terça-feira, 29 de julho de 2014

Em observação, na clínica - 3

Hoje é quarta-feira. São 14h47.

Estou na recepção do consultório do doutor Dejair, em Ipanema. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira vazia. Na minha frente, um vão por onde as pessoas passam. Ao meu lado direito, a recepcionista. Ela é branca, um pouco gordinha, cabelo grisalho, branco, e usa óculos. Veste uma blusa estampada, sem manga. Não consigo vê-la por inteiro, por conta do balcão, que é alto.

- Tenho horário às nove e meia. Tá. Qual o seu telefone de contato? É Vivo, né? É Vivo? Caso o senhor não possa vir, o senhor ligue. Sim. Sim. Tá. Caso o senhor não possa vir, eu peço que o senhor ligue aqui desmarcando, até oito e meia. Tá bem.

A recepcionista desliga o telefone. O telefone toca.

- Consultório, boa tarde. Tá bom. Tá anotado. Caso o senhor não possa vir, por favor, nos dê o retorno logo cedo. Tá bom. Tá ok. Nada...

Ela desliga o telefone. Ela levanta-se da cadeira. Vejo que veste uma calça preta e uma sapatilha preta. Vai ao balcão na frente da sua mesa. Fica de pé, na mesa atrás da recepção, abre uma gaveta e mexe em umas fichas. Fecha a gaveta.

- Ai, nossa.

Senta-se na sua cadeira. Come alguma coisa. Lê uma ficha. Folheia uma agenda, na mesa. Escreve algo. Bate com a agenda na mesa. Coloca a agenda no balcão. Abre uma gaveta. Lê alguma coisa sobre a mesa. Pega algumas fichas sobre a mesa. Folheia a agenda. Levanta-se, pega o telefone e liga para alguém. Ri. Senta-se novamente. Pega a agenda no balcão. Coça o nariz. Levanta-se, coloca o telefone no gancho. Senta. Escreve alguma coisa. Abre uma gaveta. Pega umas fitas. Ajeita-se na cadeira. Abre a gaveta. Pega umas fichas. Ajeita-se na cadeira. Escreve alguma coisa. Ajeita-se na cadeira. 

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