terça-feira, 3 de setembro de 2013

Em observação, no COB - 2

Hoje é terça-feira. São 15h02 e estou no COB – Centro Oftalmológico de Botafogo – aguardando ser atendida.

Estou sentada na recepção, na primeira fileira de quatro fileiras. Cada fileira tem quatro cadeiras. Estou na cadeira mais próxima da parede.

Do meu lado esquerdo, parede. Na minha frente, uma parede cor de terra com a TV ligada na Globo. Do meu lado esquerdo, um rapaz sentado ao meu lado. Uma cadeira vazia nos divide.

Ele veste uma bermuda verde e preta, um tênis cinza e vermelho, uma blusa vermelha, branca e preta. Usa pochete preta, com o celular pendurado nela. Ele assiste televisão, e tem a mão na boca. Vejo que usa aliança, na mão que está na boca. Sua esposa está do seu outro lado e não consigo vê-la. Rói as unhas. Está sentado de forma relaxada. Não tira o olho da TV e, também, não se move. Parou de roer a unha. Coçou o rosto.
  
- Tem uma ótica ótima ali, ó.

Abre um pouco mais a perna, e volta a olhar para a TV.

- Sei lá. Não, não sei. Lá não? Sei. Ah, tá. Tou só conversando.

Ele olha para as pessoas que entram na clinica. Tem um braço cruzado, e a outra mão na boca. Rói a unha, e não tira o olho da TV. Continua imóvel.

- Mas você está se empolgando...

Ele, raramente, olha para a esposa ao seu lado.

- Senhora Luana Zanelli!

- Oi, tou aqui.

- A senhora aguarda lá. A doutora Eliane vai chamar a senhora.

- Ta ok, obrigada.

Agora, são 15h10. Estou em uma nova recepção, aguardando a médica me chamar. Estou sentada na primeira de quatro fileiras de cadeira. Cada fileira tem três cadeiras, coladas umas nas outras.

Na minha frente, uma parede branca e azul, e a TV ligada na Globo, e uma porta que dá acesso a algum local que não sei bem qual é. Do meu lado direito, um porta-revista no chão e uma parede beje, um pouco encardida. Do meu lado esquerdo, três cadeiras vazias. A exatamente ao meu lado, com a minha mochila em cima. Atrás de mim, todas as outras fileiras de cadeiras.

A porta da minha frente abriu. Saiu uma moça de cerca de 25 anos, mexendo no celular. Fechou a porta atrás de si e saiu.

- Luana Zanelli?

- Oi, tou indo.

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