sábado, 12 de dezembro de 2015

Em observação, no salão Ale Coiffeur - 6

Hoje é sábado. Estou no salão Ale Coiffeur.

Estou sentada fazendo unha.

Ao meu lado direito, uma cadeira vazia. Na minha frente, Ana faz minha unha. Ao meu lado esquerdo, uma mulher.

A Ana é mulata, magra, baixa.

- É verdade. É verdade. É. A gente está sempre se levantando. Alto astral, né? É só não se entregar, né? A vida já é tão curta. Agora mesmo fui a Brasília só pra participar de três festas. Festa de família. Festa de 60 anos, festa de 72 e um halloween. Tinha 150 pessoas. Na casa da minha prima. Tem um filósofo francês que diz que quem não tem história pra contar não viveu a vida. Tem o esposo da minha prima que é fantástico. Mas ele é muito equilibrado. Um homem de 74 anos, e ele é alegre. Ontem liguei pra ele e ele falou que saudades, quando é que você volta?

- Será que mudou o cardápio aqui no sábado? Ah não.

- Ah, eu amo. Carne moída, um puré, uma salada. É. E são gostosas. Esse aqui? Melancia. Eu gosto de olhar a mão das pessoas, esse rosinha dela. Eu vou colocar vermelho. Os outros tem que passar alegria né? Coisas boas.

- Relaxa, gata. Se não, paro de lixar. Vê como você relaxa? Palhaça. Fala Luana?

- Nada.

- Né nada. Me dá o pé.

- É, eu gostaria. Eu fui na endócrino, ela já me receitou vitamina. Eu fiz até biópsia. Quando eu chego de viagem, eu faço meu check-up. Lá em SP eu fico em Santana. Meu filho é piloto da aeronáutica. Obrigada. Já é coronel. Tem 47 anos. Não. Tem a outra filha. A outra filha tem 45. Seis netos. Verdade. É. Fiquei viúva cedo. Não, Deus me livre. Tive um bom casamento. Tive namorado. Falava em casamento, eu saía fora. Tá. Obrigada. Mas que simpática essa cor. Um vermelho suave. Estão sempre lançando cores novas. Sinal de que está saindo bastante. Eu não acho bom. É só nome. E estava vencido, desde 2011, e tudo nas bolsinhas, tive que jogar tudo fora. Não, é perigoso.

- Olá. Tá tão quietinho. Ah é? Tá só escutando a gente falar, né? Ainda bem que a gente não está falando mal de você... Dá pra fazer a mão agora, Tânia, quer?

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