sexta-feira, 28 de março de 2014

Em observação, no Ale Coiffeur

Hoje é sábado, são 10h10.

Estou no salão Ale Coiffeur, em Copacabana, sentada na cadeira, esperando a Ana, manicure.

Ao meu lado direito, uma cadeira vazia; ao meu lado esquerdo, outra cadeira vazia. Na minha frente, a cadeira da Ana, vazia.

Por aqui, barulho das pessoas conversando e do secador de cabelo do Tony.

A Ana passa na minha frente. Caio passa na minha frente.

Damiana passa na minha frente. Lídia passa na minha frente.

(...)

Agora são 10h47.  Estou no mesmo local.

A Ana, na minha frente, faz a minha unha do meu pé, em silêncio.

Ao meu lado esquerdo, uma cadeira vazia. Ao meu lado direito, uma senhora está sentada. É branca, baixa, magra. Veste bermuda jeans, blusa rosa, chinelo preto. Tem o cabelo liso, curto, castanho escuro. Pinta a unha da mão, de vermelho.

- Não, obrigada.

Ela levanta-se.

- É.

Ela levanta e senta novamente. Atende o celular.

- Oi. Tudo bom. É. Ah... Então tá. Tá bom. Tá. Obrigada. Dá um beijo nela aí. Tchau.

Ela desliga o celular. Levanta-se e sai.

Agora, ninguém ao meu lado direito e nem ao meu lado esquerdo.

- Fátima, essa boleta aqui é sua, dona Fátima? Essa boleta aqui é sua? Venha. Peraí que a gente vai dar uma ligadinha pra ela. Ai, meu Deus... Vê se a Patrícia não tá marcada aí, Fatima? É isso mesmo. Ai, Luluca Luca Luca Luca. Pega o buquê hoje, amiga, quero ir no seu casamento, hein? Tchau, sogrinha. Márcia, dá uma ligada pra Eliane vir aí falar com a Nádia. Ah... 

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