segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Sobre corpos

Queria dizer uma coisa, para vocês.
Homens e mulheres.
Hetero, homo, bi. Ou nenhuma destas opções.

O corpo (o seu, o meu, o de qualquer um) é o que temos de mais sagrado
Não converse com ninguém
Tocando no corpo do outro

O outro precisa te dizer
No olhar
Na voz
No sorriso: "me toque"

E não estou falando de sexo.
Estou falando de dedos - ou mão
Em qualquer parte do corpo do outro.

Se você é hetero ou homossexual
E deseja um outro, uma outra
Que você desconheça
E você canta essa pessoa na rua
Ainda que seja a cantada mais bela
Mais singela
Mais fofa

Uma cantada é sempre uma cantada.
No meu caso, cantadas são sempre
MAL CANTADAS
MAL CONTADAS.

Se você, ao cantar alguém
Percebe a ausência de olhar
A ausência de sorriso
A ausência de qualquer-coisa para você

Deixe ir.
Simplesmente deixe ir.

Não toque o corpo de outrem
De alguém
De ninguém.

O único corpo que pode ser sempre tocado
É o seu próprio corpo
E ainda assim, você deve permiti-lo
Só você


[Recado para um rapaz, que me cantou, na Rua Ministro Viveiros de Castro, às 17h de uma segunda-feira nublada e que, apesar do meu silêncio e do meu não-olhar, tocou o meu corpo, sem que eu permitisse]

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