domingo, 10 de março de 2013

Fotografando gentinhas

Ontem fui ao CCBB, com um amigo muito querido.

- Você é minha melhor amiga - ele disse.

Eu fiquei lisonjeada e feliz. Agradeci e fiquei feliz com o amor. É recíproco.

Apesar de estar passando uma exposição que eu gostaria de assistir, fomos apenas tomar um café. Havia anos que eu não ia ao CCBB, quiçá para tomar um café.

Pedimos os nossos cafés e salgados, e sentados nos degraus de uma escada, ali próximo. (Anotação de bordo: adoro sentar em chão / escada, e observar as pessoas).

Na nossa frente, tinham crianças - e seus pais - em uma pequena fila, que dava num "muro" preto, com um retro-projetor. O retro "filmava" a criança se movimentar e projetava, numa tela "de cinema", à sua frente, o Menino Maluquinho (sim, o do Ziraldo) imitando os movimentos da criança. 

O Menino Maluquinho é da minha época, que tenho 34 anos. Eu lia os livros, ria, me emocionava. Já fui a Bienal do Livro, com a minha (falecida) mãe, e o Ziraldo já autografou alguns livros pra mim. Essas crianças pegaram a segunda (?) geração do Menino. "O cara com a panela na cabeça", como eu ouvi por ali.

E o retro-projetor, era inteligente: quanto menor a criança, menor o Menino. Quanto maior, maior o Menino era projetado. Era como um espelho, só que do outro lado, aparecia o cara com a panela na cabeça.

E as crianças testavam seus próprios movimentos. Algumas chegavam, tímidas, mexendo apenas a cabeça, de um lado pro outro. Outras, pulavam. As que davam tchau (e o Menino acenava), riam de volta. 

Os pais, fotografavam os filhos, riam com eles, deles, e para eles. 

E as crianças ficaram, ali, interagindo com o Menino Maluquinho. 

Eis que um pequeno veio em nossa direção. Não tinha mais de 3 anos.

- Oi?

Ele aninhou-se nas pernas do pai.

- Você quer um salgado?

Os olhinhos brilhantes voltaram e sorriram para mim.

- Você já foi ali, brincar no Menino Maluquinho?

O menino deu um passo na minha direção, saindo das pernas do pai.

E o pai apenas pegou o menino (o seu pequeno, não o Maluquinho) no colo, e tirou-o de perto. Ambos perderam-se no espaço das crianças. O pequeno, no seu colo, sequer pôde dar tchau pro cara de panela na cabeça.

Um comentário:

  1. Eu eu sentada num banquinho, rente ao chão... de papo ali no banheiro... (Anotação de bordo: adoro sentar em chão / escada, e observar as pessoas)

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