quinta-feira, 31 de julho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 14

Hoje é sexta-feira. São 11h36

Estou no consultório “Psicologia e Coaching”, sentada à minha mesa.

Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um móvel, com um livro em cima.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Em observação, no Espaço da Mulher - 10

Hoje é quinta-feira. São 8h20.

Estou no Espaço da Mulher, no plantão, sentada em uma mesa.

Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira com minha mochila em cima. Ao meu lado direito, outra mesa com cadeiras, vazias.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

O celular bipa. Email que chegou.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. Alarme da agenda.

Volto ao silêncio.

Zezé bate aqui na porta.

- Oi. Tudo bem... É menina... Caramba... Pois é... Tá bom. Então tá. Um beijo.

Ela sai. Eu volto ao silêncio. Zezé bate de novo.

- Hoje até 12h. Vou atender de 11h às 12h. Isso, é a filha dela que eu vou atender. Sei... É, depende do caso. Quer levar cartão? Leva os cartões. Isso. Aqui cobro entre R$ 20 e R$ 30. Até R$ 40. No meu consultório, é R$ 100, mas aqui até R$ 40. É... Claro. Leva os cartões, se você souber de alguém. Sim... Tá ótimo. Beijo, vai com Deus.

Ela sai. Eu volto ao silêncio.

O celular bipa. E-mail de candidata.

Volto ao silêncio.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Em observação, na clínica - 3

Hoje é quarta-feira. São 14h47.

Estou na recepção do consultório do doutor Dejair, em Ipanema. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira vazia. Na minha frente, um vão por onde as pessoas passam. Ao meu lado direito, a recepcionista. Ela é branca, um pouco gordinha, cabelo grisalho, branco, e usa óculos. Veste uma blusa estampada, sem manga. Não consigo vê-la por inteiro, por conta do balcão, que é alto.

- Tenho horário às nove e meia. Tá. Qual o seu telefone de contato? É Vivo, né? É Vivo? Caso o senhor não possa vir, o senhor ligue. Sim. Sim. Tá. Caso o senhor não possa vir, eu peço que o senhor ligue aqui desmarcando, até oito e meia. Tá bem.

A recepcionista desliga o telefone. O telefone toca.

- Consultório, boa tarde. Tá bom. Tá anotado. Caso o senhor não possa vir, por favor, nos dê o retorno logo cedo. Tá bom. Tá ok. Nada...

Ela desliga o telefone. Ela levanta-se da cadeira. Vejo que veste uma calça preta e uma sapatilha preta. Vai ao balcão na frente da sua mesa. Fica de pé, na mesa atrás da recepção, abre uma gaveta e mexe em umas fichas. Fecha a gaveta.

- Ai, nossa.

Senta-se na sua cadeira. Come alguma coisa. Lê uma ficha. Folheia uma agenda, na mesa. Escreve algo. Bate com a agenda na mesa. Coloca a agenda no balcão. Abre uma gaveta. Lê alguma coisa sobre a mesa. Pega algumas fichas sobre a mesa. Folheia a agenda. Levanta-se, pega o telefone e liga para alguém. Ri. Senta-se novamente. Pega a agenda no balcão. Coça o nariz. Levanta-se, coloca o telefone no gancho. Senta. Escreve alguma coisa. Abre uma gaveta. Pega umas fitas. Ajeita-se na cadeira. Abre a gaveta. Pega umas fichas. Ajeita-se na cadeira. Escreve alguma coisa. Ajeita-se na cadeira. 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 14

Hoje é terça-feira. São 08h16.

Estou no consultório “Psicologia e Coaching” sentada à minha mesa.

Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um móvel com minha mochila em cima.

Por aqui, tudo apagado e silencioso. 

domingo, 27 de julho de 2014

Em observação, na clínica - 2

Hoje é segunda-feira. São 9h42.

Estou na recepção da clínica do doutor Antonio Carlos, sentada em um sofá.

Ao meu lado direito, a porta de vidro, que dá acesso ao hall dos elevadores. Ao meu lado esquerdo, um sofá vazio. Na minha frente, o vão por onde as pessoas passam.

Uma mulher passa na minha frente. É branca, magra, baixa, cabelo castanho, liso. Veste uma calça estampada, um casaco bege, uma sandália marrom, e uma bolsa bege. Usa óculos escuros.

- Espero, por mim, pela minha filha, espero não vir aqui tão cedo. Depois do susto, né? Por mim, eu vou ter que vir aqui até o final do ano, por causa da idade. Tchau, até logo.

Ela sai e fecha a porta de vidro atrás dela.

Estou, agora, sozinha na recepção. A Débora, secretária, fica atrás do balcão.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 13

Hoje é sexta-feira. São 16h42.

Estou no consultório “Psicologia e Coaching”, sentada à minha mesa.

Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um móvel com minha mochila em cima.

Por aqui, tudo escuro e silencioso.

O celular bipa.

Volto para o silêncio.

O celular bipa. Whatsapp do Bernardo.


Volto ao silêncio.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Em observação, no escritório do pai - 16

Hoje é quinta-feira, são 19h20.

Estou no escritório do meu pai, na sala dele, sentada à mesa dele.

Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado direito, uma mesa com telefone, impressoras, papéis. Ao meu lado esquerdo, um cofre e várias outras coisas.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

O celular bipa. Whatsapp da Sandra.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. Whatsapp da Sandra.

Volto ao silêncio.

O relógio bate 19h30.

Volto ao silêncio.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Em observação, n'As Claras - 4

Hoje é quarta-feira. São 10h45.

Estou n’As Claras, no Shopping Itanhangá, sentada em uma mesa. Na minha frente, uma cadeira e uma mesa vazias. Ao meu lado esquerdo, uma mureta com plantas. Ao meu lado direito, um pequeno corredor, por onde as pessoas passam.

Uma mulher passa. É alta, magra, cabelo liso, comprido, preto. Veste uma calça jeans, uma blusa social azul clara e um tênis bege.

Um homem passa. É alto, magro, cabelo preto, raspado. Usa óculos escuros e mochila preta.

Uma criança passa.

Uma mulher passa. É branca, baixa, magra, cabelo liso, comprido, castanho, preso num rabo de cavalo.

Uma mulher passa. É branca, baixa, magra, cabelo castanho, preso num coque. Carrega chaves na mão direita. Veste uma calça social preta e blusa social bege.

Uma mulher passa. Carrega uma bolsa bege.

Uma mulher passa. Carrega uma vassoura.

Um homem passa. É branco, baixo, magro, cabelo liso, preto, curto. Usa um boné e uma mochila preta. Veste calça jeans, casaco preto e tênis preto.

Uma mulher passa. É mulata, magra, alta, cabelo preto. Carrega uma máquina fotográfica.

Uma mulher passa. É branca, magra, alta, cabelo castanho claro, comprido e liso. Veste calça azul, blusa azul e bota branca. 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 12

Hoje é terça-feira. São 11h21.

Estou no consultório “Psicologia e Coaching”, sentada na minha mesa.

Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um armário.

Por aqui, luzes apagadas e silêncio.

O celular bipa. E-mail de candidata.

O celular bipa. Whatsapp do Bernardo.

Volto para o silêncio.

O celular bipa. Whatsapp do Bernardo.

Volto para o silêncio.

O celular bipa. Whatsapp do Bernardo.

Volto para o silêncio.

O celular bipa. Whatsapp do Bernardo.

Volto para o silêncio.

O celular bipa. Whatsapp do Bernardo.

Volto para o silêncio.

O celular bipa. Whatsapp do Bernardo.

Volto para o silêncio.

O celular bipa. E-mail que chegou.

Volto para o silêncio.

O celular bipa. Whatsapp da Luciana.

Volto para o silêncio.

O celular bipa. Whatsapp do Thales e da Luciana.

Volto para o silêncio.

O celular bipa. Dois whatsapp do Thales.

Volto para o silêncio.

domingo, 20 de julho de 2014

Em observação, no Espaço da Mulher - 9

Hoje é segunda-feira. São 8h52.

Estou no Espaço da Mulher, sentada à mesa. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira com minha mochila em cima. Ao meu lado direito, uma cadeira vazia. Na minha frente, duas cadeiras vazias.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

Um senhor bate à porta.

- Bom dia. O senhor quer olhar? Fica à vontade.

Ele entra, olha duas calças, sapatos, bolsas, tudo em silêncio. Pega alguns papéis sobre a mesa, e me entrega um crachá, que diz que ele é mudo, e está com a mãe internada no hospital.

- Infelizmente, a calça que o senhor escolheu custa R$ 10. Eu não posso dar de graça pro senhor, pois preciso prestar contas. Infelizmente, não tenho dinheiro, não posso ajudá-lo.

Ele faz menção de agradecimento, e sai sem dizer nada.

O celular bipa. Mensagem do Messenger do Facebook do grupo Operação da Lidi.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. E-mail que chegou.

O celular bipa. Mensagem do Messenger do Facebook do grupo Operação da Lidi.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. Mensagem do Messenger do Facebook do grupo Operação da Lidi.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. Mensagem de texto do IBBCA.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. Mensagem do Messenger do Facebook do grupo Operação da Lidi.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. Mensagem do Messenger do Facebook do grupo Operação da Lidi.

Volto ao silêncio.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 11

Hoje é sexta-feira. São 10h07.

Estou no consultório “Psicologia e Coaching” sentada à minha mesa.

Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um móvel com minha mochila em cima.

Por aqui, tudo apagado e silencioso.

O celular bipa. Whatsapp do Bernardo.

Volto ao silêncio.

O celular bipa. Whatsapp do Bernardo.

Volto ao silêncio.

A campainha toca. Paciente que chegou.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 10

Hoje é quinta-feira. São 14h55.

Estou no consultório “Psicologia e Coaching”, sentada na minha mesa.

Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um móvel com minha mochila em cima. Na minha frente, duas cadeiras vazias.

Por aqui, tudo aceso e silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. Whatsapp do grupo Teatro.

Volto a ficar em silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. Seis mensagens do whatsapp do grupo Teatro.

Volto a ficar em silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. Whatsapp do grupo Teatro.

Volto a ficar em silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. Whatsapp do grupo Teatro.

Volto a ficar em silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. Duas mensagens do whatsapp do grupo Teatro.

Volto a ficar em silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. Duas mensagens do whatsapp do grupo Teatro.

Volto a ficar em silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. E-mail de candidato.

Volto a ficar em silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Em observação na Neide's Coiffeur - 5

Hoje é quarta-feira. São 9h30.

Estou na Neide’s Coiffeur, em Copacabana. Estou sentada em uma cadeira, esperando a tinta agir.

Ao meu lado esquerdo, uma cadeira vazia. Ao meu lado direito, Danuza faz o cabelo. É branca, magra, alta. Cabelo castanho, liso, comprido. Veste uma calça social preta, blusa estampada, branca, sapato social preto. Lê o jornal O Globo.

Atrás de mim, as pessoas passam.

- Aí, assim, quando tem uns seis meses, que eu fiz, eu faço ele todo. Pra perder estas pontas claras. Por que, o que acontece? Quando a gente começa quebrando não pode parar de quebrar. É, a ultima vez tá usando muito, né? Vai ficar uma californiana. Como é que chama? Sun Kiss. Aham. Aham. Natural, né? Pois é. Graças aos meus brancos. Aos malditos. É, aí clareia. Uhum.

Uma mulher passa varrendo. É branca, um pouco gordinha, baixa, cabelo castanho, preso num coque.

Danuza volta a ler o jornal, agora, em silêncio.

- Esse carrinho é teu? Muito limpinho. As vezes a gente chega em salão e vê aquelas coisas cheias de cabelo. Parece carinho de virginiano. Não é virginiano não, né? Não sei. Eu sou virginiana, com ascendente em Áries. É muito bom ser virginiano. Tem essa coisa de limpeza... É. De repente é isso. Vai dando valor a outras coisas, né? Morar sozinho, né? Esse é organizado também? A ascendência faz diferença, né? Dizem que faz diferença. Super, né? É... como é que eu vou te falar. Egoísta... Namorado também? Socorro... De cara. Mas e depois... Danousse. Não, eu vou ficar lendo esses jornais aqui. Obrigada, Gerson.

Uma moça passa.

Danuza agora está sozinha, sem o cabeleireiro. Mexe em algo na sua bolsa. Pega o óculos. Limpa.

Uma mulher passa. É branca, magra, alta, cabelo liso, loiro, comprido. Veste uma calça jeans, blusa estampada, bolsa marrom.

Danuza mexe em algo na sua bolsa, ajeita o óculos, coloca no rosto. Pega o jornal e começa a lê-lo.

Uma recepcionista passa.

Uma mulher passa. É branca, magra, baixa, cabelo castanho, liso, curto.

Gerson passa. É alto, mulato, um pouco gordinho, grisalho, usa óculos.

Uma mulher passa. É branca, gordinha, cabelo liso, castanho, molhado. Carrega uma sacola plástica.

Moisés passa. É mulato, alto, magro, cabelo castanho, curto.

Danuza mexe no celular.

Uma mulher passa. É branca, magra, baixa, cabelo castanho, liso, curto. Usa uma calça branca, blusa social preta, bolsa preta e sapatilha branca e preta.

Uma mulher passa, carregando um saco grande de lixo. É mulata, baixa, um pouco gordinha, tem o cabelo castanho, preso num coque.

Uma mulher passa. É branca, magra, alta, cabelo liso, loiro, comprido. Veste uma calça jeans, blusa estampada, bolsa marrom.

Uma manicure passa. É branca, baixa, magra, cabelo castanho, liso, comprido, preso num meio-rabo de cavalo.

Uma mulher passa.

Uma manicure passa. É branca, baixa, magra, cabelo castanho, liso, comprido, preso num meio-rabo de cavalo.

Uma manicure passa.

Uma mulher passa. É branca, alta, magra, cabelo comprido, cacheado, preto, usa óculos escuros. Veste um vestido azul escuro, longo; um lenço estampado no pescoço.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Em observação, n'As Claras - 3

Hoje é terça-feira. São 10h46.

Estou n’As Claras, no Itanhangá Shopping, na Barra.

Estou sentada em uma mesa. Na minha frente, uma cadeira vazia. Ao meu lado direito, a vitrine. Ao meu lado esquerdo, um pequeno corredor por onde as pessoas passam.

Um homem passa. É alto, branco, cabelo castanho, curto. Usa calça preta, blusa pólo rosa.

Um homem passa. É baixo, branco, grisalho. Carrega uma pasta de couro na mão esquerda e, na mão direita, algo que está comendo.

Uma mulher passa. É magra, baixa, branca. Ela passa novamente. Tem o cabelo castanho, preso num coque. Usa uma calça preta e casaco preto, da Adidas.

Um homem passa, carregando um saco de pães. É branco, baixo, magro e careca. Ele passa novamente, agora, sem o saco de pães.

Um homem passa. É baixo, magro, mulato, cabelo preto, curto.

domingo, 13 de julho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 9

Hoje é segunda-feira. São 15h38.

Estou no consultório Psicologia e Coaching, sentada na minha mesa.

Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um móvel com duas pranchetas em cima. Na minha frente, duas cadeiras vazias.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

O celular bipa. E-mail que chegou.

Volto a ficar no silêncio.

O celular bipa. E-mail que chegou.

Volto a ficar no silêncio.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Em observação, na Clínica

Hoje é sexta-feira. São 13h18.

Estou na Clínica de Cirurgia da Obesidade, em Botafogo, aguardando ser atendida, às 14h40.

Estou sentada na recepção. Ao meu lado direito, parte do sofá com a minha mochila e o celular em cima. Ao meu lado esquerdo, sofá vazio. Na minha frente, um vão por onde as pessoas passam.

A recepcionista está atrás do balcão, no telefone. Ela é negra, magra, baixa. Tem o cabelo comprido, encaracolado, preso num meio-rabo de cavalo. Veste calça social preta, blusa social bege, sapato social preto, de bico fino, e está sentada na sua cadeira, atrás do balcão. Como o balcão é alto, não consigo vê-la direito.

- Não, tá. Pode deixar. Não, pode deixar. Vou sair daqui 15h30. Então. Tá, então pode deixar que eu vou sair 15h30 daqui pra ir com folga, tá. Tá, beijo.

Ela desliga o telefone.

- Meu Deus do céu, ele só dá trabalho. Tá vendo o tempo que demora? Nunca atende rápido. Ainda fala que é pra agilizar... Ai... tudo isso? Meu Deus do céu...

Agora permanecemos em silêncio.

A recepcionista come algo.

- Ai meu Deus, muita fome. Dificuldaaaade!

A porta abre.

Três senhoras entram. Uma permanece de pé, no balcão da recepção.

Uma senhora sentada ao meu lado esquerdo e uma sentada ao meu lado direito, uma em pé na minha frente.

A senhora sentada ao meu lado esquerdo é negra, um pouco acima do peso, baixinha, e cabelo preto, curto. Veste um vestido longo, cinza e um casaco bege e um sapato preto.

A sentada ao meu lado direito é negra, baixinha, um pouco gordinha, e tem o cabelo curto, grisalho. Veste uma saia azul, blusa azul estampada e sandália bege. Está sentada, de braços cruzados, sobre o colo.

A senhora sentada ao meu lado esquerdo levantou e está lendo as coisas, no quadro. Sentou ao meu lado novamente.

- Também de 20. Tudo de jovem. Ah, mas eu quero ter.

A senhora ao meu lado direito:

- Eu tenho cabeça de 20. Tenho 86 anos, mas cabeça de 20.

- A senhora de 96 anos. Bebe, fuma, e vai pra pagode. Cabelo de ené.

O doutor chegou. Passou pela gente, na recepção.

- A sogra da filha da minha prima. Gente, que cabeça maravilhosa. Mora aqui em Laranjeiras, sozinha.

A outra recepcionista chega e passa pela recepção.

- E ela adora a nora. O filho fica tomando conta dela.

- Minha madrinha com 98.

- É, dona Alba com 98, conversava bem a beça. Conversava muito bem, ela tinha a cabeça boa.

- Ela falava assim: cale a boca, você não sabe mais do que eu.

- Ela quer que eu vá pro aniversário dela. Eu falei: acho que erraram a sua idade. Deixaram apartamento em Laranjeiras. As patroa dela tem uma arquiteta, aquela do arquivo. Fizeram um filme, até com a Gloria Pires. Naquela época, elas já eram lésbicas. Não é como igual hoje. Mas a neta dela, que é filha da minha sobrinha. E acharam maravilhoso. E a neta veio pra traduzir. Ela achou maravilhoso a minha avó. Eu até queria ver o filme. Foi falado, com a Gloria Pires. A Gloria Pires fazendo papel de lésbica. Ela fez o papel dela, no filme. Ela cuidava das três. Ela tem pensão de marinha, e ela dá pensão pra nora, porque ela dá a pensão pras patroas. Ela não me deu o apartamento de Ipanema, porque ela não gostava do meu marido. Mas deixou um em Laranjeiras. Ela mora aqui em Laranjeiras. Eu falei: meu filho. Elas adotaram três meninas. E o filho dela criou do mesmo jeito como criou as filhas. Tenente coronel. A casa dela, menina... igualzinho. Falou, meu filho. É, né...?

- Vendeu documento dele... Vem dizer pra ele... Meu Deus, Meu Deus. O enterro...

- Ele foi?

A porta abre. Duas senhoras entram.

A senhora que estava ao meu lado esquerdo, agora, senta ao meu lado direito.

E, ao meu lado direito, outra senhora está sentada. É branca, magra, um pouco gordinha, e baixa. usa óculos e tem o cabelo liso, curto, vermelho. Usa calça jeans, blusa branca e amarela e carrega uma bolsa preta, no colo. Calça uma sandália bege.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Em observação, no Espaço da Mulher - 8

Hoje é quinta-feira. São 8h52.

Estou no Espaço da Mulher, no Leblon, fazendo plantão.

Na minha frente, uma cadeira vazia. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira com minha mochila em cima. Ao meu lado direito, outras mesas com cadeiras vazias.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

O celular bipa. Whatsapp do Bernardo.

Volto a ficar no silêncio.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Em observação, no CMNG - 3

Hoje é quarta-feira. São 7h30.

Estou no Centro de Medicina Nuclear da Guanabara de Copacabana, na recepção, aguardando para fazer ultrassonografia.

Ao meu lado direito, uma cadeira vazia. Ao meu lado esquerdo, um vão com uma porta. Na minha frente, um local onde as pessoas passam.

Uma senhora passa. É mulata, baixinha, um pouco gordinha.

Uma senhora passa. É branca, alta, magra, cabelo loiro, curto. Veste uma calça preta, blusa azul, casaco preto, sandália bege e bolsa marrom. Ela passa novamente.

Um senhor passa. É branco, baixo, gordinho, calvo, cabelo branco, usa óculos. Veste uma bermuda jeans, uma blusa de botão xadrez, um sapato marrom e carrega uma sacola do Laboratório Sérgio Franco.

Uma senhora passa. É mulata, baixinha, um pouco gordinha. Tem o cabelo preto, curto, e usa óculos. Veste calça social preta, blusa social listrada, sapato preto e carrega uma garrafinha de água. Passa novamente.

Um senhor passa. É branco, baixo, gordinho, calvo, cabelo branco, usa óculos. Veste uma bermuda jeans, uma blusa de botão xadrez, um sapato marrom e carrega uma sacola do Laboratório Sérgio Franco.

Agora, na cadeira ao meu lado direito, tem a sacola do Laboratório Sérgio Franco e a mão dele (que está sentado na outra cadeira).  Ele tira a mão. Ajeita a sacola. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 8

Hoje é terça-feira. São 9h11.

Estou no consultório “Psicologia e Coaching”, aguardando os candidatos.

Estou sentada na minha mesa. Na minha frente, duas cadeiras vazias. Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um pequeno móvel com duas pranchetas e duas revistas em cima.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

O celular bipa. Inbox do Alfredo, no Facebook.

Volto a ficar no silêncio.

domingo, 6 de julho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 7

Hoje é segunda-feira. São 12h16.

Estou no consultório “Psicologia e Coaching”, aguardando candidatos de 13h.

Estou sentada na minha mesa. Na minha frente, três cadeiras vazias. Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um pequeno móvel com minha bolsa em cima.

Por aqui, tudo aceso e silencioso.

O celular bipa. E-mail da Ana que chegou.

Volto a ficar no silêncio.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Em observação, no Psicologia e Coaching - 6

Hoje é sexta-feira. São 10h29.

Estou no consultório “Psicologia e Coaching”, esperando a paciente de 11h.

Ao meu lado direito, parede. Ao meu lado esquerdo, um móvel com minha mochila em cima. Na minha frente, duas cadeiras vazias.

Estou na sala com a luz apagada. Tudo silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. Dois whatsapp do Bernardo.

Volto para o silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. Whatsapp do Bernardo.

Volto para o silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. Whatsapp do Bernardo.

Volto para o silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. Whatsapp do Bernardo.

Volto para o silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. Email da AAA-PUC-Rio que chegou.

Volto para o silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Em observação, na Praça General Osório

Hoje é quinta-feira, são 13h30.

Estou na Praça General Osório, sentada em um banco, esperando o André. Do meu lado direito, banco vazio. Do meu lado esquerdo, uma senhora está sentada, de costas pra mim.

O André chegou.