segunda-feira, 31 de março de 2014

Em observação, no Levitate

Hoje é terça-feira. São 9h26.

Estou na Levitate, na Barra, na recepção.

Ao meu lado direito, parte do sofá onde estou sentada, vazio. Ao meu lado esquerdo, a porta de vidro, que dá acesso ao shopping. Na minha frente, uma outra cadeira, vazia.

A recepção está vazia e silenciosa.

O telefone toca. A recepcionista vem atender.

- Levitate, bom dia. A gente abre às 9h. A duração é de 1h30 e é R$ 150. Isso. Tá bom, tudo bem. Nada, tchau, tchau.

A recepcionista desliga o telefone.

- Você aceita um café, uma água?

- Não, obrigada.

- Nada.

A recepcionista sai.

A recepção volta a ficar vazia e silenciosa.

A recepcionista volta para a recepção e senta no seu local, atrás do balcão. Não consigo vê-la.

Ela espirra. Tosse. Funga três vezes. Espirra. Funga 19 vezes. Digita no computador. Tosse duas vezes. Digita no computador.

Dois rapazes entram na recepção.

- Bom dia.

- Bom dia.

- Bom dia. Eu queria ver um pacote pra minha esposa, que horas vocês funcionam no sábado? Eu posso incluir? Alterar, botar de um, botar pra outro? Tá. Uma outra coisa. Pra eu agendar pro sábado, eu pago na hora, agendo antes...

A Myriam chega.

- Bom dia.

- Bom dia, tudo bem?

- Tá. Eu vou ver com ela então. Tem que agendar, né?

- E pode ser pelo telefone?

- A gente é daqui. E aí aqui, personalizar o pacote é aqui mesmo com vocês, né? Tá bom. Na verdade, quem vai ligar é ela mesma. Bota seu nome. Tá. Tá. Duração maior é 4h30, né? Vai depender da personalização que ela vai fazer, né? Você quer perguntar alguma coisa também?

- Luana? Vamos lá?

- Vamos.

domingo, 30 de março de 2014

Margot

Eu não conheci Margot pessoalmente, apesar de ter a sensação que sim.

Fiquei sabendo dela através da grande amiga, que a fotografou pra mim. E eu, que gosto mais das palavras do que das imagens-impressas-frias-fotografias, fotografo Margot por aqui para que, você, leitor, possa dar a ela, o rosto que quiser.

Vou me travestir da minha amiga - esta, sem nome - e fotografar Margot em primeira pessoa. Este conto, no entanto, foi escrito a quatro mãos. 

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Esta era, ou parecia ser, uma viagem como todas as outras com meu marido. Viajamos por diferentes cidades e países, desconhecidos por mim, até então. 

Alguns hotéis bons, agradáveis, limpos, cheirosos, arejados; outros, péssimos, parecendo motéis, daqueles de mal gosto: colcha roxa, cortina vermelha, com babados; tapete laranja; uns quadros horríveis na parede. O travesseiro, pelo menos, compensava o cenário tragicômico. Os hotéis, portanto, eram locais para dormir, nada mais. Ficar acordada, de preguiça, na cama, dava depressão.

Gostava de sair, então, à rua. Ir à feira e testar o meu francês. Ver paisagens, e flores, e vales, e céus ainda não vistos. E, agora, ver - e fotografar - gente. 

Foi num desses passeios pela França, em Reims, que conheci Margot. Uma - não muito - bela senhora, de 78 anos. Morava sozinha na rua da feira. Antoine, seu marido, morrera há quinze anos atrás, deixando "essa puta velha" sozinha, como ela se referia à sua pessoa.

Margot tinha duas filhas - Francesca, de 45 anos; Anne Marie, de 50. E três netos: Clarice, de 13 anos, filha de Francesca; Julie, de 17,  e Jean Paul, de 20, filhos de Marie.

Raramente, seus cinco vinham visitar a avó, o que a obrigava, apesar da idade, a se virar sozinha. 

Margot gostaria de falar da família com orgulho; mas não. Eles todos - filhas e netos - vinham vê-la uma vez por mês (quando vinham) e não ficavam sequer 10 minutos. "Ingratos!", diria ela.

A velha senhora percebia, na pele, a ausência de contato, a solidão da velhice. Após a morte de Antoine, Margot ficou só. 

Adoecer era, sempre, a sua maior preocupação. Orgulhosa que só, não pedia ajuda - nem à vizinha Joana, aquela espanhola tagarela. Se ela adoecesse ou morresse, portanto, a família só saberia quando o corpo - ou "a defunta", como ela diria - começasse a feder. 

Margot não era uma senhora espiritual, nem religiosa. Não acreditava em vida após a morte, ou em Deus. Rezava suas rezas [quase] mecanicamente. Seu corpo em putrefação, em casa, protagonizando a solidão de uma vida, a causava calafrios. 

Um corpo morto sobre a cama. Horas. Dias. Ninguém sentindo falta. Quanto tempo passaria? Quem veria a velha - e seu corpo - primeiro?

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Era um sábado nublado. Eu estava, de longe, com meu marido, olhando a feira livre quando vi Margot saindo de casa, com uma sacola que parecia lixo.

Margot - talvez pela vasta idade - era uma senhora lenta. Tristemente lenta. E curvada. Não corcunda; curvada. Pelas dores dela e da vida. Pela solidão.

Margot não olhava para os lados, para as pessoas, para o belo cenário à sua frente. Carregava, apenas, sua sacola de lixo. Seu lixo.

Cheguei, discretamente, um pouco mais perto e vi Margot murmurando alguma coisa,  absorta em seus pensamentos, enquanto jogava o seu lixo num daqueles latões de alumínio. 

Séria e carrancuda, Margot embrenhava-se na feira - tão colorida e perfumada - para comprar legumes pro seu almoço. 

A feira, apesar de feliz, não contagiava a velha só. Ela parecia ir às compras. 

Margot - em preto-e-branco - perdeu-se no meio do colorido perfumado da feira.

Só pude perceber que levava, no braço magro, sua sacola de pano, vazia e sozinha, que balançava no vento frio da manhã francesa. 

sexta-feira, 28 de março de 2014

Em observação, no Ale Coiffeur

Hoje é sábado, são 10h10.

Estou no salão Ale Coiffeur, em Copacabana, sentada na cadeira, esperando a Ana, manicure.

Ao meu lado direito, uma cadeira vazia; ao meu lado esquerdo, outra cadeira vazia. Na minha frente, a cadeira da Ana, vazia.

Por aqui, barulho das pessoas conversando e do secador de cabelo do Tony.

A Ana passa na minha frente. Caio passa na minha frente.

Damiana passa na minha frente. Lídia passa na minha frente.

(...)

Agora são 10h47.  Estou no mesmo local.

A Ana, na minha frente, faz a minha unha do meu pé, em silêncio.

Ao meu lado esquerdo, uma cadeira vazia. Ao meu lado direito, uma senhora está sentada. É branca, baixa, magra. Veste bermuda jeans, blusa rosa, chinelo preto. Tem o cabelo liso, curto, castanho escuro. Pinta a unha da mão, de vermelho.

- Não, obrigada.

Ela levanta-se.

- É.

Ela levanta e senta novamente. Atende o celular.

- Oi. Tudo bom. É. Ah... Então tá. Tá bom. Tá. Obrigada. Dá um beijo nela aí. Tchau.

Ela desliga o celular. Levanta-se e sai.

Agora, ninguém ao meu lado direito e nem ao meu lado esquerdo.

- Fátima, essa boleta aqui é sua, dona Fátima? Essa boleta aqui é sua? Venha. Peraí que a gente vai dar uma ligadinha pra ela. Ai, meu Deus... Vê se a Patrícia não tá marcada aí, Fatima? É isso mesmo. Ai, Luluca Luca Luca Luca. Pega o buquê hoje, amiga, quero ir no seu casamento, hein? Tchau, sogrinha. Márcia, dá uma ligada pra Eliane vir aí falar com a Nádia. Ah... 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Em observação, no consultório (Centro) - 12

Hoje é quinta-feira. São 8h24.

Estou no consultório do Centro, sentada na poltrona, na sala de atendimento, esperando a paciente de 9h.

Por aqui, porta e janela fechadas e luzes acesas. Tudo silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Em observação, no consultório (Copacabana) - 13

Hoje é quinta-feira. São 07h43.

Estou no consultório de Copacabana, sentada, na sala de atendimento.

Por aqui, luzes acesas, portas e janelas fechadas, e ar condicionado ligado.

Tudo silencioso, apenas com o barulho do ar ligado.

O celular bipa. Whatsapp da Lorena.

Volto para o silêncio, apenas com o barulho do ar ligado.

O celular bipa. Whatsapp da Lorena.

Volto para o silêncio, apenas com o barulho do ar ligado.

O celular bipa. Whatsapp da Lorena.

Volto para o silêncio, apenas com o barulho do ar ligado.


terça-feira, 18 de março de 2014

Em observação, no Espaço da Mulher - 3

Hoje é quarta-feira. São 16h53.

Estou no Espaço da Mulher, no Leblon. Está acontecendo o curso de auto-maquiagem e as mulheres estão sentadas, todas, no fundo da sala, conversando e assistindo aula.

Estou em silêncio, trabalhando.

Estou na minha mesa, na entrada do Espaço. Ninguém aos meus lados, nem na minha frente.

- Ó, Luana, tão aqui perguntando porque você não quis se maquiar.

- Porque eu tou aqui trabalhando...

Volto a ficar em silêncio, trabalhando.

domingo, 16 de março de 2014

Em observação, na Cinelândia

Hoje é segunda-feira. São 10h28.

Estou sentada num banco na Praça Cinelândia, esperando André e Marco.

Ninguém ao meu lado direito nem ao meu lado esquerdo.

As pessoas devem me achar meio doida, de estar com o notebook aberto, no meio de uma praça pública, no RJ. 

O dia está ensolarado e barulhento. As pessoas passam por todos os lados do banco onde estou sentada.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Em observação, no Banco do Brasil

Hoje é sexta-feira. São 13h17.

Estou no Banco do Brasil, dentro do Fórum, aguardando o atendimento.

Ao meu lado direito, um pequeno corredor. Na minha frente, os caixas. Ao meu lado esquerdo, meu tio Nilson. Ele é branco, alto, magro, grisalho e barbado. Veste um sapato marrom, calça bege, blusa laranja. Ele tem blusa laranja.

- Porra, até 100 mil reais recebe aqui. Porra... Não quero te dizer nada não, mas tá no 22 ainda, no mesmo número que a gente entrou.

Ele está sentado, com a mochila sobre o colo e a mão na boca.

- Imagina o pessoal que trabalha nisso o dia inteiro? Vendo número e resolvendo pepino?

Uma senhora passa na minha frente. É alta, branca, loira, cabelo comprido, liso, preso num meio-rabo-de-cavalo. Veste saia preta, blusa estampada, bolsa preta e sapato preto.

- Voce soube do cara que foi de saia trabalhar? Que homem não pode bermuda. Agora pode, né? A Luciana me falou, que agora foi pra recurso, né? Ela falou que as vezes é melhor, porque os outros podem entender que a juíza ainda não autorizou e nem pediu para ouvir prova... como se ela tivesse... Ela falhou de alguma maneira.

Meu tio olha pra trás.

- 23. Bonita a cor do negócio da moça, coral, né? Com a pele dela, fica bonita. Tá me dando fome. Aqui é 12h já. Mais, né? Ih, ó. Não pode usar celular aqui. Nossa, aqui tá no numero 9 ainda. Tóim. Ah, essa senha é cumulativa, desde o início do ano. Porque não tem 700 pessoas, né?

Meu tio abre a mochila, boceja, pega o celular.

- O cara tá até dormindo ali. Quando você me ligou, que eu te liguei, você tava falando baixinho. Ah, falar nisso, você vai fazer aquele negócio lá das novelas? Eu vou fazer. E o Ivo gostou de mim, da leitura que eu fiz. E no CCBB. E vai que pinta um trabalho, em função disso? É. 24.

Meu tio olha pra trás. Guarda o celular. Olha para os lados.

- O nosso colega já entrou. Ele é divertido, legal mesmo. Fala pra moça que não pode usar celular aqui. Vou ter que usar do meu direito? 60.634 reais. Gente, lá é demorado também.

Meu tio olha pra trás.

- Eu não vejo sair ninguém. Daqui a pouco isso aqui vai estar igual a boate Kiss.

Meu tio coça a orelha. Olha para trás. Se levanta. Senta. Ajeita a mochila sobre o colo.

- Você bem que chutou quase certo, né? Umas 50 pessoas na nossa frente. Você viu a megasena acumulada? Pagou 115 mil. Um dia antes eu fui pegar um livro, pra ler, e eu fui pegar e tinha esse papel aqui. Eu não sou nada surpesticioso, mas eu fui jogar. Ah, é pra eu jogar. Eu joguei, mas não deu nada. Ela escolheu os dela, e ai eu joguei. E eu repeti e não deu nada. O cara que ganhou sozinho, 700 mil reais por mês só de rendimentos. Não é muito dinheiro? Não sei nem o que fazer com isso. 26. Cadê o papeliquinho amarelo, gente? Isso aqui que a gente vai pitar ele. E o André(*) contando piada? A gente ri tanto. E ele não sabe contar. E ele dizendo que tinha um fazendeiro, muito rico, e ele começou a observar que os bichos estavam sumindo. E ai ele avisou ao caseiro. Eu vou ficar aqui. E aí ele fingiu que ia dormir, e começou a escutar barulho e levantou, e acendeu a luz, e viu um caseiro com um porco aqui do lado. Ah, agora que eu tou sabendo, você que tá me roubando? Eu? Eu não. Ah, muito bobo. Não viu um porco. Bicho? Ah, que atende também os aposentados. Tem senha especial.

Um senhor passa na minha frente.

- Você podia vir com figurino de velho. Roupão e chinelo. Eu tenho que pagar minha dentadura.

Um senhor passa na minha frente. É negro, alto, magro, cabelo preto, raspado.

Uma senhora passa na minha frente.

- O cara vai rir. Cadê ele? O cabelo dele é pintado. Aquele altão, que tá lá fora? O cabelo dele é pintado. Eu não tou achando a moça. Pior que a moça paga assim: toma o seu? Agora toma o seu. Não, né? A gente assina.

Um casal passa na minha frente. Ele é branco, alto, gordo, cabelo branco. Ela é negra, baixa, magra, cabelo curto, preso.

Meu tio olha para trás. Mexe no cabelo.

Um senhor passa na minha frente.

- Será que quando eles pagam, é aqui que eu venho pegar? Vai ter que vir comigo. Ai, podia sair logo isso, né? O rapaz não entrou não. Tá aquela senhora gorda, ali, mas ele não tá. 27.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, alta, magra, cabelo curto, castanho claro.

- Falta 18 pro nosso. Não, 28.

Dois senhores passam na minha frente.

Duas senhoras passam na minha frente. Uma delas é branca, alta, magra, cabelo liso, castanho. Veste calça bege, blusa cinza, sapatilha bege. A outra é mulata, magra, baixa, cabelo castanho, curto, preso num rabo de cavalo. Veste vestido estampado, blusa preta e sapatilha preta.

Uma senhora passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É mulata, alta, magra, cabelo preto, curto, preso.

- O senhor, ali, 766. Acho que ele é especial. Será que esse pessoal ali é advogado?

Uma senhora passa na minha frente.

Meu tio olha para trás. Mexe na barba.

- É engraçado. Pela própria lei, ninguém pode ficar mais de 20 minutos na fila. E aqui é dentro do Forum, e não tem nenhum juiz que vê isso? Eu tenho que processar quem? O Forum? Só que o Juiz não sabe que isso acontece? Um pais bem... Dá pra acreditar nesse país? Só tem dois caixas lá.

Meu tio coça a barba. Está sentado, curvado para a frente.

Um casal passa na minha frente. Ela é alta, magra, branca, cabelo liso, castanho escuro. Veste vestido azul, blazer bege, sapato preto. Ele é branco, alto, magro, cabelo castanho. Veste calça jeans, blusa polo marrom e tênis preto.

Um senhor passa na minha frente.

Meu tio troca de poltrona e coloco a mochila onde ele estava sentado.

Um senhor passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É negra, baixa, magra, usa óculos e tem o cabelo preto, liso, comprido.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, baixa, meio gordinha, tem o cabelo castanho, comprido, ondulado. Veste um vestido estampado e um jaleco branco. Carrega alguns sanduiches naturais, na mão esquerda.

Um senhor passa na minha frente. É branco, magro, alto, cabelo branco.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, alta, magra.

Um senhor passa na minha frente. É mulato, alto, magro, cabeça raspada. Veste calça jeans, blusa polo rosa, tênis cinza.

Um senhor passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, alta, magra, cabelo comprido, liso, castanho.

Um senhor passa na minha frente. É branco, alto, magro, usa óculos, e é calvo.

Uma senhora passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É alta, magra, branca, cabelo liso, comprido, preso em rabo de cavalo. Veste calça jeans, blusa social xadrez, sapatilha bege.

Um senhor passa na minha frente. É branco, alto, magro, cabelo castanho claro. Veste calça social cinza, sapato preto, blusa social branca e mochila preta, nas costas.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, alta, magra, tem o cabelo castanho claro, preso num rabo de cavalo e usa óculos.

Uma senhora passa na minha frente. É negra, baixa, magra, tem o cabelo preto, liso, comprido, e usa óculos.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, alta, magra, cabelo preto, ondulado, comprido. Veste calça jeans.

Meu tio passa na minha frente, ajeitando a blusa. Passa novamente na minha frente e senta ao meu lado esquerdo.

- Será que aquela senhora quer sentar aqui? Não sei, tem lugar ali atrás. Ganhou de aniversário? Ah, é. Bonitona. Ah, é igual a minha. Aqui, aqui. O lugar pra garrafa... Muito bom, parabéns. Muito gentil.

Meu tio olha pra trás.

- 37.

Um senhor passa na minha frente. É branco, alto, magro, cabelo branco, encaracolado e usa óculos. Veste uma calça jeans, blusa polo cinza, tênis branco, e carrega um envelope branco, na mão direita.

- Tem internet aqui?

Meu tio ri. Olha para o que estou escrevendo. Ri novamente.

Um senhor passa ao meu lado direito. É branco, alto, magro, cabelo preto, curto. Veste calça social bege, blusa social azul, sapato social marrom. Tem a barba por fazer.

Meu tio está lendo o que escrevo.

- Aquilo não é azul. É tipo rosinha. Violeta. Procura algum azul por perto e olha pra ele. Não é.

Meu tio olha pra trás. Olha pra frente, mexe na blusa. Mexe no cabelo. Olha pra trás.

- 40.

Segura as duas mochilas. Olha para mim.

- Ontem eu fui com a Carla assistir uma peça. Do Mário, amigo dela, que é ator. Caro pra caramba. Não o ingresso, que a gente foi de graça. 

Uma senhora passa na minha frente. É mulata, baixa, magra, tem o cabelo curto, liso. Veste um vestido estampado e jaleco branco.

- Não avisaram alguma coisa e vai ter que voltar. O funcionário não falou. 42.

Meu tio olha pra trás e olha pra frente novamente. Olha para o que estou escrevendo.

Uma senhora passa na minha frente. É mulata, alta, magra, alta. Tem o cabelo curto, liso. Veste uma calça preta, blusa verde, bolsa verde, sandália marrom.

Uma senhora passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. Ele é alto, branco, cabelo castanho. Veste calça jeans preta, blusa polo marrom e careca um bolso.

- Como que a pessoa chega aqui, pega a senha e vai embora? Olha, 44 não tá aí. 285 não tá aí. Eu faço californiana... Olha lá o cara escrevendo, segurando o lápis na ponta do dedo. Dá pra ver daí? Estranho.

Meu tio lê o que estou escrevendo. Olha para trás. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Juliana e Nelson

- Oi amor, acho que achei seu presente.
- É mesmo? Que legal. Na internet?
- Sim.
- Mas olha... não se preocupa... Meu presente é...
- Não é preocupação. É amor.
- Eu sei, eu também te...
- ... É lindo! Preto!
- Um tênis?
- Tênis? Pode ser...

Quinze dias depois.

- Pronto, amor, presente decidido.
- Ué, já não tinha decidido?
- Tinha, mas são muitas opções, né?
- Ah, sei, entendi.
- E aí?
- Pago amanhã.

Dia seguinte:

- Amor, paguei o presente!
- Caraca.
- No boleto.
- Maneiro.
- Chega em cinco dias úteis.
- Rápido, né?
- Cinco dias? Rápido? Úteis, ainda por cima? Marromeno, né?
(Nelson ri).
- É, mas o aniversário é final do mês. Hoje é dia oito. Dia oito.
- Pois é. Mas vai que o presente não chega? Tipo Natal? Lembra?
- Lembro. Mas tudo bem... Vai chegar sim...

No mesmo dia do pagamento do boleto, na hora do almoço. E-mail:

"Oi, boa tarde. Fiz o pagamento do boleto referente à mercadoria de código tal. Aguardo o envio do meu pedido. Grata".

No mesmo dia do envio do e-mail, três horas depois:

"Prezada sra. Juliana. Pagamento registrado. Sua encomenda será postada hoje ainda, sexta-feira. Aguarde o envio do código postal para rastrear seu pedido".

Na segunda-feira:

"Prezada sra. Juliana, o código do seu pedido é tal. Obrigada pela compra!"

- Amor?
- Oi.
- Atrapalho?
- Nunca.
- O site me respondeu. Seu presente já está no correio. 
- Caramba!
- O que?
- Rápido, né?
- Não é?
- Uhum.
- Era isso. Tchau.
- Grossa... Beijo.
- Beijo.

Na quarta-feira, em casa:

- Juliana, chegou uma caixa aí pra você. Tá lá no teu quarto.
- Caixa?
- É, caixa. Vê lá.
- Amor?
- Oi? Já chegou em casa? Foi tudo...
- Tenho uma surpresa!
- Surpresa?
- É! Surpresa!
- É pra eu adivin...
- ... Seu presente já chegou!
- Sério?
- Uhum!
- Rápido, né?
- Mega.
- E agora?
- A gente só vai se ver sexta, né?
- Não. Eu dou um jeito da gente se ver amanhã.
- Amanhã é dia de consultório, né?
- É, mas eu me viro.
- Tá bom. Vai almoçar?
- Correndo. Só vou ter intervalo de 14h30 às 16h.
- Te espero.
- São 20h, caramba.
- E...?
- Só vou te ver amanhã, às 14h30?
- Pois é, amor. Faz assim, vai embrulhando o presente... Chegou direitinho?
- Uhum.
- É grande?
- Um pouco.
- Pesado?
- 500 gramas.
- Você pesou o presente?
- Estou estimando. 436 gramas.

(Nelson ri).

- Que cor?
- Preto.
- Preto? Maneiro. Ó, vou jantar. A gente se fala, tá?
- Tá. Tchau.
- Grossa...

Trinta minutos depois:

- Amor? Tudo bem?
- Tudo. 
- Comeu, já?
- Comi. E o presente?
- Embrulhado!
- Sério?
- Sério.
- Quem embrulhou?
- Juliana!

(Ela se refere a ela na terceira pessoa...)

- Jura? Que linda...
- Ficou uma bosta. Não sei fazer isso direito.
- Ficou nada. Amo o amor que tem por...
- ... até tirei uma foto da caixa. Vou te mandar pelo whatsapp.
- Nossa, papel de Papai Noel?
- Era o que tinha em casa, né, Nelson?
- Tá bom. Tou reclamando não. Tou achando fofo. E é uma caixa de sapatos. Parece, né?
- Uhum. (Merda!) Chego em trinta, tá?
- Tá vindo?
- Queria. Mas tou morta. Não aguentaria ir. Mas, nossa... esperar até amanhã vai ser dose.
- Tou ansioso também.
- Tá?
- Tô.
- Que merda.
- Mas é bom, né?
- Bom?
- A ansiedade, né? Gostoso.
- Ai, gosto não.
- Juliana, olha só... posso te contar um segredo?
- É uma surpresa também, Nelson?
- Não. É segredo.
- Conta, conta o segredo! Adoro segredos!
- Um filho... demora nove meses, tá? Nove. Meses. Um mês tem trinta dias, tá?
- Fudeu.

Em observação, no escritório do pai - 15

Hoje é quinta-feira. São 14h10.

Estou no escritório do pai, sentada à mesa, em frente à mesa de reuniões.

Ao meu lado esquerdo, ninguém. Ao meu lado direito (meio na minha frente), uma candidata faz a redação. O nome dela é Carla(*).

Carla(*) é mulata, magra, tem o cabelo castanho, liso, preso num rabo de cavalo. Veste uma regata branca e está debruçada, sobre a mesa, escrevendo a redação. Tem as unhas pintadas de vermelho, um anel e pulseira dourados, um cordão dourado, e um brinco dourado. Está debruçada, sobre a mesa, escrevendo a redação. Coça o ombro. Volta a escrever a redação. Ajeita a bolsa sobre seu colo. Volta a escrever a redação.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Em observação, no Fórum

Hoje é sexta-feira. São 12h24.

Estou no Fórum, no segundo andar, sentada em uma cadeira, na fila para o Banco do Brasil.

Ao meu lado esquerdo, vazio. Ao meu lado direito, um senhor. É negro, alto, magro, careca. Veste calça preta e blusa social branca e cinza, listrada. Mexe no celular.

Na minha frente, as pessoas passam para a direita e para a esquerda.

Um senhor passa na minha frente. É branco, baixo.

Uma senhora passa na minha frente. É negra.

Uma senhora passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

O senhor ao meu lado coça a careca. E continua mexendo no celular.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, magra, baixa, loira.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, magra.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, magra.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. É mulato, gordo, alto, careca. Veste calça jeans e blusa polo listrada.

Duas senhoras e um senhor passam na minha frente.

Um casal passa na minha frente.

Três senhores passam na minha frente.

Duas senhoras passam na minha frente.

- Ele falando do pré-conceito, né?

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. É mulato, magro, alto, grisalho.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Uma senhora e um senhor passam na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

O senhor ao meu lado curva-se na cadeira e mexe em alguns papéis.

Dois senhores passam na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. É gordo, alto, mulato, cabelo preto.

O senhor ao meu lado apóia a cabeça na mão.

Um senhor passa na minha frente, carregando um carrinho.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. É branco, alto, grisalho, calvo. Veste calça jeans e blusa social azul.

O senhor ao meu lado coça a testa, e continua lendo os seus papéis.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. É mulato, alto, magro, cabelo raspado.

Um senhor passa na minha frente. É mulato, gordo, baixo.

Duas senhoras passam na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, alta, magra.

Troco de lugar.

Um senhor passa na minha frente. É baixo, magro.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, alta, magra, cabelo comprido, castanho, liso.

Uma senhora passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É alta, mulata, magra.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Duas senhoras passam na minha frente.

Duas senhoras e uma criança passam na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Três senhores passam na minha frente.

Dois senhores passam na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

O senhor ao meu lado, agora, mexe no celular, no whatsapp.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente, carregando um carrinho.

Um senhor e duas senhoras passam na minha frente.

Duas senhoras passam na minha frente, em sentidos opostos.

Uma senhora e uma criança passam na minha frente.

- No final lá.

Uma senhora e um senhor e outro senhor passam na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, baixa, magra. Tem o cabelo curto, castanho.

Uma senhora com uma criança passam na minha frente.

Três senhores e uma senhora passam na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente, falando ao celular.

Troquei de lugar. O mesmo senhor ao meu lado direito. Agora, meu tio do meu lado esquerdo. Ele é alto, magro, grisalho e barbado. Tem uma calça bege, uma camisa laranja e sapato marrom. Uma bolsa preta no seu colo.

Uma senhora passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

- Quero um café. Ou Velasques. É que você tá no Fórum, né?

O senhor a minha direita toma um Guaravita e come um sanduíche. Os papéis sobre seu colo.

Nilson, meu tio, toma café.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. É branco, alto, magro, calvo.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, alta, magra.

- Na passarela, Miss Cotia. A Miss Cotia ali. Vai querer seduzir o juiz mesmo. Gente, parece uma cotia.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

- A Miss Cotia.

Um senhor passa na minha frente.

- Aí... é... e é comédia de l’arte. E não tem texto. É um roteiro. Nesta cena acontece isto. Porque tem os... as características de cada tipo do personagem. E aí... e cada um deles tem uma linguagem corporal diferente, e cada um é movido por alguma coisa. O velho é a avareza. O namorado é a paixão. E o arlequim é a fome. E o capitão é a coragem. E o doutor é o conhecimento, mas ele não sabe nada. É capaz de ficar 2h dando a receita do molho a bolonhesa. E é legal que você tem como pirar. E é legal que a gente experimentou cada um a fazer estes tipos de personagem. E a gente ensaia amanhã. E semana que vem ensaia quinta e sábado. E dia 26 de março a gente apresenta na FioCruz o resultado, pra já mostrar o resultado. Olha a roupa da mulher. Olha a roupa. O que que leva uma pessoa a fazer? É aquela coisa da auto-imagem? Eu tenho que pensar sobre isso a meu respeito. Eu não sei que imagem eu tenho a mim mesma, a my self. Homem bravo.

O senhor ao meu lado mexe nos papéis.

Um senhor passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

- Onde é que tem lixo aqui?

Meu tio levanta e sai.

Dois senhores passam na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. É alto, negro, meio gordo.

Meu tio retorna e senta ao meu lado esquerdo. Cruza as pernas e coloca a mochila sobre o colo. Sorri para mim.

Uma senhora passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, gorda, baixa.

Quatro senhores passam na minha frente.

- Olha o gnomo que bonitinho. Não é um gnominho? A lá, é um gnomo.

Um senhor passa na minha frente.

- Então, ai eu fico assim, falando um monte de besteira. E a Teresa fica dando um monte de risada. E a enfermeira fala que a gente é a dupla mais legal da quimioterapia. Ah, fica um monte de gente que parece que tá no corredor da morte.

Uma senhora passa na minha frente. É negra, alta, gorda.

- Aí a enfermeira vem, a gente fica dando risada. Moço, você tem certeza que tá pondo certo aí?

Um senhor passa na minha frente. Carrega uma mochila na mão esquerda.

Dois senhores e uma senhora e um casal passam na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, alta, magra.

Um casal e um senhor passam na minha frente.

Dois senhores passam na minha frente.

- Aí eu tava falando. De... De... afrodisíaco. Aí eu invento aquelas coisas de a origem da palavra. Porque é afrodisíaco. Porque vem da Africa, africafrodisiaco. Porque, na África. Já viu algum africano reclamar de impotência?

Meu tio e eu rimos muito.

Um senhor passa na minha frente.

- É uma mistura, na verdade, de africano com Dionísio. E aí virou afrodisíaco. E Dionísio é um culto, né? Os bacantes, que são os bacanais, as festas em homenagem a Dionísio.

Trocamos de lugar.

O senhor ao meu lado direito levantou e sentou novamente.

Meu tio, do lado esquerdo.

- Né. Aqui eles dão o papelequinho amarelo, se não pegar...

Meu tio ri.

Um senhor passa na minha frente.

- Olha o dedinho dele. Parece o do ET. Olha, ela anda direitinho, viu? Não fica toc-toc. Olha lá o dedinho do ET. Agora. Moço, ergue mais.

Uma senhora passa na minha frente.

- Ah, acabou. A lá. Na ponta dele, aqui, na ponta. Moço, passa pra lá pra ela ter o que escrever? De mim?

Meu tio ri.

Um casal passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

Duas senhoras passam na minha frente.

- Ela passou?

Um senhor passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É negra, baixa.

Uma senhora passa na minha frente. É loira.

- Não entendi. Mútua, ó.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

- Ah, eu já sei. É que se você passar para lá, você paga mútua.

Uma senhora passa na minha frente, carregando um carrinho.

Uma senhora passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

- Voce já viu no youtube? Sanduiche iche.

Um senhor passa na minha frente. É branco, alto.

Um senhor passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É magra, branca, alta.

Uma senhora passa na minha frente. É baixa, magra.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente, falando ao celular.

Duas senhoras e dois senhores passam na minha frente.

Meu tio ri.

- Pior que é mesmo.

Um senhor passa na minha frente, falando ao celular.

Uma senhora passa na minha frente. É mulata, alta, magra.

Uma senhora passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. É branco, alto, magro, careca.

Um senhor passa na minha frente. É branco, alto, gordo, calvo. Veste terno e gravata.

- Bem xangozão o homem.

Uma senhora passa na minha frente.

Duas senhoras passam na minha frente.

Duas senhoras passam na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

- Cade ela? Ela é juíza. Vai ver que é. Porque é inflexível. Ela é assim, ó.

Um senhor passa na minha frente. É branco, alto, cabeça branca.

O senhor ao meu lado direito olha para trás.

Uma senhora passa na minha frente.

- O marceneiro fala pra ela que é colega de profissão. Ele também bate o martelo. Dona juíza, eu também sou seu colega de profissão.

Troquei de lugar.

O mesmo senhor ao meu lado direito e meu tio ao meu lado esquerdo.

Uma senhora passa na minha frente.

- O homem da puta que pariu.

Meu tio mexe no cabelo.

Um senhor passa na minha frente.

O senhor ao meu lado direito com as pernas esticadas a frente, segurando o celular LG e os papeis, permanece imóvel.

Um senhor e uma senhora passam na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Meu tio ri.

Duas senhoras passam na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

Sete senhoras e um senhor passam na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, alta.

Um senhor passa na minha frente. É branco, alto, magro.

Um senhor passa na minha frente.

- Sabia que o whatsapp funciona sem ter chip? Só com o numero de telefone. Ó, que bonitinho.

Um casal e um menino passam na minha frente.

Dois senhores passam na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

- Ó, vai andar de novo.

Troquei de lugar.

- E o André, tá bem?

O senhor, a minha direita, mexe no celular. Está no facebook. Desliga o celular e olha para as pessoas.

Um senhor passa na minha frente.

Duas senhoras passam na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

Duas senhoras e três senhores passam na minha frente.

Dois senhores passam na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, baixa, magra, cabelo comprido, castanho, ondulado.

Um senhor passa na minha frente. É mulato, magro.

Uma senhora passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. É branco.

Dois senhores passam na minha frente.

Dois senhores e uma senhora passam na minha frente.

Dois senhores passam na minha frente.

O senhor a minha direita mexe no nariz três vezes. Tem os braços cruzados sobre o colo. E coça o nariz mais duas vezes. Ajeita-se na cadeira.

Um senhor passa na minha frente. É mulato, alto, gordo.

Um senhor passa na minha frente, falando ao celular.

Um senhor passa na minha frente.

Duas senhoras e dois senhores passam na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

O senhor ao meu lado direito coça o nariz mais duas vezes.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. É branco, alto, cabeça branca.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, alta, magra.

Um senhor passa na minha frente.

Dois senhores passam na minha frente.

Um casal passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente.

Dois senhores passam na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É mulata, magra, baixa.

Duas senhoras passam na minha frente.

Três senhores e uma senhora passam na minha frente.

Dois senhores passam na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Uma senhora passa na minha frente. É magra, alta, branca, loira, cabelo liso, curto. Usa óculos.

Uma senhora passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

Dois senhores passam na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. É branco, alto, magro, cabelo castanho.

Um senhor passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente. É branco, alto, magro. Veste jeans e blusa social.

Uma senhora passa na minha frente. É branca, alta, magra, cabelo comprido, liso, castanho.

Uma senhora passa na minha frente.

Duas senhoras passam na minha frente.

- Ó, vai mais cinco. Olha o olá.