Diego
Conheci Diego num sábado. Ele é dono do bar em que fui com a minha família, assistir o jogo da Copa e almoçar.
Pouco depois de chegar ao bar, ele sentou com a sua família, em uma mesa privilegiada. Casado, duas filhas pequenas. Ele é casado com a Mariana, médica esteticista e dermatologista.
Diego sempre foi Tijucano, desde que nasceu, no berço de ouro, como os pais falavam. Sua mãe, professora. Seu pai, empresário da construção civil. Estudou Administração na PUC. Fez Economia também, mas não concluiu. Fez um MBA "caríssimo", como fala para os funcionários, na FGV. Lugar que eles jamais conhecerão. "Para vocês, só a Estácio serve".
Trata os funcionários como devem ser tratados. "Não são meus amigos". Ou "Cada um no seu devido lugar".
A gente, comendo, conseguia ver que Diego sequer sabia o nome das garçonetes, ou do barman. "Mas sempre tratei com respeito. Todos somos humanos, não pretos ou brancos".
Nem preciso dizer que Diego é o típico branco, hetero, cis, "bem nascido".
Na televisão, acontecia o jogo da Copa. Após o jogo, um sertanejo universitário na televisão.
E a gente conseguia ver, de longe, os funcionários trabalhando cada vez mais sérios. Cada vez mais tristes. Cada vez mais calados. Todas negras e negros. E "no lugar que é devido", como Diego diz: estão ali para servir os clientes.
A gente - eu e minha família - certamente, não voltaremos a este lugar. (off topic: voltamos há três dias).
A comida, uma delícia. O atendimento, ótimo. Garçonetes muito simpáticas, solícitas. Comidas e bebidas no ponto, delícia.
Mas faltou o básico. Humanidade, respeito. Do dono mesmo.
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