terça-feira, 27 de agosto de 2013

Em observação, no Centro de Diagnose Ocular

Hoje é quinta-feira. São 16h28. Estou no Centro de Diagnose Ocular, em Copacabana, aguardando ser atendida.

Estou em uma área da recepção. Na minha frente, outras seis cadeiras, vazias e uma parede, com uma televisão, ligada no SBT. Atrás de mim, outras áreas da recepção. Do meu lado direito, um corredor, e a entrada da clinica, com uma área com banheiro e bebedouro. Do meu lado esquerdo, Eduardo e sua mãe.

Eduardo tem cerca de 40 anos. Veste calça caqui, blusa social amarela, tênis branco. É branco, alto, cabelo escuro, liso. É barbado. Usa óculos escuros.

Sua mãe deve ter cerca de 65, 70 anos. Usa calça preta, sapatilha preta, blusa rosa. É branca, baixinha e gordinha. Tem o cabelo curto, bem grisalho. Usa óculos. Lê uma revista, destas, de fofocas.

- Vou fechar um pouco os olhos aqui, tá? Tá bom, mãe? O que vai fazer isso. Ruim, né? Que a gente continua sem ver.

- Vamos ver. Vamos sábado. Sábado de manhã.

- Ih, não dá. A senhora também tem, né? Então não vai dar. Então a gente vai sábado.

- Vamos no sábado.

- Ou vai na segunda?

- E vai marcar quando, pra doutora Maria Isabel?

- Pois é, tem que ver.

Uma recepcionista passa pelo corredor, ao meu lado direito.

Eduardo tem as pernas cruzadas e sacode o pé. Olha para mim, através dos óculos escuros.

A mãe de Eduardo continua lendo a revista, concentrada.

Eduardo descruza as pernas. Mexe no cabelo. Batuca as pernas, nervoso. Estica as pernas e sacode os pés. Encolhe as pernas e continua sacudindo, os pés.

A mãe de Eduardo continua lendo a revista, concentrada.

Uma técnica (vestida com jaleco branco) chega até Eduardo.

- Vamos lá novamente? Quer outro lenço?

- Quero.

- Tá tenso, né? Foi?

A técnica pinga colírio nos olhos de Eduardo, que resmunga. Agora, ele tem as pernas cruzadas. Tirou o óculos, enxugou os olhos. Colocou os óculos. Tirou-os novamente. Enxugou os olhos. Olhou para mim. Colocou os óculos. Tirou os óculos, enxugou os olhos. Colocou os óculos. Tirou os óculos novamente.

- Não tira não.

- Tou limpando as beiradas só.

Colocou os óculos novamente. Tem as pernas cruzadas e jogou a cabeça para trás.

Sua mãe continua lendo a revista, imóvel.

Eduardo saculeja as pernas cruzadas. Fungou. Fungou de novo. Tirou alguma coisa do seu bolso direito da calça.

- Esse exame eu vou fazer ali ou aqui?

- Não sei.

Eduardo descruza as pernas, e estica-as.

- Ah, pois é, tem que comprar outro.

Ele conversa com a mãe, de forma que eu não consigo escutar.

- O celular.

- Não, Eduardo, fica quieto.

Eduardo tira o celular do bolso esquerdo da calça, mostra para a mãe, e guarda-o novamente.

Tem as pernas esticadas, e os pés cruzados. Eduardo é um homem alto. Deve ter mais do que 1,80. Funga. Estica e balança os pés. Pigarreia.

Sua mãe continua lendo a revista, imóvel.

- Viu o que a moça falou? Vai dilatar.

A mãe não responde. Nem tira o olho da revista.

- Vai dilatar a pupila, né?

- É.

- Vai ficar maior.

- Sim.

- A pupila é redondinha, é preta, né?

- É.

- É.

Eduardo olha para a televisão, olha para mim, olha para a frente. Descruza e encolhe as pernas. Estica-as. Encolhe novamente.

A técnica passa pelo corredor e entra no hall do banheiro.

- Vou pegar uma água. Quer um pouquinho?

- Não, obrigada.

Eduardo levanta-se e vai até a área do banheiro / bebedouro, onde está a técnica. Eduardo volta, bebendo água. Tem um andar ritmado e pausado. Senta, enquanto bebe água.

A técnica passa pelo corredor, à minha direita.

Eduardo mostra o copo de água para a mãe.

- Não quer água? Quer que eu pegue não?

- Não.

Eduardo se levanta, e volta a área do banheiro / bebedouro. Volta, agora, sem o copo d’água e senta. Pigarreia. Tem as pernas esticadas e os pés cruzados.

A mãe continua a ler a revista de fofoca e sequer olha para o filho.

Eduardo descruza as pernas, ajeita a calça, cruza os pés novamente, com as pernas esticadas.

Uma senhora bem velhinha – cerca de 90 anos – com o neto – cerca de 20 anos – passam pelo corredor, à minha direita.

Eduardo olha para eles passando e olha para a televisão. Saculeja os pés.

A mãe levanta os olhos da revista, olha para a televisão e volta a olhar para a revista (antes que Eduardo puxe um assunto com ela novamente).

Eduardo pigarreia, descruza e encolhe as pernas, para debaixo da cadeira.

A doutora Mariana passa pelo corredor, à minha direita.

- Essa menina é médica daqui.

- Ai, Eduardo. Eu tou me sentindo mal. Não sei não.

A técnica volta.

- Deixa eu dar uma olhadinha no senhor.

- Coloquei os óculos escuros.

- Viu, se salvou. Ta bem dilatadão.

- Até que eu tava gostando.

A técnica sai, rindo.

- Viu, olha como está.

- Nossa.

Eduardo olha o óculos.

- Mas isso é por causa do sol.

- É, mas isso pode sair.

Eduardo, agora, coloca o óculos. Pigarreia. Pega um compartimento no seu bolso, que parece o estojo do óculos.

- Ah, vai ver o grau daqui, né?

- Senhor Eduardo, me acompanha, por favor?

- Vem, mãe.

Ambos se levantam e acompanham a técnica.

(Tchau, Eduardo. Eu teria vontade de ouvir a sua história!)

Estou, agora, sozinha nessa área da recepção. A revista que a mãe de Eduardo lia, jaz, morta, ao meu lado esquerdo. É uma revista de moda: "VOGUE", e uma loira estilosa na capa.

Uma senhora passa pelo corredor, ao meu lado direito.

Uma senhora bem velhinha passa pelo corredor, ao meu lado direito.

Ambas entram no banheiro.

- Senhora Luana?


- Oi, tou indo. Vou fechar aqui.

domingo, 25 de agosto de 2013

Em observação, em cliente

Hoje é quarta-feira. São 9h34, e estou em Vila Isabel, em cliente, aguardando ser recebida. Meu horário é só 10h.

Estou sozinha em uma recepção, sentada em bancos altos (tipo aqueles de bar). São quatro bancos, cinzas, em volta de uma mesa, também alta, preta. Na minha frente, uma parede verde com alguns quadros na parede. Atrás de mim, a porta de entrada da empresa.

Bem ao lado desta parede verde, um corredor, onde escuto os funcionários trabalhando, silenciosos, digitando no computador.

(...)

Um funcionário vem até a recepção.

- Bom dia.

- Oi, bom dia.

Ele veste jeans, All Star azul marinho, blusa cinza. É alto, branco, magro, e tem o cabelo escuro, curto, e usa óculos. Está se servindo de café. Atrás de mim, tem um filtro de água, e máquina de café.

(...)

Um funcionário entra pela porta.

- Bom dia.

- Oi, bom dia.

Ele passa pelo corredor, em direção à parte de dentro da empresa.

- Oi Luana, vamos lá?

- Vamos, vou só fechar aqui.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Em observação, no Sérgio Franco

Hoje é sábado, são 8h26. Estou no Laboratório Sérgio Franco, para fazer exame de sangue.

Estou num box de atendimento, sentada, ao lado do Dario, que me atende.

Do lado de fora, pelo corredor, passam pessoas, para fazer exames e para sair do laboratório.

Dario é negro, cabelo raspado, usa calça jeans preta, blusa social branca, listrada e tênis branco. Tem os olhos grandes e vivos. Ele digita no computador. Tosse. Digita no computador. Pega meu pedido de exame. Digita no computador. Ele põe a mão na boca e tosse. Estica as pernas.

- A senhora faz uso de algum medicamento? Peso? Altura?

Ele pega meus exames, levanta e sai do box de atendimento. Volta com os meus pedidos de exames e senta ao meu lado, novamente. Anota alguma coisa no pedido do exame, no verso.

- A senhora assina para mim, por favor?

Continua digitando alguma coisa no computador.

- Aqui, só aguardar ali na outra recepção. Pode guardar seus documentos. Vai precisar só da sua identidade.

Estou, agora, em outra pequena recepção. Do meu lado direito, duas cadeiras vazias. Na minha frente, um corredor por onde passam as pessoas, do laboratório e os pacientes. Do meu lado esquerdo, uma senhora sentada sozinha. Tem cerca de 70 anos. Veste uma calça estampada rosa e preta, blusa rosa, casaco branco, sandália marrom, e bolsa preta. É branca, tem o cabelo castanho claro, e é séria. Aparenta ser triste e/ou mal humorada.

Uma moça da clínica passa pelo corredor.

Uma moça vem entregar algo para ela.

- Ah, obrigada.

Ela guarda o que a moça lhe deu. Coça a testa, funga. Permanece imóvel.

Uma senhora passa pelo corredor.

A senhora sentada batuca o pé esquerdo. Tosse.

O nome dela é dona Elizabeth. Alguém a chama e ela vai, vagarosamente, carregando uma bengala e andando com dificuldades. Andando, ela aparenta ter mais idade do que tem.

Estou, agora, sozinha nesta recepção.

Uma senhora passa pelo corredor e senta onde, antes, estava sentada a senhora Elizabeth. Usa calça comprida azul, blusa azul listrada com branco, casaco cinza chumbo, sapatilha preta e bolsa branca. Levantou e saiu.

Ao meu lado, esquerdo, sentou agora uma senhora. Uma calça jeans, blusa vinho, casaco cinza, e sapatilha beje. Usa uma bolsa preta e carrega um livro. Cruza as pernas e começa a ler o livro. É bem magra, baixinha, branca, e tem o cabelo branco, bem curto, rente à cabeça; usa óculos. É bem séria e concentrada na sua leitura. Aparenta ter entre 40 e 50 anos. Talvez 60 e seja bem conservada. Le o livro sem se mover.

- Senhora Luana Zanelli!

- Oi, tou indo!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Em observação, no COB

Hoje é terça-feira. São 18h32. Estou no COB (Centro Oftalmológico de Botafogo), aguardando ser atendida.

Estou na recepção, sentada na primeira (de quatro) fileiras de cadeiras. Cada fileira tem quatro cadeiras confortáveis. Estou na primeira, mais próximo da parede.

Na minha frente, uma parede cor de terra, com uma televisão ligada na Globo, e uma planta de chão. Do meu lado direito, parede. Do meu lado esquerdo, três cadeiras vazias, a entrada da clínica, e a recepção, com um alto balcão. Atrás, as salas de atendimento. Atrás dessa parede, um pequeno corredor, em direção a uma outra recepção, com cadeiras.

Uma moça passa por mim. Usa calça jeans e casaco beje. Vai em direção a esta outra recepção.

Uma outra moça passa por mim. Vai em direção a esta outra recepção.

Um senhor passa por mim e olha para mim. Anda em direção às cadeiras, aqui atrás.

Uma senhora passa por mim, e o senhor que sentou aqui atrás acompanha-a. Ambos saem da clínica.

- Boa noite.

Uma senhora entra na clinica. Parece uma funcionária, pois está uniformizada. Passa por mim em direção as salas de atendimento.

São 18h42. Fui chamada e troquei de recepção, para um local mais “interno” da clínica.

Estou, agora, em uma recepção, com cinco fileiras de três cadeiras cada. Estou na primeira fileira, primeira cadeira, mais próxima do corredor.

Na minha frente, uma parede branca e azul com uma porta e a televisão ligada na Globo. Do meu lado esquerdo, duas cadeiras vazias. Do meu lado direito, um vão que dá acesso a outra recepção. Atrás de mim, outras quatro fileiras de três cadeiras cada, e ao outro lado da clinica como um todo (a entrada, a outra recepção e as salas de atendimento).

Uma moça – que parece funcionária da clinica – sai da outra recepção e passa por mim, em direção ao outro lado da clínica.

- Luana?


- Oi, tou indo. Vou só fechar aqui.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Em observação, na Estácio de Sá

Hoje é sexta-feira, são 9h01. Estou na Estácio de Sá, campus Menezes Cortes, para o evento da Fundação Mudes.

Estou em um auditório, com cerca de 100 ou 200 lugares. Estou na terceira fileira, primeira cadeira, bem ao lado do corredor.

Na minha frente, não tem ninguém. Na terceira cadeira à minha esquerda, um rapaz que mexe no celular. Ele veste calça jeans, sapato social preto, blusa pólo listrada branca, azul e vermelha. Tem menos de 30 anos e é mulato, magro e baixo. Olhou para mim agora, já que eu estava olhando para ele. Voltou a olhar e a mexer no celular.

Ao meu lado esquerdo não tem ninguém. Duas cadeiras após mim, chegou uma moça.

- Estou sozinha. Onde é o toalete?

Ela deixou suas coisas ao meu lado e saiu novamente.

Ao meu lado direito, do outro lado do corredor, um rapaz, de cerca de 32 anos. É mulato, alto, um pouco gordinho. Veste calça social beje, sapato marrom, blusa social rosa claro. Tem o cabelo curto, usa óculos e tem o olhar simpático. Mexe no celular.

Uma moça passa por mim e senta na minha frente ao lado esquerdo. Usa calça jeans, sapato social vermelho, blusa de malha branca, cinto (desses grandes) vermelhos. É loira, cabelo curto e liso e usa óculos. Está ajeitando as bolsas que ganhou com os brindes. Veio com uma bolsa verde água e colocou-a junto com as bolsas de brindes ao seu lado esquerdo. Mexeu no cabelo, ajeitou a blusa e a calça e olha para a frente.

Uma moça passa por mim, e senta no final da minha fileira, junto com outra que lá está.

Uma moça passa por mim e senta exatamente na minha frente. Usa calça social beje, blusa social beje (conjunto), sapato preto. Tem cerca de 40 ou 50 anos. Tem uma bolsa preta, combinando com o sapato. É branca, magra, baixinha e tem o cabelo vermelho, alisado.

A moça que estava ao meu lado esquerdo retornou. Veste calça jeans escura, sandália alta preta, blusa social quadriculada. Tem cerca de 40 anos, e é branca, loira, cabelo curto e liso. Está ajeitando as bolsas de brindes.

- Pode botar aqui.

- Obrigada.

- Nada.

- Só estou ajeitando.

- Tá bom.

É ela conversando com a moça do lado, que, no caso, sou eu.

Ela coloca as bolsas de brindes na cadeira ao lado da minha, onde deixei minhas coisas em cima. Ajeita sua bolsa e pega algo dentro dela.

O rapaz ao meu lado direito fala, agora, ao celular.

A moça da minha frente tem o rosto muito bonito, expressivo. Ela olha para trás e parece procurar por alguém. Vira para a frente.

A moça ao meu lado esquerdo coloca sua bolsa preta na cadeira, ao lado das minhas coisas.

- Se vier alguém a gente tira, né?

- Claro...

Ela, agora, mexe no celular.

A moça da frente permanece imóvel.

O rapaz ao meu lado direito agora mexe no celular.

A moça da frente se ajeita na cadeira e se inclina para a frente.

A moça da esquerda olha suas unhas pintadas de vinho e coça o braço. Apóia a cabeça na mão, olha ao redor, anota alguma coisa no caderninho que está sobre a sua mesa.

A moça da minha frente se levanta e pega as suas coisas, levanta e sai. Resolveu trocar de lugar, e foi para longe.

A moça do meu lado esquerdo voltou a mexer no celular.

Agora, onde antes estava sentada a moça que trocou de lugar, sentou um rapaz. Veste calça social cinza, blusa social branca, óculos de sol no alto da cabeça. Aparenta ter cerca de 30 anos. É branco, baixinho e um pouco gordinho, desses fortinhos. Ajeita suas coisas dentro da sacola de brindes.

A moça ao meu lado esquerdo continua mexendo no celular e, agora, usa óculos para visualizar as coisas dele. Fecha o celular e olha em volta. Se coça, olha para a frente. Ela tem o olhar perdido, para a frente, para o nada.

O rapaz ao meu lado direito parou de mexer no celular e está com a cabeça apoiada na mão, olhando para o seu lado direito. Agora, voltou a mexer no celular.

A moça do meu lado esquerdo também voltou a mexer no celular.

Tão estranho não saber o nome das pessoas e chamá-los de “moço” e “moça”.

O rapaz do meu lado direito parou de mexer no celular, e olha para o seu lado direito, com duas pessoas conversando. Ele começa a conversar com a moça sentada ao seu lado direito.

A moça do meu lado esquerdo parou de mexer no celular. E voltou a mexer no mesmo.

O rapaz da minha frente olha para o lado direito e volta a olhar para baixo. Não sei o que ele faz (não consigo ver), mas parece estar mexendo no celular. Volta a olhar para o seu lado direito e volta a olhar para baixo.

Descubro, por ouvir uma conversa ao meu lado, que foram 300 ou 400 inscrições. Será que aqui tem 300 ou 400 lugares?

O rapaz da minha direita tirou o óculos e continua conversando com a moça ao seu lado direito.

O rapaz da minha frente olha para baixo e para o lado, consecutivamente.

A moça ao meu lado esquerdo ajeita a sua roupa, ajeita a sua bolsa, olha para a frente e balança as pernas. Olha para as pessoas que estão chegando e passando.

Um rapaz senta ao meu lado esquerdo, exatamente ao meu lado. Seu nome é Rodrigo. Usa calça jeans, tênis branco e blusa polo preta. Fala ao celular, mas não consigo ouvi-lo.

- Qualquer coisa você me liga. Eu posso na parte da tarde, tá?

Ele fala com o rapaz na sua frente, algo que não consigo ouvir ou entender. Ele desliga o celular, pega um bloquinho dentro da bolsa, junto com a caneta.

Ele puxa a mesa da cadeira, coloca as coisas sobre ela e me pergunta:

- Vai te atrapalhar?

- Não, jamais.

A palestra começa, e eu vou desligar tudo aqui. São 9h38.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Em observação, no doutor Sérgio

Hoje é quinta-feira. São 9h07. Estou no Edifício da Avenida Central, no consultório do doutor Sérgio Cordeiro, meu ortopedista.

Estou sentada na recepção, onde tem duas fileiras de seis cadeiras cada. Estou na primeira cadeira (à esquerda) da primeira fileira. Do meu lado esquerdo, duas salas de atendimento (uma delas é a do doutor Sérgio). Do meu lado direito, mais duas salas de atendimento, a recepção e a entrada da clínica.

Ao meu lado direito, duas cadeiras vazias e, nas outras duas cadeiras, dois rapazes sentados. Parecem representantes comerciais de medicamentos. O exatamente ao meu lado levantou-se agora. Usa uma calça social preta, sapato marrom, blusa social branca, de manga comprida, por dentro da calça.

No total, existem quatro representantes comerciais, que, agora, permanecem de pé, conversando, animadamente, entre eles e com as recepcionistas, que são duas e estão dentro do balcão. Um deles se chama Renato. O outro se chama Fabricio. Os outros eu não sei o nome. Renato sentou atrás de mim e eu não consigo vê-lo mais.

Não consigo ouvir as conversas deles, pois estão relativamente longe de mim, e porque falam todos ao mesmo tempo! E riem, e se sacaneiam. Todos devem ter uma média de 30 anos, estão vestidos socialmente, e carregam aquela "pasta-gorda", acoplada a um carrinho.

Mais próximo a mim está um deles – que não sei o nome – que está de pé.

- O cara que corre, igual a gente, vai atrás. Ele falou assim... vamos falar de coisa boa agora?

Um senhor sai do consultório do doutor Sérgio, passa por mim, e sai da clínica.

- Luana? Próxima porta à esquerda! 

- Obrigada, vou só salvar aqui.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Em observação, no doutor Simonides

Hoje é dia 05 de agosto. São 16h46. Estou no consultório do doutor Simonides (alergologista) em Botafogo.

Estou sentada num sofá, na recepção. Do meu lado direito, a entrada da clinica, com a porta que dá acesso à rua (isso aqui é uma casa). E, existe uma outra recepção menor, com uma escada, com acesso às salas de atendimento. Do meu lado esquerdo, a recepção, com duas recepcionistas (não consigo vê-las, pois o balcão é alto), e uma varanda (um espaço aberto), com outras salas. E, na minha frente, algumas cadeiras. Acima de mim, a televisão passa Garfield, o filme.

Dois rapazes na recepção. Um sentado, na minha frente. É alto, gordinho, veste calça jeans preta, blusa pólo lilás, listrada, tênis cinza, e mexe no celular. Aparenta menos de 30 anos.

Outro rapaz, de pé, no balcão da recepção, no telefone fixo da recepcionista. Não consigo ver a roupa que usa.

- E pra agora, minha situação aqui, corrente? Vocês têm que? Elas que vão ter que ligar pra Unimed Rio? Elas estão falando aqui que não podem ligar não. Só passar a validade? Qual a validade da minha próxima carteira? É. Ah, tá. 16/07/2015. Precisa de minha alguma coisa? Só isso? Só isso só querida? Você me envia o cartão novamente? Tá ok. Obrigado. Ah, tá. Obrigado. Tchau.

Ele desliga o telefone.

- Tem como botar o celular ai pra carregar, que eu tou sem bateria? Ah, eu tou sem carregador. Pode botar aí. Obrigado.

Entra uma senhora.

- Boa tarde.

O rapaz pega o carregador da recepcionista, senta na minha frente, também, ao lado do rapaz de blusa pólo listrada. Agora vejo sua roupa: usa bermuda verde, camiseta preta, estampada, e chinelo havaiana, branco. É barbado. Tem cerca de 30 anos. O outro rapaz, ao seu lado, guarda o celular e estica as pernas, vendo o filme infantil na TV.

O rapaz que estava ao telefone, agora, sentado ao lado do outro, mexe no seu celular, concentrado.

O outro rapaz encolhe as pernas e cruza os braços.

A senhora passa na recepção e sai.

- Tchau, boa tarde.

Uma senhora passa na recepção e pára no café, ao meu lado. Nem tinha visto essa mesinha de café logo aqui, ao meu lado.

Um senhor entra na recepção e pára no balcão.

- Doutor Simonides? Estou. José Andrade. Tem muita gente na frente? Três na frente? Eu vou lá fora. Posso deixar aqui?

Ele guarda uma sacola, com exames, do lado de dentro da recepção. É um senhor de cerca de 50 anos. Veste jeans claro, blusa social azul e branca (parece quadriculada) e sapato preto. Ele sai da clinica, em direção à rua.

O rapaz continua a assistir o Garfield; e o outro não pára de olhar o próprio celular. As duas recepcionistas trabalham, silenciosas. O rapaz que vê TV coça o nariz e o cabelo. Cruza os braços. Olha para o chão, ao seu lado.

O outro tira o olho do celular e olha para o filme. Cruza as pernas. Continua mexendo no celular. Olha para a tomada, na parede.

O outro estica as pernas, pega o celular no bolso e começa a mexer no celular, sorrindo, e esticando as pernas.

O outro coça o cabelo. Mexe nas revistas próximas a ele.

Ambos mexem nos seus celulares. O rapaz de blusa pólo listrada guarda o celular e cruza braços e pernas e continua a ver o filme.

Uma recepcionista sai do balcão e vai até a porta, abrir a porta para um senhor. Ele entra e senta, também na minha frente. A recepcionista volta para dentro do balcão.

O senhor que entrou agora tem cerca de 68 anos. Usa calça jeans clara, blusa de malha (tipo Hering) cinza, sapato marrom, sem meias. Cabeça branca, com vasto cabelo. Aparenta ser meio índio / japonês. A pele morena, os olhos puxados. Tem as pernas cruzadas. Tira meleca do nariz, enquanto olha o filme.

Um casal entra na recepção, com uma menina. Eu conheço essa mãe, de algum lugar, não sei bem da onde. Ela pára ao meu lado e serve café para ela e a criança. Ela – a mãe – senta bem à minha frente, ao lado do senhor índio / japonês. A criança vai até a mãe.

- Quer sentar com ela aqui?

- Não, senhor, pode ficar aí.

- Olha aí, filha, o que tá passando? Garfield.

A recepção, agora, está cheia. A mãe veste calça verde, blusa branca. A criança está sentada no colo dela. A menina tem cerca de 10 anos. Veste uniforme de escola. O pai permanece em pé.

Já sei da onde conheço essa moça! Ela não deve ter me reconhecido, já tem tempo que estivemos juntas.

O pai, a mãe e a criança conversam. A menina no colo da mãe, o pai passeando pela recepção, andando.

Uma moça entra na recepção e pára no balcão.

A criança levanta do colo da mãe e fica dançando, pela recepção. Eventualmente, a menina vai até ela, e elas se beijam. A criança vai até o pai, vem até a mãe. Senta ao lado do senhor (do lado oposto da mãe, com o senhor entre elas). Sai do local, vai até a mesinha e procura umas revistas. A mãe da criança me olha.

Uma moça – que parece médica, pela roupa que veste – vem até a recepção e cumprimenta o senhor índio japonês.

- Tudo bem, Paulo? Cinco foi a outra semana.

Ambos ficam em pé e conversam.

- Ah, quem sabe? Eu vou ligar pro... Ele ainda não chegou. Se ele for atrasar, eu te antecipo. Deixa eu dar uma ligadinha pra ele, tá?

Ela é uma das médicas da clinica. Ela sai da recepção e o senhor Paulo (agora sei o nome dele!) permanece de pé.

A recepcionista sai do balcão e retorna.

A médica volta, com o celular na mão, tentando falar com alguém.

O rapaz que, antes via o filme, agora fala no celular.

- Oi, tou. Tou. Não sei, por que? Tou. Por que? Uhum. Hum.

A médica volta, fala com o Paulo, e ele sai. E ela entra.

Um rapaz entra na recepção. A recepcionista sai da recepção.

A médica passa por mim e me olha digitando no netbook.

O rapaz que antes estava na recepção senta ao meu lado.

O rapaz que estava no celular (aquele, de pólo listrada) chama-se Mateus e subiu, para a consulta. Foi chamado. Descobri seu nome

O casal, agora, com a filha, senta junto. A mãe me reconheceu, mas não nos falamos. Percebi no olhar que cruzamos. Ela está sentada bem à minha frente. A filha está sentada entre o casal.

O pai, que eu não tinha visto, veste uma bermuda beje, uma blusa branca e um casaco preto, e tênis preto.

- 23 anos.

- Não. Esse aqui.

- Não, isso tem uns 49, 57.

- 45. Voltou a usar heroína após três anos.

Pai, mãe e filha conversam sobre personagens da TV na revista.

Uma moça entra na recepção, vai até o balcão, e senta ao lado da mãe da criança. Logo ela é chamada, levanta e sobe.

O rapaz que está sentado ao meu lado usa uma bermuda de linho beje, uma blusa de malha branca, e uma sandália de couro. Ele olhou para a minha tela, mas não me leu. Sabe olhar perdido? Ele usa óculos, até.

A menina conversa com o pai. E a mãe, também, mas menos.

O outro rapaz está com o celular carregando, e não tira o olho dele. Redes sociais?

A médica sai do balcão da recepção.

- Ela é a próxima? Tem quantas pessoas na frente? Três? Dá tempo de eu ir na rua e voltar? Mais ou menos quantos minutos? Quer ir com mamãe?

- Quero.

- Pode ir.

A mãe levanta.

- Viu, a Beth Carvalho, ficou internada. Negócio de coluna eu acho.

- Coitada.

A mãe sai com a criança. O pai fica sentado.

Agora, o pai lê revista, sozinho e silencioso, e o rapaz no celular carregando, o tempo todo.

O rapaz que estava sentado ao meu lado chama-se Leonardo e é chamado e vai em direção a varandinha.

Agora, estamos eu e os dois rapazes: o que não tira o olho do celular e o pai da criança, que não pára de olhar para a revista. Ele tem as pernas cruzadas. Coça o rosto. Olha para trás.

O Mateus (o rapaz da pólo listrada) volta para a recepção, e pára no balcão.

O Leonardo (o que estava sentado ao meu lado) passa pela recepção e sai.

A recepcionista passa pela recepção e entra no balcão.

- Luana? Pode subir. Consultório dois!

- Oi, tou indo. Deixa eu só salvar aqui. Obrigada.

(São 17h20).

[Exceto pelo médico, todos os nomes dos personagens fotografados são fictícios].