segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Em observação, na Cortrel - 4

Hoje é segunda-feira. São 12h35.

Estou na CORTREL, no Leblon, na recepção.

Ao meu lado direito, uma cadeira vazia. Ao meu lado esquerdo, uma cadeira vazia. Na minha frente, uma mulher. Ela é branca, magra, alta. Tem o cabelo loiro, liso. Usa óculos. Usa um vestido, longo, estampado, uma sandália bege, uma bolsa marrom, sobre o colo. Mexe em papéis dentro da bolsa. Ela levanta e senta ao meu lado esquerdo.

- Ah, é? É...

Continua mexendo nos papéis, dentro da bolsa.

- Eu vou aqui na farmácia, vou aqui na Vivo aqui em frente. Eu queria ir com você no cantinho do Leblon.a gente tem que marcar a ressonância. A gente tem que ir no DETRAN. Tem que ir com você. Não, diz que você chegou aqui e foi roubado. Inventa outra coisa. Tem. Praia. Ir à praia.

Ela se coça e conversa com um homem, ao seu lado.

- É, tem que ir. Identidade. É. Identidade. Entrevista... E a sua carteira. É. Então vamos, né?

Ela levanta-se e sai.

Agora, ninguém ao meu lado direito, nem esquerdo, nem na minha frente.

Um homem senta na minha frente. É branco, alto, magro, cabelo grisalho. Veste uma bermuda jeans, blusa preta, estampada, chinelo havaianas, óculos escuros preso na blusa e mexe em um celular, iPhone.

Meu celular bipa algumas vezes. Mensagens de whatsapp.

O homem olha para trás, levanta e sai.

Agora, ninguém ao meu lado direito, nem esquerdo, nem na minha frente.

Meu celular bipa algumas vezes. Mensagens de whatsapp.

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