quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Em observação, na rádio

Hoje é quinta-feira. São 9h55.

Estou na Rádio (que não sei o nome!) (acho que é No Ar), na Barra da Tijuca, aguardando entrar no ar.

Estou sentada em uma mesa, numa sala grande, com várias pessoas sentadas à minha frente.

Ao meu lado direito, um vidro que dá acesso a outra sala com cerca de trinta pessoas. Ao meu lado esquerdo, um vidro que divide a área da rádio. E, na minha frente, pessoas (e crianças) usam o computador.

Exatamente na minha frente, uma menina está sentada, zapeando na internet. Ela é branca, magra, baixa, e tem o cabelo comprido, liso, castanho. Veste calça jeans, blusa preta, blazer marrom e calça tênis AllStar. Tem as pernas cruzadas sobre a cadeira e uma mão sobre a barriga. 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Em observação, no dermatologista

Hoje é terça-feira. São 14h59.

Estou no consultório do doutor Alberto,em Copacabana, aguardando ser atendida.

Estou em uma recepção grande, com outras pessoas. Na minha frente, parte da recepção. Ao meu lado direito, uma cadeira vazia com minha mochila em cima.

Ao meu lado esquerdo, uma senhora está sentada, vendo novela. É negra, magra, baixa, cabelo curto, preto. Veste calça jeans, escura, blusa sem manga verde, sandália bege, com detalhes verdes. Tem as pernas cruzadas e uma bolsa marrom, no seu colo. Carrega, também, uma sacola grande da Rede D’Or. Está recostada, assistindo novela. Descruza as pernas.

Uma senhora passa pela minha frente. É mulata, gordinha, alta, e cabelo curto, preto. Está com calça branca, blusa branca e sapato branco.

Uma senhora passa pela minha frente. É mulata, gorda, alta, cabelo preto, liso. Veste um vestido estampado, sapatilha dourada e bolsa preta. E passa novamente na minha frente. E passa novamente.

A senhora ao meu lado agora, está com as pernas descruzadas , as mãos cruzadas sobre o colo e recostada, na cadeira, assistindo a novela.

- Obrigada.

- Muito obrigada.

- Nada.

Pego a carteirinha da recepcionista para a senhora que está sentada ao meu lado direito, com uma cadeira de distancia entre a gente.

A senhora de vestido estampado passa na minha frente. E passa novamente.

A senhora ao meu lado esquerdo está de olhos fechados, cochilando. Abre os olhos e, agora, assiste a novela. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Em observação, no trabalho do André - 4

Hoje é quinta-feira. São 17h24.

Estou no trabalho do André, esperando por ele, na recepção.

Por aqui, portas fechadas. Luz acesa. Ar condicionado e servidor ligados.

Atrás do balcão, um rapaz trabalha, que consigo ver apenas a careca e os olhos.

Uma senhora sai do banheiro e pousa um balde ao meu lado. Ela é negra, baixa, magra, tem o cabelo preto. Veste uma calça jeans, blusa estampada e chinelo branco. Entra no banheiro. Sai do banheiro, troca o balde de local e coloca um desentupidor no chão. Entra no banheiro. Sai do banheiro e pega utensílios dentro do balde. Deixa um pano dentro do balde e entra novamente no banheiro. A porta deste permanece aberta. Ela coloca um pote dentro de um balde e volta para dentro do banheiro. Pega um pano de dentro de um balde e entra no banheiro novamente. Ela sai do banheiro, ajeita o lixo, pega algo dentro do balde, entra no banheiro, coloca novamente algo dentro do balde e entra no banheiro novamente. Ela sai do banheiro, passa a vassoura com o pano na porta, tira o pano da vassoura, torce-o. Pega a lata de lixo e o balde, passa na minha frente e entra na sala, fechando a porta atrás de si.

Agora, estou sozinha na recepção, apenas com o rapaz dentro do balcão.

Tudo silencioso, exceto pelo barulho do ar condicionado e do servidor.

Ao meu lado esquerdo, uma vassoura está pousada.

A senhora passa na recepção novamente carregando o lixo e entra no banheiro. Sai, pega a vassoura. Passa na minha frente carregando a vassoura. Fecha a porta do banheiro atrás de si, e a porta que dá acesso às salas.

Volto a ficar sozinha, apenas com o barulho do ar condicionado e do servidor.

O rapaz atrás do balcão pega uma mochila e levanta-se. É branco, careca, gordinho, veste uma blusa social listrada. Sai e fecha a porta atrás de si. Abre a outra porta, passa na minha frente e entra no banheiro. Sua mochila está pousada no balcão.

A porta do banheiro está fechada e a que dá acesso as salas está aberta. Tudo silencioso por aqui, apenas com o barulho do ar condicionado e dos servidores.

Ele sai do banheiro e fecha a porta atrás de si. Vejo que veste, também, uma calça preta e sapato social preto. Entra na sala e deixa a porta aberta atrás de si.

Volto a ficar sozinha aqui, com tudo silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado e dos servidores.

Um senhor passa por mim na recepção. É baixo, mulato, magro. Careca, usa óculos. Usa uma calça social, cinza, blusa social branca, com gravata, e sapato social preto.

- Boa tarde.

- Boa tarde.

- Tudo bem?

- Tudo bem, e o senhor?

- Tudo na paz.

Ele entra no banheiro.

O rapaz da recepção volta para a recepção, pega a sua mochila.

- Tchau.

- Tchau.

Ele sai e fecha a porta de vidro atrás de si.

André vem a recepção e entrega meu celular. Pego.

- Obrigada, amor.

Ele entra na sala novamente.

O senhor sai do banheiro, passa por mim e entra na sala. Deixa a porta aberta.

Permaneço, agora, sozinha, com tudo silencioso.

- Vamos, amor?

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Em observação, no trabalho do André - 3

Hoje é quarta-feira. São 17h06.

Estou no trabalho do André, sentada na recepção, sozinha.

Ao meu lado esquerdo, a porta do banheiro (fechada) e a porta de vidro que dá acesso ao corredor do prédio. À minha frente, um pequeno balcão e o servidor. Ao meu lado direito, uma cadeira vazia e a porta (fechada) que dá acesso às salas.

Por aqui, tudo claro e silencioso, apenas com o barulho do servidor funcionando.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Em observação, no Centro Cultural Caravelas - 4

Hoje é terça-feira. São 12h03.

Estou no Centro Cultural Caravelas, esperando minha consulta.

Estou sentada em um sofá, na recepção. Na minha frente, dois puffes e um aparador, com panfletos. Do meu lado esquerdo, um bar e as salas (e a escada, que dá acesso a outras salas). Do meu lado direito, a Nayllana (*), na recepção.

O telefone toca. Nayllana (*) atende.

- Centro Cultural Caravelas, bom dia. É. Oi, meu bem. Tudo bem. Eu. Quem que vai fazer? Ah, é? Ai, caramba. Nossa. Ah, foi três? Eu liguei uma vez só, meu Deus do céu. Será que eu liguei três? Não, é o seguinte. Quando é que o Evandro (*) volta? Tá. Então amanhã ele não vem. Ele pode vir quinta? É que amanha não, ele só vem quinta. Mas ele não pode em horário nenhum na quinta? É. Ah, tá. Não, tudo bem. Então eu falo com ele e ele vem na próxima quarta então. É que eu tou ajeitando a agenda. Ah, tá. Mas ele nem. Não, você tá falando do Sérgio (*), né? Ah, tá. Não, a sala não é isso não. Lembra que a gente já tinha feito as contas? É. Ah, então tá bom. É. Ele não comentou nada não. Ah, tá tudo bem, querida, graças a Deus. Estou esperando o ano começar. Eu dependo de vocês pro ano começar. Ah, fala sério. Vai. Então vou te dar até 2015. Pelo visto... ah... quem? Já, já. Já voltou. Só não voltou você. Acho que tem alguém. É. O pessoal tá chegando. Tá chegando, tá chegando. Tá? Só em fevereiro, né? Tá bom. Então bom descanso, se você não aparecer pra tomar um café. A preguiça não deixa, né? Ah, é? Que bom. Ah, que bom. É, né? É, pode pegar o resultado pela internet. É. Você tá certa. você tá certa. vai pra onde? Ah, tá. Ah, legal. Tá bom então. É bom. É bom mesmo. Vai passar o carnaval lá? Também. Tou sentindo falta pra caramba. Aquela sensação que ta faltando alguma coisa. Mas tudo bem. Então tá, querida. A hora que você puder, dá uma passada aqui, se der. Então tá, querida. Um beijo, e melhoras pro teu filho, tá? É, né? Tão novo... Ah, tá. Ele só rompeu, né?

A campainha toca.

Nayllana (*) continua no telefone.

- Nossa mãe.

O rapaz vem até a recepção e passa por mim e sai.

Nayllana (*) continua no telefone.

Fui chamada. 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Em observação, na Neide's Coiffeur - 3

Hoje é segunda-feira. São 14h18.

Estou na Neide’s Coiffeur, em Copacabana, fazendo o cabelo.

Estou sentada em uma cadeira. Do lado direito, a entrada do salão. Do lado esquerdo, os fundos do salão. Atrás de mim, uma espécie de corredor, onde as pessoas passam.

Exatamente ao meu lado direito, a cadeira vazia.

Ao meu lado esquerdo, Moisés em pé, pinta meu cabelo. Ele é moreno, alto, forte, e cabelo preto, curto, raspado. Veste calça jeans, e blusa preta, do uniforme do salão. Usa luvas transparentes e trabalha em silencio.

A garçonete passa atrás de mim. É branca, magra, alta, e tem o cabelo preso. Vestida toda de branco e carrega uma bandeja com taças de champanhe.

Moisés vai para trás de mim e continua pintando meu cabelo agora, atrás de mim. Ele sai de trás de mim. 

Uma cabeleireira pára ao meu lado e guarda algo na sua maleta. É mulata, gordinha, baixinha. Tem o cabelo encaracolado, um pouco alorado.

Uma moça passa atrás de mim. É branca, alta, magra.

Moisés volta ao meu lado e pára atrás de mim. Pára ao meu lado direito, afasta algumas coisas, ajeita as coisas.

- Amiga, você quer mais alguma coisa?

- Não, obrigada.

- Vou deixar você aí no tempo da tinta e vou almoçar, tá? Na volta a gente lava, tá?

- Tá ótimo, bom almoço.

- Obrigado.

- A senhora aceita mais uma taça de champanhe?

- Não, muito obrigada.

Uma senhora passa atrás de mim. É branca, alta, magra, cabelo preso, num coque. Anda em direção à saída do salão.

Uma cabeleireira passa atrás de mim.

A senhora passa atrás de mim. Anda em direção aos fundos do salão.

Um senhor passa atrás de mim. É mulato, alto, magro. Cabelo preto e usa barba. Veste calça preta e blusa social azul, e sapato preto. E passa novamente. E passa novamente.

Moisés passa ao meu lado, pega algo em seu balcão e entra em direção aos fundos do salão.

Uma manicure passa atrás de mim. E passa novamente.

Uma cabeleireira passa atrás de mim, pára ao meu lado, e passa novamente atrás de mim.

A garçonete passa atrás de mim, carregando uma vassoura.

Uma manicure passa atrás de mim. É branca, gordinha, baixa, e cabelo liso, vermelho. E passa novamente atrás de mim.

Uma senhora passa atrás de mim. É magra, alta, cabelo liso, comprido, preto.

A garçonete passa atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim.

A garçonete passa atrás de mim. E passa novamente.

Uma manicure passa atrás de mim. Outra manicure passa atrás de mim.

A garçonete passa atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim, carregando o balde de colocar os pés.

A garçonete passa atrás de mim, carregando um pano. Anda em direção aos fundos do salão.

Uma senhora passa atrás de mim. É negra, alta, magra. Tem o cabelo encaracolado, preso, no alto da cabeça. Veste uma calça legging verde, uma blusa preta, uma meia preta e um tênis colorido. Carrega uma bolsa beje claro.

A garçonete passa atrás de mim, carregando uma bandeja com taças de champanhe.

Uma cabeleireira senta ao meu lado direito. É mulata, gordinha, alta, cabelo liso, na altura do ombro. Veste uma calça preta e a blusa do uniforme.

Um cabeleireiro passa atrás de mim. É alto, magro, mulato.

A garçonete passa atrás de mim, carregando uma bandeja com taças de champanhe.

A cabeleireira ao meu lado direito mexe no cabelo, coça o olho. Olha para a senhora ao seu lado e conversa com ela.

A garçonete passa atrás de mim.

O cabeleireiro passa atrás de mim, carregando algumas coisas.

Uma manicure passa atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim. E passa novamente, carregando seu banquinho.

Uma manicure passa atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim, carregando seu banquinho.

A garçonete passa atrás de mim.

Uma senhora passa atrás de mim. É branca, alta, magra.

Uma manicure passa atrás de mim, carregando o carrinho de esmaltes.

A cabeleireira que estava sentada ao meu lado direito levanta e sai.

Uma manicure passa atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim.

Duas cabeleireiras passam atrás de mim, e uma delas pára ao meu lado esquerdo.

Uma manicure e um senhor passam atrás de mim.

Uma cabeleireira senta ao meu lado esquerdo. É mulata, gordinha, e tem o cabelo encaracolado, curto, um pouco alorado. Veste calça jeans e a blusa preta, do uniforme do salão. Calça sandália marrom. Mexe no celular e assiste a televisão.

Uma manicure passa atrás de mim.

Moisés passa atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim. É negra, magra, alta, cabelo comprido, encaracolado, preso num rabo de cavalo.

A garçonete passa atrás de mim.

Uma cabeleireira e duas manicures passam atrás de mim.

A garçonete passa atrás de mim.

A cabeleireira sentada ao meu lado esquerdo levantou-se e saiu.

Uma cabeleireira sentou ao meu lado direito.

Uma manicure passa atrás de mim. é branca, magra, baixa. Tem o cabelo preto, comprido e liso, preso num rabo de cavalo. Veste calça jeans, e a blusa branca, do uniforme do salão.

Um senhor passa atrás de mim carregando um saco.

Uma manicure passa atrás de mim carregando dois sacos plásticos de mercado.

Uma manicure passa atrás de mim.

A cabeleireira que estava sentada ao meu lado esquerdo volta e mexe em algo do meu lado esquerdo, passa atrás de mim e sai.

Uma manicure passa atrás de mim.

Uma senhora passa atrás de mim.

A cabeleireira do meu lado esquerdo passa atrás de mim. E passa novamente.

Uma senhora passa atrás de mim.

Uma senhora passa atrás de mim.

A cabeleireira do meu lado esquerdo passa atrás de mim.

A garçonete passa atrás de mim, carregando a bandeja com taças de champanhe.

- Aceita mais uma água?

- Não, muito obrigada.

- Nada.

A cabeleireira do meu lado esquerdo está ao meu lado esquerdo, mexendo em uma maleta.

A garçonete passa atrás de mim.

A cabeleireira, agora, passa atrás de mim.

Uma senhora passa atrás de mim. É branca, alta, magra, cabelo claro, liso, comprido. Veste short jeans, blusa regata, branca, com listras azuis.

Uma manicure passa atrás de mim.

Um cabeleireiro e uma senhora passam atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim. É branca, baixa, magra, tem o cabelo liso, e loiro, preso num rabo de cavalo, e usa óculos. Veste calça preta e blusa branca, do uniforme do salão.

Um cabeleireiro e duas senhoras passam atrás de mim. E ele passa novamente atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim.

Uma senhora passa atrás de mim.

O cabeleireiro passa atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim, carregando o balde de colocar os pés. É a moça loira, de óculos.

- Vai querer dar uma puxadinha, amor?

- Pode, pode puxar.

- Pode?

- Pode.

Moisés, agora, está atrás de mim, fazendo massagem no meu cabelo. Acabou e saiu.

Uma cabeleireira senta ao meu lado direito.

O cabeleireiro passa atrás de mim, bebendo água.

Uma manicure passa atrás de mim, carregando o balde de colocar os pés.

A garçonete passa atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim.

Uma manicure passa atrás de mim, carregando o balde de colocar os pés.

Uma manicure passa atrás de mim.

A garçonete passa atrás de mim, e passa novamente.

Uma senhora passa atrás de mim. É branca, alta, bem gorda. Cabelo liso, comprido, vermelho.

Uma manicure passa atrás de mim.

- Vamos lá, amor?

- Bora.

(...)

Agora são 15h15. Estou no mesmo local, no mesmo salão. Agora, Moisés está atrás de mim, cortando meu cabelo. Ele e eu em silêncio.

Ninguém aos meus lados direito e esquerdo.

Não consigo mais ver quem passa atrás de mim, pois, atrás de mim, vejo apenas o Moisés trabalhando.

- Luana, faço uma camada aqui ou deixo fio reto?

- Pode deixar uma camadinha.

- Posso fazer uma camadinha?

- Pode.

Voltamos, eu e Moisés, a ficar em silêncio. Ele, trabalhando. Eu, fotografando gente.

- Não faz muita camada não, pelamordeJesus.

- Não, é baixinha, só na pontinha mesmo.

- Tá.

Ambos rimos. E voltamos ao silêncio.

- Aqui na frente você pode tirar também, não precisa deixar como está não.

- Tá. Aham.

Voltamos ao silêncio.

- Quer que eu abaixe?

- Não, assim tá ótimo.

Voltamos ao silêncio.

- Atrás você deixou fio reto ou fez camada?

- Fiz uma leve camada, não da pra ficar fio reto não, se não, fica quadrado.

- Ah, entendi.

- E na frente? Tira?

- Tira.

- Assim acho que tá bom, não tá?

- Ta ótimo.

- Deixa eu medir, vê agora. Ficou bom?

- Ficou perfeito. Muito obrigada.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Em observação, na BQ - 2

Hoje é sábado. São 8h29.

Estou na sala J, na BQ, no Centro, esperando o curso começar.

Estou sentada na ponta de uma mesa grande. Na minha frente, mais mesas e a amplitude da sala. Do meu lado esquerdo, a parte da frente da sala, onde o professor fica. Do meu lado direito, mais mesas, e a porta de entrada da sala.

A porta está aberta, as luzes acesas, o ar ligado.

Por aqui, tudo silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado.

Wilson chega. Ele é branco, magro, baixo. Tem o cabelo curto, escuro. Veste calça jeans escura, blusa de malha azul, tênis preto.

- Olá, bom dia!

- Bom dia, tudo bem?

Me levanto e nos beijamos.

- E aí, tudo bem?

- Tudo ótimo, e você?

- Tudo certo.

- O dia está lindo, né?

- Nossa, adoro.

- Azulzinho,né? O céu aberto.

- É mesmo.

Ele sai da sala, sorrindo.

Permaneço, agora, sozinha novamente. Tudo silencioso e iluminado, como antes.

Ele volta para a sala e senta no seu local, que é na minha diagonal direita. Estamos ambos silenciosos.

A Denise chegou.

Agora, eu, Denise e Wilson ficamos conversando.

Chega bastante gente e ficamos conversando, todos.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Matheus

O trajeto era curto: Flamengo - Cardeal Arco Verde. Ainda assim, eu lia no caminho. E nas escadas rolantes. E, dependendo do que estava sendo lido - e estava em Rubem - lia andando. 

Desta vez, saltei do metrô, na minha estação, e fechei o livro, não sabia bem por quê.

Vim andando vagarosamente e vi, de longe, uma senhora e um pequeno que, descobri, tinha cinco. 

As pessoas subiam a escada rolante, em direção a saída da estação, e a senhora, cada vez mais, sozinha com o pequeno. 

- Oi, bom dia.

- Bom dia.

- A senhora pode subir com ele? Eu tenho medo. Porque eu vou, mas eu tenho medo, por ele. Ele é pequeno.

- Oi, tudo bem? Dá a mão para mim? Vamos juntos?

Matheus me olhou, sério, e deu a mão, bem pequena. Olhava para os meus pés e os seus pés, subindo e parados na escada rolante, que subia.

Chegamos ao destino.

- Obrigada!

- De nada! Mas eu acompanho vocês, ainda têm outras duas escadas rolantes, e eu ajudo a senhora.

- Ah, tá. Muito obrigada.

Matheus, mesmo no trajeto onde não tinha escada rolante, não soltava minha mão. 

- Qual o seu nome?

- Matheus. - respondeu sério e tímido, de forma com a qual eu não podia, sequer, ouvi-lo.

- Ele é meu neto, sabe? Eu tinha compromisso aqui em Copacabana. Em geral, ele fica com a mãe, mas ela começou a trabalhar, e o pai dele - que é meu filho - não pode ficar com ele, porque ele tem emprego fixo. E eles não conseguiram alguém pra ficar com esse garoto, e aí, ele tem ficado comigo. Mas aí, agora, que eu tenho compromisso, tive que trazer, né? E criança dá trabalho. É um problema, né não? E aí, eu fico preocupada com essa escada rolante e, de subir com ele...

- Matheus, de novo, olha a escada. Vamos juntos?

E eu não conseguia mais ouvir a senhora falando do "garoto", "esse menino". Ele sequer olhava a avó. Sequer olhava para mim. Era um menino sério, atento, que olhava para seus próprios pés. Era o mais pra baixo que ele conseguia olhar: seus pés. Meus pés, quando subíamos na escada.

- Vamos, Matheus? Na última.

E eu percebi, ao longo do trajeto que, ainda que a avó falasse sem parar, e o pequeno só abriu a boca para falar seu próprio nome, eu e ele, sim, estávamos nos comunicando, o tempo todo. Através de seus dedos finos. Através dos nossos pés, pelo mesmo caminho. 

- Chegamos. Tchau, Matheus. Bom passeio.

- Obrigado. Muito obrigado.

Matheus me olhou nos olhos. Triste, sincera e profundamente. E o seu "obrigado. Muito obrigado" aqueceu meu coração. 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Em observação, na Loreal - 2

Hoje é quarta-feira. São 14h45.

Estou na Loreal, numa recepção no térreo, sentado num sofá bem grande.

Na minha frente, ninguém, apenas uma pequena árvore. Ao meu lado direito, um vidro com anúncios da Loreal.

Ao meu lado esquerdo, um senhor está sentado. Ele é alto, gordo, moreno, cabelo grisalho, usa óculos. Veste uma bermuda cargo cinza, uma blusa pólo verde e sapato marrom. Ele dorme. Está recostado no sofá e tem os braços relaxados e as pernas cruzadas, esticadas para a frente. Abre a boca e ressona. Fecha a boca. Abre a boca e ressona. Mexe a cabeça para os lados e fecha a boca. Abre a boca e ressona. Abre o olho e olha para o lado. Conversa com uma senhora ao seu lado. Volta a fechar os olhos. Abre a boca. Fecha a boca.

- Luana, vamos subir?

- Vamos sim.

Em observação, no consultório (Copacabana) - 8

Hoje é segunda-feira. São 9h57.

Estou no consultório de Copacabana, esperando a paciente de 10h.

Estou sentada à mesa, na sala de atendimento.

Por aqui, portas e janelas fechadas. Tudo silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

O celular bipa. E-mail da dinda Carol.

Volto para o silêncio, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Em observação, no escritório do pai - 13

Hoje é sábado. São 9h26.

Estou no escritório do meu pai, na sala dele, sentada à mesa.

Por aqui, tudo iluminado e silencioso. Portas e janelas fechadas. Apenas o barulho do ventilador ligado.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Em observação, no escritório do pai - 12

Hoje é quinta-feira. São 11h40.

Estou no escritório do pai, na sala de reunião, aguardando meus candidatos para 12h.

A porta que dá acesso à recepção está fechada; a que dá acesso a sala do meu pai está aberta.

Janela fechada, luz acesa, ar condicionado ligado.

Tudo silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado.

A porta abre, Adriana entra.

- Pra você, meu amor.

- Obrigada, Adri, vou pegar.

Meu pai passa pela minha sala.

- Ainda não vou meter a porrada no seu Salles não.

- Tá bom, pai. Fecha só essa porta aí e fala um pouco mais baixo que eu vou entrevistar, tá?

- Tem uma pessoa ali fora.

- Eu sei, vou pegar.

Ele sai e fecha a porta atrás dele.

Agora são 12h23. Estou no mesmo local. Apenas, agora, as duas portas estão fechadas (a que dá acesso a recepção e a que dá acesso à sala do meu pai).

Tudo silencioso, apenas com o barulho do ar condicionado ligado.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Em observação, na La Carmelita

Hoje é quarta-feira. São 22h11. Estou na La Carmelita, na Lapa.

Estou sentada em uma mesa, sozinha, próximo à varanda.

Na minha frente, uma banda toca jazz. Ao meu lado direito, a mesa vazia. Ao meu lado esquerdo, uma mesa cheia, apenas de homens. André, bem próximo a mim, come um calzone de calabresa e conversa, animadamente. O som não permite que eu os ouça. Ele se vira e olha para mim, para minhas pernas, enquanto digito. Lê o que escrevo. Volta, pega mais um pedaço da sua comida. Come. Olha para mim, sorri. Ajeita-se na cadeira. Gargalha. Conversa.

Danilo vem até mim.

- Tchau, tchau, Lua. Apareça mais vezes.

- Tchau, deixa comigo.

Ele se vai.

Todos se levantam. Vão tirar foto.

- Você quer que eu fotografe vocês?

- Você quer vir junto?

- Não, não.

André se foi. A mesa, ao meu lado, agora, está vazia. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

Em observação, na Ultrassonografia Botafogo

Hoje é segunda-feira. São 16h43.

Estou com o André, na Clinica de Ultrassonografia Botafogo que, apesar do nome, fica no Centro.

Estou sentada em uma recepção grande.

Agora são 17h04. André foi chamado.

Estou sentada no mesmo local. Na minha frente, três cadeiras vazias. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira com a mochila do André em cima. Ao meu lado direito, outra parte da recepção.

Algumas pessoas estão sentadas nesta outra parte, mas não consigo vê-las. Uma parte de parede impede minha visão.

Uma senhora passa pela minha frente. É branca, alta, magra, cabelo liso, comprido, avermelhado. Veste calça social cinza, blusa social amarela, da Pólo Ralph Lauren, sapatilha dourada. Usa bolsa dourada e tem uns óculos, também dourado, no alto da cabeça.

A senhora passou pela minha frente novamente.

André voltou.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Quatro crianças

O cenário era o Teatro Odylo Filho, da UERJ. Mais alguns minutos ia começar Carmina Burana. 

Eu e André chegamos cedo, e portanto, conseguimos um lugar razoável, no Teatro que, bem antes que começasse o espetáculo, já estava praticamente lotado. 

Ao nosso lado, chegaram um casal, com três crianças. Três meninas. O casal sentou no mais distante de nós e as crianças, então, ficaram bem perto. 

Pude notar, também, um pequeno sozinho (literalmente) com a sua mãe, na nossa frente. Ela, no smartphone, conversava - e ria, e sorria, e ficava séria, e gargalhava - no whatsapp, enquanto ainda permitia som. Incrível foi que, ainda que o espetáculo tenha iniciado, a moça não saía do whatsapp.

Antes, durante e após o espetáculo o pequeno estava sedento por atenção, por dividir seu mundinho. A espera insossa por um espetáculo nunca passa rápido. E, um espetáculo para adultos, menos ainda.

As meninas, ao meu lado, conversavam - baixinho - desenhavam e tinham alguém para interagir. O pequeno, tinha (tinha?) apenas a mãe, ao seu lado.

Tive vontade de comer um chiclete. De tutti-frutti. Daqueles com líquido dentro. Dos quais eu compro a cada 10 e deixo na mochila.

Não me contive e, ainda que o namorado não tenha dito "sim" nem "não", ofereci o chiclete para as pequenas, ao meu lado. O casal adulto (que, descobri, não eram pais), no outro extremo, foi meu alvo.

- Meninas, vocês querem chiclete?

- Sim!!!!!

- Elas comem chiclete, senhora?

- Você pode comer chiclete, Mariana? Sua mãe deixa?

Mariana fez que sim, com a cabeça. Aquilo era quase um "não aceite" para a pequena, que não era dela. Mariana aceitou. Eu não me intimidei.

- E você, pequeno? Quer um chiclete? É de tutti-frutti! - tentando parecer atraente.

- Ele já comeu chiclete, obrigada!

A mãe respondia, pelo filho, sem olhar para ele nem para mim. 

Ele me olhou de volta, não sei se sedento por um chiclete, ou por um bate-papo. Mas a mãe tinha dito "não" e ele virou-se, de novo, para a frente. Esperava o espetáculo começar, sozinho.

O espetáculo, enfim, começou. O pequeno, em determinados momentos, regia, animadamente, junto com o maestro. Em silêncio, diga-se de passagem. Era a forma dele se divertir. De achar bom. De fazer, daquilo, também, um espetáculo infantil, para ele.

As pequenas, por estarem em grupo, comiam chiclete e desenhavam. 

E eu, ou-via o espetáculo ou-bservava as crianças.

O pequeno sacou uma bala da sua mochila. Não perguntou à mãe. Virou-se para trás e, ainda que não pudéssemos ouvir o som da sua voz...

- Quer uma bala? É de morango! - ele tentava parecer atraente (e educado).

- Não, obrigada. - as três pequenas responderam. Ainda tinham o chiclete na boca. 

Ele olhou para mim, estendeu o pacote de bala de morango, e sorriu. Não precisou dizer nada.

Eu aceitei. Ainda que eu não goste de morango. Eu gostei dele - e do seu carinho. Ele merecia receber um "sim".

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Em observação, no consultório (Centro) - 9

Hoje é quinta-feira. São 7h28.

Estou no consultório do Centro, sentada na poltrona, na sala de atendimento.

Por aqui, portas, janelas e persianas fechadas. A luz e o ar condicionado ligados. Tudo silencioso, apenas com o barulho do ar.