quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Si mesma

Antes que vocês pensem, explico: esta é uma história irreal. Não existe. Nenhum destes personagens.

Não é indireta, ou nada do gênero. 
[Apenas tive um sonho e sonhei com essa história e senti vontade de contar a vocês].

Se vocês (se) identificarem (em) algum deles, será apenas uma grande coincidência.

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A pessoa não tem nem o seu nome.
Aquele nome que recebeu ao nascer, ao ser registrada e batizada, não é o seu.
Ela não reconhece-se ali.

Ela cresceu e descobriu que podia ter outro nome, outra cara. 

E, casou e teve filhos.
A aliança também não é a sua. Sim, aquela que usa no dedo.

E aí independeu-se - mesmo após casada - e teve uma casa. Que não é a sua.
Um negócio próprio, que também não é seu.
E o dinheiro no banco, que, pasmem!, não é seu. 

Os cabelos, perderam a originalidade. Ela não se lembra mais quando era quando ela ainda tentava ser ela mesma.
Já mudou. E mudou. E mudou.
Hoje, ela não sabe como está.

O sorriso, plástico, nas fotos, não é o seu.
Tampouco ela não sabe se sorri. Ou se chora.
Ou se se alegra. Ou se se entristece.

Nada é seu. 
Ela, no entanto, acredita que seja.

Não é uma paciente psiquiátrica - você pensaria - que delira achando que tudo é seu, quando, na vida real, não o é.

Ela crê - com fé - que aquilo tudo ali é seu. Por direito.
A casa, a aliança, o cabelo. O negócio. O dinheiro. 

Ela, no entanto, sequer sabe quem é ela mesma.
Seu nome.
Sua identidade.

Aquilo que deveria mais ser a-gente-mesmo ela, sequer, tem consciência do que seja. 

As pessoas da sua vida vão e vem. 
Ela não sabe muito bem quem é quem. As imagens que vê são turvas. 
Se a gente não sabe (ela acha que sabe) quem é a gente mesmo, o que dirá do outro? 

As pessoas vem, ficam, saem, voltam.
Dialogam, interagem. Silenciam. Observam. 
Doam. Se doam.
E ela permanece só. 

Sobretudo, ausente de si mesma.

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