caminhar, e de se certificar de que a esteira está DESLIGADA, você responde à sua manicure: "Sim, eu vou".

Isso do lado é meu casaco

Quando acaba, você pensa: "ok, só pegar o paninho, limpar a esteira, com a minha sujeira e a sujeira daquele infeliz, de antes".

Você sai da esteira. Olha pro paninho, que está a vinte passos de você e pensa: "Deus, como vou até em casa?".

A caminhada até o paninho, você se sente engatinhando.
O velho já limpou a esteira, já encheu a garrafinha dele, já saiu da academia e você ali, estudando-o-trajeto-até-o-paninho.

Pegou o paninho, limpou a esteira, aproveitou pra pegar as suas tralhas, e já levar o paninho e ir embora, direto.
Chega na rua e pensa: "quanto será um táxi daqui até a minha casa?". 
"Luana, o velho foi andando, e ele mora mais longe! [você não sabe, mas a vida é feita de suposições]. Nada de táxi. Caminhando! Mas e a unha? É às 16h!"

E aí você vai caminhando pra casa cantando-dançando-gargalhando-e-muito-feliz.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Vini


Eu não sei bem a idade dele. Talvez entre 5 e 8.

E, incrível. Nem o conheço pessoalmente. 

Os pais dele - mãe e "paidrasto" - eu só vi uma única vez na vida. A mãe dele - "mamãezinha" - é uma amiga (virtual?) muito querida. A gente fala e interage, por ali, só. 

O menino, só por foto, e vídeos curtos e pequenos (onde pude ouvir sua voz, pela primeira vez). Sim, aqueles vídeos que eu assisto 20 vezes.

E eu acompanho a letra, os desenhos, a evolução, a fofura, através do relato - apaixonado e orgulhoso - da sua mãe.

Sabe aquelas coisas de falar que a criança é "um menino de ouro"?

Esse não é de ouro. Eu nem gosto tanto de ouro assim...
Ele é de carne, osso, olhos, sorriso, e coração.
Ele ri, gargalha, chora. Pode ficar feliz, e triste, e preocupado, e ansioso.
E que ótimo por isso.

Eu tenho um segredo: às vezes, eu conheço uma pessoa e desejo ficar amiga dela. Eu gostaria de ser amiga deste. Assim, de conversar, de ouvi-lo, de aprender. De brincar.

O amor que ele tem pelos animais (até os mais inusitados!), pela mãe... O sorriso que a gente vê nas fotos. O mesmo olhar tranquilo e sereno da mãe...

A vontade que me dá, Vini, é de embrulhar você em plástico bolha, e colocar você numa caixinha, e te transportar, com muito cuidado.
Mas que bom que eu não posso.
Que bom que você possa ser uma criança-fora-da-caixa-e-do-plástico-bolha.

E eu desejo, mesmo, que eu tenha um filho menino. AnaZ queria uma neta mulher. André fala que só faz filha mulher. A Hanna prefere uma irmã menina. 
Alguém precisa ser do contra nessa família, Vini. E o nome desse alguém é Luana Zanelli.

Se vier um menino, que ele tenha um olhar semelhante ao seu. 
E que eu possa ser a mãe fofa que sua mãe é pra você. 

Com o meu melhor e mais carinhoso olhar pra você, seu pequeno lindo...
Que Deus proteja e abençoe você. <3

Lua. :)

Em observação, no Epifania Oriental

Hoje é sexta-feira. São 17h36.

Estou no Epifania Oriental, sentada em uma mesa.

Ao meu lado direito, parte do banco vazio. Ao meu lado esquerdo, o banco com minha bolsa em cima. Na minha frente, um pequeno corredor por onde as pessoas passam.

Um homem passa, carregando um pano. É branco, baixo, magro, cabelo preto, curto, e usa óculos. Veste calça e blusa pretas e sapato preto.

Um homem passa. É branco, baixo, magro, cabelo preto, curto. Veste calça e blusa pretas e um All Star azul marinho. Ele passa novamente.

João passa. É branco, alto, magro, cabelo preto. Veste calça jeans e blusa preta e sapato preto. Ele passa novamente.

Um homem passa. É branco, baixo, magro, cabelo preto, curto. Veste calça e blusa pretas e um All Star azul marinho. Ele passa novamente.

Uma mulher passa.

Um homem passa. É branco, baixo, magro, cabelo preto, curto. Veste calça e blusa pretas e um All Star azul marinho. Ele passa novamente.

João passa.

Uma mulher passa. É branca, magra, baixa. Tem o cabelo castanho, liso, preso em um rabo de cavalo. Veste calça jeans, blusa preta e sapatilha vermelha. Ela passa novamente.

João passa.

Uma mulher passa carregando uns folhetos. É branca, magra, baixa. Tem o cabelo castanho, liso, preso em um rabo de cavalo. Veste calça jeans, blusa preta e sapatilha vermelha. Ela passa novamente, agora, sem folhetos.

Um homem passa carregando uma bandeja com coisas em cima. É branco, baixo, magro, cabelo preto, curto. Veste calça e blusa pretas e um All Star azul marinho.

Um homem passa.

Um homem passa carregando uma bandeja vazia, batucando na mesma. É branco, baixo, magro, cabelo preto, curto. Veste calça e blusa pretas e um All Star azul marinho.

Um homem passa carregando uns papéis. Ele passa, novamente, carregando os papéis.

Um homem passa carregando um prato. É branco, baixo, magro, cabelo preto, curto. Veste calça jeans e blusa preta e um All Star azul marinho. Ele passa novamente. Ele passa novamente carregando um potinho. Ele passa novamente. Ele passa novamente carregando uma garrafa. Ele passa novamente.

Um homem passa.

João passa. Passa novamente.

Um homem passa. É branco, baixo, magro, cabelo preto, curto. Veste calça jeans e blusa preta e um All Star azul marinho. Passa novamente carregando copos e pratos.

João passa.

Um homem passa carregando uma conta e a máquina de débito / crédito. É branco, baixo, magro, cabelo preto, curto. Veste calça jeans e blusa preta e um All Star azul marinho. Ele passa novamente carregando as mesmas coisas.

Um homem passa. É branco, magro, alto, cabelo preto, curto.

Um homem passa, sorrindo. É branco, baixo, magro, cabelo preto, curto. Veste calça jeans e blusa preta e um All Star azul marinho. Ele passa, novamente, carregando um pano e uma garrafinha.

Um homem passa. É branco, magro, alto, cabelo preto, curto. Veste calça jeans, blusa preta, sapato preto e avental preto. Passa novamente. Passa novamente coçando a cabeça.

João passa novamente, carregando uma sacola.

- Nada do Felipe.

- Pois é, estou esperando.

- Tu quer um café?

- Não, tou ótima, muito obrigada.

- Tu quer alguma coisa, tá bem?

- Tou ótima, muito obrigada.

- Por nada.

Ele passa.

Um homem passa. É branco, magro, alto, cabelo preto, curto. Veste calça jeans, blusa preta, sapato preto e avental preto. Ele passa, novamente. Ele passa, novamente, carregando vários cardápios. Ele passa, novamente, agora sem os cardápios.

João passa.

Um homem passa. É branco, magro, alto, cabelo preto, curto. Veste calça jeans, blusa preta, sapato preto e avental preto. Ele passa, novamente.

Um homem passa, carregando um cardápio. É branco, alto, um pouco gordinho, e tem o cabelo castanho, um pouco grisalho. Tem bigode e usa óculos. Veste calça jeans, casaco bege e sapato preto.

Um homem passa. É branco, magro, alto, cabelo preto, curto. Veste calça jeans, blusa preta, sapato preto e avental preto.

Um homem passa, com um celular na mão esquerda. É branco, alto, um pouco gordinho, e tem o cabelo castanho, um pouco grisalho. Tem bigode e usa óculos. Veste calça jeans, casaco bege e sapato preto.

Um homem passa. É branco, magro, alto, cabelo preto, curto. Veste calça jeans, blusa preta, sapato preto e avental preto.