sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Muitas


Eu nasci Luana.
Luana Zanelli Moreira de Oliveira.

E, antes de eu ser Luana
Eu era “a neném”
Como minha nave-espacial me chamava
Antes de saber que eu era
Uma menina sem cabelos
(Até os dois anos)

Ao longo da vida
Fui ganhando outras denominações
Luaninha, pelas tias
Lu e Lulu, pelas amigas

Tive a época de ser chamada de Xuxa pelo pai
Muito antes da Xuxa iniciar a carreira
Quando ela apareceu
Voltei a ser Luana

Alguns (poucos) amigos me chamam de Lua
Meu segundo apelido preferido

Minha mãe sempre me deu apelidos
Eu era Luquinha
Ou Luca
Ou apenas Quinha
Quinhazinha quando pedia favor
Qui quando tinha preguiça
(o que Qui remete à “Luana”?)

E, só entre a gente, Luca-ra-caca
Assim, falado tudo junto: Lucaracaca.

Por mais estranho que possa parecer
Eu amava todas estas denominações.

A mãe morreu.
Com ela, todos os meus apelidos.

Luca, Luquinha, Quinha, Qui
Eram (são) apelidos muito particulares
E pessoais
E íntimos

Mas eis que ele chegou.
Assim, sorrateiramente.
Eu entrei num hiato.

E, como num suspiro,
A gente se tornou um do outro.

E, quando vimos
Eu deixei de ser Luana
Para ser Lua
E deixei de ser Lua
Para ser Quinha
Apelido que, novamente, carrego com muito orgulho

Só ele pode
Mais ninguém
Este é meu eterno e mais significativo apelido

E, há algumas semanas
Descobri que
Nos momentos mais irônicos
Que lhe são peculiares
Eu posso deixar de ser isso tudo

E ser apenas
Zuana Lanelli

O melhor de tudo
É que em todas elas
Eu sou eu mesma.
E a única e mais absoluta
Certeza de todas

É de que, independente do nome que eu tenha
Eu sou dele.

Sempre. Todos os dias. E inteira.

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