segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O dia sem Perimetral

Hoje não tinha mais viaduto da Perimetral. 

Resolvi ir para o Centro de metrô, que não gosto, é mais longe da minha casa do que o ponto de ônibus, e a estação (Cardeal Arco Verde) é gigantesca. E, claro, o metrô estaria lotado, pois todo mundo iria escapar (tal como eu) do mega trânsito.

Fui caminhando pela rua, em direção ao metrô. Um dia lindo, de sol, mas não quente (como eu gosto).

Cães, crianças, velhinhos, e tanta gente num caminho novo que quase nunca faço.

A bilheteria, sem fila. Eu, com o dinheiro trocado, fiz a bilheteira sorrir. 

Fui caminhando pela estação-gigante, ouvindo música clássica no celular, e meditando.

O metrô, pasmem, vazio! Fui sentada, meditando (de novo!). Por pouco, não perco a minha estação, da Uruguaiana. Saltei. O sinal (na Presidente Vargas) tinha acabado de fechar e deu tempo de dar uma corrida, desviando das pessoas, e atravessar todas as quatro pistas da Avenida.

Tudo isso pra ir apenas a uma farmácia que gosto do atendimento. Eu podia ir à qualquer outra, mas eu gosto daquela ali: Drogaria São Paulo. Comprei e rumei em direção à Travessa do Ouvidor, onde tem um cartório que também gosto. Eu ia abrir e reconhecer firma. Podia ser, portanto, em qualquer outro cartório. Mas fui neste. Ou naquele, sei lá. Estava fechado. Duas moças aguardando. 8h58. [Vale dizer que saí de casa às 8h25?]

- Oi? Bom dia? Abre às 9h?

- Sim - a moça da fila, que sequer me olhou.

O cartório abrindo, aviso que quero abrir e reconhecer uma firma minha. Peço, também, uma xerox do meu RG para o rapaz no balcão. Vou para uma mesa, anexa ao balcão, onde deve ser feita a abertura da firma. O rapaz que atende no balcão (e na mesa) parece deficiente físico e não é lá muito simpático. Pega meu RG, sem nem olhar pra mim, e vai providenciar a papelada burocrática para abertura de firma. Me entrega uma ficha e, quando eu ainda estou preenchendo, vem ele com a minha xerox, me entrega e...

- Guarda isso aí logo. 

- Oi?

- A sua xerox, que a senhora pediu. Tirei mais uma. Tá certo.

Deu uma piscadinha, sério, e saiu de perto, para que eu nem pudesse agradecê-lo. Antes de sair do cartório, retribuí a piscadinha. Era uma questão de honra. E de retribuir a gentileza.

Fiz tudo o que tinha que fazer, ainda dei uma passada na Livraria Saraiva, não achei o que queria. Fui para o ponto, e peguei um ônibus para a Lapa. Sentei em um único local vago, ao lado de um rapaz que, apesar de não ser grande, sentava na janela, com as pernas terrivelmente abertas que não sobrava meio banco para mim. Estar sentada de lado era quase um malabarismo. Olhei para ele que, apesar de não me olhar, sorria. Vi sarcasmo pelos óculos escuros. O ônibus não estava cheio, mas só aquele lugar estava disponível. No ponto seguinte, um casal saltou e me sobraram os bancos inteiros (o duplo) exatamente na frente do rapaz-de-olhar-sarcástico-pelos-óculos-escuros. Sentei e sorri. O rapaz-de-olhar-sarcástico-pelos-óculos-escuros não viu meu sorriso. Não precisava. Eu não tenho sarcasmo no olhar.

Saltei no local que precisava ir e... portas fechadas. Sem campainha. Bati na porta, nada. Nenhum som. Pelas janelonas de vidro, vi luz acesa. Já estivera neste local umas três ou quatro vezes e a porta sempre esteve aberta. Não eram 10h ainda. 

Liguei para o André, que me ajudou, ligando para lá, e pedindo para abrirem para mim. Ainda ouvi coisas como "Oi, amor... quer que te ligue?". 

Imediatamente enquanto estavam abrindo a porta para mim (após a ligação do André), vinha uma senhora, uniformizada do local, pelo lado de fora, abrindo, também, para mim. Entreguei o que precisava para ela, e recebi um sorriso fofo de volta. Pasmem! Ela é que agradeceu!

Resolvi voltar caminhando e vim pela Senador Dantas, para passar na Cultura, que também não tinha o livro que eu queria. 

No caminho, a Carla me ligou para tirar algumas dúvidas e, ao final da ligação, ainda ouço "Já disse que te amo hoje?". 

Parei no Largo da Carioca para comprar meu lanche-almoço para viagem e, quando cheguei no escritório, o elevador me esperava. 

Isso porque ainda eram 10h40. Muita coisa boa ainda estava por vir.

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