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Em observação, no ônibus - 529

Hoje é quarta-feira. São 06h54. Estou no ônibus 220, sentada. Ao meu lado direito, um banco vazio. Ao meu lado esquerdo, uma janela fechada. Na minha frente, uma mulher sentada. Ela é branca. Tem o cabelo castanho, curto, encaracolado, preso em um rabo de cavalo. Usa uma blusa preta. Seu rabo está preso com um elástico cinza. Olha para frente. Olha para fora da janela. Olha para a frente. Olha para fora da janela. Olha para a frente. Usa óculos. Mexe no celular, no WhatsApp. Guarda o celular. Olha para fora da janela. Seu óculos é de grau de armação vermelha. Coloca o óculos no alto da cabeça. Conversa com a pessoa sentada ao seu lado direito. - É. É. Ele quer.  A mulher sentada na minha frente olha para fora da janela. - Estou acostumada. Vai a lugar nenhum. É. A mulher sentada na minha frente olha para frente. - Levando. Levando. Tudo é rotina.  A mulher sentada na minha frente olha para a pessoa do seu lado direito.  - Mas de vez em quando cinco. Eu já acordo mais tard...

Em observação, no Uber - 230

- Oi, você é o Filipe? Tudo bem, Filipe? 3822. Ah, o cinto é embaixo? Eu é que agradeço. Hoje é terça-feira. São 15h00. Estou no Uber. Ao meu lado direito, porta e janela fechadas. Ao meu lado esquerdo, um banco vazio. Na minha frente, um banco vazio.  O celular bipa. Google Chat do Eduardo.

Em observação, na Smart Fit - 335

Hoje é domingo. São 10h05. Uma mulher passa na minha frente. Um homem passa na minha frente. Uma mulher passa na minha frente carregando uma mochila verde pendurada no ombro direito. Estou na Smart Fit, sentada na bicicleta. Ao meu lado direito, uma bicicleta vazia.  Um homem passa na minha frente. Uma mulher passa na minha frente. Uma mulher passa na minha frente carregando uma ecobag bege e uma garrafa. Uma mulher passa na minha frente carregando um celular. Ao meu lado esquerdo, uma bicicleta vazia. Na minha frente, um corredor por onde as pessoas passam. Um homem passa na minha frente carregando uma garrafa plástica. Ele é branco, magro e alto. É careca. Um homem passa na minha frente. Um homem passa na minha frente. Um homem passa na minha frente. Um homem passa na minha frente carregando uma mochila preta e um capacete. Um homem passa na minha frente. Um homem passa na minha frente. Uma mulher passa na minha frente. Eles estão juntos e passam conversando. Uma mulher passa na ...

Em observação, no ônibus - 528

Hoje é sábado. São 10h15.  Estou no ônibus 415, sentada.  Ao meu lado direito, uma janela fechada. Ao meu lado esquerdo, um banco vazio. Na minha frente, a roleta por onde as pessoas passam. 

Em observação, no ônibus - 527

Hoje é sexta-feira. São 10h08. Estou no ônibus 301, sentada.  Ao meu lado direito, um banco vazio. Ao meu lado esquerdo, uma janela fechada. Na minha frente, uma pessoa sentada. A pessoa funga. É branca e magra. Tem o cabelo preto, liso e comprido, preso em um rabo de cavalo. Usa um casaco preto. Olha para a frente. Olha para fora da janela. Olha para a frente. Funga. Se abaixa para a frente. Olha para fora da janela.  O celular bipa. Google Chat da Ana Júlia. Bipa novamente. Notificação do Clima Tempo.  A pessoa sentada na minha frente olha para frente. 

Em observação, no Uber - 229

- Eu aproveitei a parada do táxi pra vir atrás de você. Meu código é 3822. Eu é que agradeço. Isso, por favor. Hoje é quinta-feira. São 18h07. Estou no Uber, sentada. Ao meu lado direito, porta e janela fechadas. Ao meu lado esquerdo, um banco vazio. Na minha frente, um banco vazio. O celular bipa. WhatsApp do André.

Em observação, no Infnet - 277

Hoje é quarta-feira. São 12h55. Estou no Infnet, sentada à mesa, na sala 213. Ao meu lado direito, um lixo e uma cadeira preta vazia. Ao meu lado esquerdo, um gaveteiro, minha bolsa, e um vão por onde as pessoas passam. Na minha frente, uma mesa com dois monitores em cima. O celular bipa. WhatsApp da Suzana. O computador bipa. Google Chat do Daniel. O celular bipa. WhatsApp da Melissa. O computador bipa. Notificação da agenda.

Em observação, no Hospital Pan Americano - 3

Hoje é terça-feira. São 14h35. Estou no hospital Pan Americano, sentada no balcão de atendimento. - Obrigada. Ao meu lado direito, uma cadeira marrom vazia. Ao meu lado esquerdo, um vão por onde as pessoas passam e uma porta fechada. Na minha frente, uma mulher sentada, trabalhando. Uma mulher passa ao meu lado esquerdo. Ela é branca, gorda e alta. Tem o cabelo vermelho, liso, preso em um coque. Usa óculos de grau.

Cris e o desamor

- Ela não curtiu nem com o coração. Nem com o joinha. - Você não sabe o que é? - Cris, veja bem... - Você nunca sabe de nada. Eu é que tenho que saber. Nem sei porque tantos anos depois ainda estou com você.  Então sai da Amil, vai pro sus. E aí você vê o que faz da vida. Eu faço o que eu posso. Milagre não faço não. Trato bem. Dou amor... E olha como você me trata? Como um cavalo. Um cavalo.  Sinceramente, não fala mais nada não. Você só fala merda. É um cavalo mesmo.