domingo, 29 de dezembro de 2013

Em observação, na Máxima Segurança do Trabalho

Hoje é segunda-feira. São 9h11. Estou na Máxima Segurança do Trabalho, em São Gonçalo.

Estou em uma recepção grande, com várias cadeiras. Na minha frente, um balcão alto, com duas atendentes. Ao meu lado esquerdo, um pequeno corredor, onde as pessoas passam.

Ao meu lado direito, um rapaz sentado. É alto, magro, negro. Tem o cabelo preto, curto. Veste calça jeans preta, blusa pólo verde, tênis preto e mochila cinza. Está conversando com uma moça ao seu lado direito.

- Ele ia voltar lá? Não quis voltar na hora não? Só riu?

Um rapaz passa no corredor, ao meu lado.

- Mas não quis voltar não?

O rapaz ao meu lado ri.

- Acontece. Vou te falar, que parece tradição, tem que tomar um susto desse logo no começo, pra se acostumar. Eu sou do Rio, não sou de São Gonçalo não.

Um senhor passa no corredor, ao meu lado. É branco, baixo, magro. Barbado e usa óculos.

Um senhor passa no corredor. Uma senhora passa no corredor. Outro senhor passa no corredor. Outra senhora passa no corredor e olha para mim.

- Depois a menina veio no carro e falou com a gente. A menina veio no carro e falou com a gente. Entendeu? Ele veio no carro, e falou comigo. Você vem aqui a tarde, a partir das três.

O rapaz ao meu lado, agora, está de pernas cruzadas.

- O cara falou também e ela falou. Vai ficar na correria lá, até esperar, pra ver as coisas acontecer. Só pra entregar os documentos. Não vai fazer mais nada não. É só pra entregar a documentação. Mas ela falou isso. Tem o telefone? Tem como você ligar pra lá?

Um senhor passa ao meu lado, no corredor. Outro senhor passa ao meu lado, no corredor. Uma senhora passa ao meu lado, no corredor. Uma senhora passa ao meu lado, no corredor.

- É perto do Supermarket, e vai embora.

Uma senhora passa ao meu lado, no corredor, falando ao celular.

- Eu posso ir pra Alcântara, pegar o trinta. E pego naquela pista, pra Vista Alegre, e vou andando ali mesmo. Ah, tá louco. É um pedaço, cara. Naquele dia eu sofri, cara. Eu sofri. Já cheguei e fui. Eu cheguei lá. Eu cheguei 10h30. Tu viu quando eu entrei. Deu bom dia e eu fui direto no bebedouro beber água.

Mauricio passa ao meu lado, no corredor.

O rapaz ao meu lado cruza os braços e ri.

- Tou vendo que vamos sair daqui tardão. Festinha de final de ano. E que que tem? Te conheço, você me conhece. Vai junto. Chega lá, a gente se mistura. Vão ser dois sem vergonha sem ninguém. Pelo menos conheço um ou dois. De conhecer dentro de loja. E a gente pode ir mesmo, se misturar. Vai ganhar sexta-feira, pra trabalhar. É ruim, vai nada. De repente ganha. Os caras não pensam coisa pequena não. Só pensa coisa grande. É só da Marinha. Melhorar, tomara. Deixa eu te falar, no começo eu falava muito, e ai ia desapegando, desapegando, desapegando. Hoje em dia eu sou safu. Minha empresa, a Itaipava é longe pra caramba, e os caras não dão uma cesta pros funcionários, não pagam uma festa pra funcionário. É tudo muito fraquinho. Tanto, tanto, tanto. Agora que eu sai, eu tou meio assim.

Uma senhora passa ao meu lado, no corredor. Uma senhora passa ao meu lado, no corredor. Duas senhoras passam ao meu lado, no corredor. Uma senhora e um senhor passam ao meu lado, no corredor.

O rapaz ao meu lado, agora, não tem mais as pernas cruzadas. Olha para a menina ao seu lado direito. Cruzou as pernas.

Aline passa ao meu lado, no corredor.

O rapaz ao meu lado descruzou as pernas.

Michele passa ao meu lado, no corredor.

Naila passa ao meu lado, no corredor. É branca, alta. Uma senhora passa ao meu lado, no corredor. Um senhor passa ao meu lado, no corredor.

- Aí eu mandei o curriculo, mas eu tava sem o Word, na época. Mas era pra ter enviado em anexo.

Um senhor passa ao meu lado, no corredor.

- Só que na quarta-feira, ele me ligou. Eu já tava em Alcântara, indo pra casa.

Uma senhora passa ao meu lado, no corredor. Um senhor passa. Uma senhora passa ao meu lado, no corredor.

O rapaz ao meu lado

- Falou muito bem de você...

Uma senhora passa ao meu lado, no corredor. Leonardo e Priscila passam ao meu lado, no corredor.

O rapaz ao meu lado, agora, está com as pernas cruzadas.

- Não vai chamar, não vai chamar, não vai chamar. Calma que demora assim mesmo. Eu tava na loja, trabalhando, maior correria, o telefone toca. Dentro do depósito. Alo? É o Cesar. Vem aqui, amanhã. Feriado. Dia 20. Falei, fui. Fui no feriado, quarta-feira. Ai cheguei lá. Fiz uma prova. Tem a dinâmica.

O nome do rapaz ao meu lado é Antonio Carlos. Ele levanta. E senta novamente. E levanta novamente.

Agora, ninguém ao meu lado direito e, o corredor vazio ao meu lado esquerdo.

Um senhor passa ao meu lado, no corredor.

Uma senhora senta ao meu lado direito.

Selma passa ao meu lado, no corredor.

A senhora sentada ao meu lado direito é alta, magra, cabelo vermelho, preso num rabo de cavalo. Usa calça jeans, blusa social quadriculada, sandália marrom. Bolsa rosa sobre seu colo. Tem as pernas cruzadas.

Cristiane passa ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado, tem uma mão no rosto, e balança as pernas. Parou. Balança novamente. Olha o papel, no seu colo. Ajeita as pernas. Guarda algo na bolsa. Pega um doce. Abre devagar.

Um senhor passa ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado come o doce.

Thiago passa ao meu lado, no corredor. É mulato, magro, alto. Veste bermuda quadriculada, blusa cinza, tênis preto e boné azul, virado para trás.

Uma senhora passa ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado continua comendo o doce. Tira um pedaço e come.

Thiago passa ao meu lado, no corredor.

Donizete passa ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado direito cruza as pernas. Continua comendo o doce. Tira um pedaço do doce e come.

Uma senhora passa. Duas senhoras passam ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado direito continua comendo o doce. Tira um pedaço, vagarosamente, e come. Tira mais um pedaço e come.

Graciene passa ao meu lado, no corredor. É branca, magra, baixa, loira. Usa calça jeans, blusa pólo, branca, sandália bege. Carrega uma mochila verde e uma sacola branca.

Gilson passa. Um senhor passa ao meu lado, no corredor.

A senhora, ao meu lado direito, continua comendo o doce. O doce acabou.

Um senhor passa ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado, tem, agora, as pernas cruzadas e os dedos das mãos cruzados, sobre seu colo.

Um senhor passa ao meu lado, no corredor.

Uma senhora passa ao meu lado, no corredor.

Uma senhora passa ao meu lado, no corredor. Carrega uma bandeja, com água e café. Ela passa novamente, agora, sem a bandeja.

Andreia passa ao meu lado, no corredor. E passa novamente. É branca, magra, baixa. Veste uniforme do local, que é calça preta e blusa cinza. Tem o cabelo preto, preso.

Um senhor passa ao meu lado, no corredor. É negro, magro, alto. Veste bermuda preta, listrada, blusa preta, tênis branco e mochila preta.

A senhora ao meu lado, direito, agora, está apoiada sobre seu braço.

Andreia e um senhor passam ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado coça o rosto e o alto da cabeça.

Um senhor passa ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado funga.

Um senhor passa ao meu lado, no corredor.

Mauricio passa ao meu lado, no corredor.

Uma senhora passa ao meu lado, no corredor.

Um senhor passa ao meu lado, no corredor.

Iago passa ao meu lado, no corredor.

Uma senhora passa ao meu lado, no corredor.

- William Ricardo?

A senhora ao meu lado direito, agora, mexe no celular.

Uma senhora e o William passam ao meu lado, no corredor. Ele é mulato, alto, gordo. Veste calça jeans, blusa branca, tênis cinza e carrega uma sacola plástica, branca.

A senhora ao meu lado direito, agora, está no facebook, no celular. Seu celular é um Nextel vermelho. Permanece com as pernas cruzadas.

Luciana passa ao meu lado, no corredor. Um senhor passa ao meu lado, no corredor. Luciana é branca, magra, baixa, tem o cabelo preto, liso, comprido. Usa calça jeans, blusa sem manga, branca, e sandália preta.

A senhora ao meu lado direito pára de mexer no celular. E volta a mexer nele.

Uma senhora e um senhor passam ao meu lado, no corredor. Uma senhora passa ao meu lado, no corredor. Luciana e um senhor passam ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado direito ajeita a bolsa no seu ombro. Tem a mão pousada no seu pé, que está cruzado sobre a perna.

Andreia passa ao meu lado, no corredor.

Uma senhora passa ao meu lado, no corredor. É branca, baixa, magra, cabelo castanho, liso. Veste calça jeans, blusa estampada, rosa, casaco preto, sandália bege e bolsa cinza, prateada.

Uma senhora passa ao meu lado, no corredor.

Uma senhora passa ao meu lado, no corredor.

Mauricio passa. Uma senhora passa ao meu lado, no corredor.

Um senhor passa. Uma senhora passa ao meu lado, no corredor. Uma senhora passa. Um senhor passa ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado direito funga, mexe no nariz. Permanece com a perna cruzada e a mão pousada sobre o pé, da perna que está cruzada.

Um senhor passa ao meu lado. Iago passa ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado, agora, tem os dedos da mão cruzados sobre seu colo.

Luciana e dois senhores passam ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado balança a perna, descruza as pernas, balança as pernas novamente, funga. Tem as pernas esticadas, à frente. Funga. Abre algo na bolsa.

Um senhor passa ao meu lado, no corredor. Um senhor passa ao meu lado, no corredor.

Donizete passa ao meu lado, no corredor. Um senhor passa ao meu lado, no corredor. Uma senhora passa ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado está na mesma posição de antes. Sacode as pernas.

Adeline passa ao meu lado, no corredor.

Um senhor passa ao meu lado, no corredor, carregando uma prancheta.

A senhora ao meu lado direito boceja.

Andreia passa ao meu lado. Michele passa ao meu lado, no corredor.

Um senhor passa ao meu lado. Um senhor passa ao meu lado, no corredor.

Maria passa ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado direito ajeita-se na cadeira, descruza as pernas. Tem os dedos das mãos cruzados, sobre seu colo.

Uma senhora passa ao meu lado, no corredor.

A senhora ao meu lado direito funga. 

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