sábado, 27 de fevereiro de 2016

Em observação, no Psicologia e Coaching - 163

Hoje é sábado. São 10:35h.

Estou no consultório Psicologia e Coaching, sentada à mesa.

Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira vazia. Na minha frente, uma cadeira vazia.

Por aqui, luzes acesas e tudo silencioso.

O celular bipa. Whatsapp da Melissa.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. E-mail que chegou.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. E-mail que chegou. 

Volto ao silêncio.

O celular bipa. Whatsapp da Melissa.

Volto ao silêncio.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Si mesma

Antes que vocês pensem, explico: esta é uma história irreal. Não existe. Nenhum destes personagens.

Não é indireta, ou nada do gênero. 
[Apenas tive um sonho e sonhei com essa história e senti vontade de contar a vocês].

Se vocês (se) identificarem (em) algum deles, será apenas uma grande coincidência.

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A pessoa não tem nem o seu nome.
Aquele nome que recebeu ao nascer, ao ser registrada e batizada, não é o seu.
Ela não reconhece-se ali.

Ela cresceu e descobriu que podia ter outro nome, outra cara. 

E, casou e teve filhos.
A aliança também não é a sua. Sim, aquela que usa no dedo.

E aí independeu-se - mesmo após casada - e teve uma casa. Que não é a sua.
Um negócio próprio, que também não é seu.
E o dinheiro no banco, que, pasmem!, não é seu. 

Os cabelos, perderam a originalidade. Ela não se lembra mais quando era quando ela ainda tentava ser ela mesma.
Já mudou. E mudou. E mudou.
Hoje, ela não sabe como está.

O sorriso, plástico, nas fotos, não é o seu.
Tampouco ela não sabe se sorri. Ou se chora.
Ou se se alegra. Ou se se entristece.

Nada é seu. 
Ela, no entanto, acredita que seja.

Não é uma paciente psiquiátrica - você pensaria - que delira achando que tudo é seu, quando, na vida real, não o é.

Ela crê - com fé - que aquilo tudo ali é seu. Por direito.
A casa, a aliança, o cabelo. O negócio. O dinheiro. 

Ela, no entanto, sequer sabe quem é ela mesma.
Seu nome.
Sua identidade.

Aquilo que deveria mais ser a-gente-mesmo ela, sequer, tem consciência do que seja. 

As pessoas da sua vida vão e vem. 
Ela não sabe muito bem quem é quem. As imagens que vê são turvas. 
Se a gente não sabe (ela acha que sabe) quem é a gente mesmo, o que dirá do outro? 

As pessoas vem, ficam, saem, voltam.
Dialogam, interagem. Silenciam. Observam. 
Doam. Se doam.
E ela permanece só. 

Sobretudo, ausente de si mesma.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Em observação, no Psicologia e Coaching - 162

Hoje é sábado. São 16:38h.

Estou no consultório Psicologia e Coaching, sentada à mesa.

Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira vazia. Na minha frente, uma cadeira vazia.

Por aqui, luzes acesas e tudo silencioso.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Em observação, no Psicologia e Coaching - 161

Hoje é sexta feira. São 08:06h.

Estou no consultório Psicologia e Coaching, sentada à mesa.

Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira vazia. Na minha frente, uma cadeira vazia.

Por aqui, luzes acesas e tudo silencioso.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Em observação, no Mc Donalds

Hoje é sábado. São 15:18h.

Estou no Mc Donalds, sentada à mesa.

Ao meu lado direito, um corredor por onde as pessoas passam. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira com minha mochila em cima. Na minha frente, uma cadeira vazia.

Um homem passa ao meu lado direito. É branco, baixo, magro. Veste camiseta cinza, bermuda verde e tênis cinza.

Um funcionário passa ao meu lado direito carregando uma vassoura. Passa novamente. Ele é negro, magro, alto. Veste calça jeans, blusa cinza, listrada.

Um homem passa ao meu lado direito. É branco.

O celular bipa. Whatsapp do André.

Um funcionário passa. Passa novamente ao meu lado direito. É negro.

O celular bipa. Whatsapp do André.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Em observação, no Psicologia e Coaching - 160

Hoje é sexta feira. São 07:47h.

Estou no consultório Psicologia e Coaching, sentada à mesa.

Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira vazia. Na minha frente, uma cadeira vazia.

Por aqui, luzes acesas e tudo silencioso.

O celular bipa. Whatsapp da Fabíola.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. Whatsapp da Fabíola.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. Whatsapp da Fabíola.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. Notificação da agenda.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. E-mail do professor Alexandre.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. E-mail que chegou.

Volto ao silêncio.

O celular toca. É Fátima Cristina.

A paciente chega.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Em observação, no Psicologia e Coaching - 159

Hoje é segunda feira. São 07:41h.

Estou no consultório Psicologia e Coaching, sentada à mesa.

Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira vazia. Na minha frente, uma cadeira vazia.

Por aqui, luzes acesas e tudo silencioso.

O netbook bipa. E-mail que chegou.

Volto ao silêncio.

O netbook bipa. E-mail que chegou.

Volto ao silêncio.