sábado, 13 de julho de 2013

Em observação, no Labs Dor

Hoje é dia 13 de junho. São 8h51.

Estou no Lab’s Dor, no Centro, aguardando meu exame.

É uma recepção grande, com vários ambientes. Na minha frente, uma pequena recepção e mais cadeiras. Mais à frente, um balcão, com água, café e biscoitos. Ao meu lado direito, mais três cadeiras, e a entrada do local (com a porta de vidro, que dá pros elevadores). Ao meu lado esquerdo, os guichês para atendimento. Bem atrás de mim, mais cerca de 30 cadeiras. Bem à minha frente, é um local de passagem das pessoas.

Sentado ao meu lado direito, um rapaz com a perna quebrada. É moreno, cabelo preto, curto. Veste uma bermuda florida, uma blusa azul e chinelo.

Na minha frente, uma moça, branca, cabelo ruivo, usa bermuda jeans, blusa social de manga comprida, xadrez e chinelo cinza.

Um menino passa ao meu lado esquerdo. Usa bermuda beje, blusa vermelha e boné vermelho.

Uma senhora passa na minha frente. Uma outra moça passa na minha frente. E outra moça também passa na minha frente. E uma moça passa na minha frente. E a faxineira passa na minha frente e sai.

Um senhor entra e o pára na recepção. Ele vem andando vagarosamente. Usa bermuda xadrez, blusa azul marinho e chinelo.

O atendente passa na minha frente e entra no seu guichê, à minha esquerda.

Um senhor passa na minha frente. Uma moça passa na minha frente. Uma senhora passa na minha frente. Três senhores passam na minha frente. Duas senhoras saem. Uma senhora passa na minha frente. A faxineira sai. O atendente sai.

A menina ruiva na minha frente olha para mim.

Um senhor passa na minha frente.

O rapaz ao meu lado vê TV.

A atendente passa na minha frente.

- Li Carlos de Araujo!

Um senhor levanta e sai.

- Vamos lá, seu Li?

- Vamos.

O rapaz ao meu lado se coça enquanto assiste TV, sério.

A menina a minha frente, mexe no celular, séria.

Uma moça passa na minha frente.

Um senhor passa na minha frente.

- Obrigado. Tem que pegar senha?

Duas moças passam na minha frente. Uma delas usa jeans, casaco branco e sandália marrom. É branca, loira, cabelo comprido e liso.

Uma senhora passa na minha frente.

A recepção a minha frente está cheia agora.

Uma senhora passa por mim e fica de pé, ao meu lado. (Será que ela consegue ler o que escrevo?). É branca, gordinha, grisalha e meio aloirada. Usa calça roxa, blusa cinza, sandália azul marinho. Ia sentar ao meu lado, mas desistiu (que bom!). Sentou do outro lado do rapaz de perna quebrada. Existe uma cadeira vazia que nos separa, onde a moça grisalha-loira iria se sentar.

O rapaz, ao meu lado, parou de se coçar e continua vendo TV, sério.

A menina à minha frente continua no celular.

Uma senhora passa ao meu lado e senta atrás de mim.

Um senhor passa na minha frente. Ele sai. Pára no balcão.

Uma moça sai.

Um senhor, agora, passa ao meu lado.

O rapaz ao meu lado, agora, parou de ver TV e observa as pessoas na recepção, comigo.

A menina à minha frente continua no celular, séria.

Uma senhora passa ao meu lado.

O atendente passa na minha frente e pára no guichê.

A senhora que passa ao meu lado, sai.

A menina à minha frente pára de mexer no celular e observa as pessoas na recepção.

E o rapaz ao meu lado volta a assistir TV.

Um senhor passa na minha frente e senta ao meu lado (entre eu e o rapaz). Parece o pai dele. Usa jeans, blusa pólo amarela (dessas fluorescentes) e tênis preto.

Uma moça passa na minha frente.

O senhor ao meu lado levanta e vai à recepção.

Um senhor passa na minha frente e sai.

O senhor ao meu lado volta e senta, ao lado do rapaz.

- É, eu falei errado. - ele murmura.

Percebo que o rapaz ao meu lado é mudo! O pai e o filho conversam por gestos. (Não sei se são pai e filho, mas finja que são). Gosto desse silêncio não-falado. Gosto desse silêncio conversado. O pai murmura enquanto conversa - silencioso - com o filho. 

Três senhores passam na minha frente e param no balcão.

O senhor, ao meu lado, está com as pernas esticadas; agora, dobradas. Tirou a carteira do bolso e guardou documentos. Colocou-a no bolso novamente.

Uma senhora passa na minha frente.

Um senhor sai.

A menina sentada à minha frente levanta.


São 9h06. 

- Luana Zanelli?!

- Sou eu. Deixa eu só desligar aqui o computador, rapidinho?

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