domingo, 31 de agosto de 2014

Sobre Aparecida

Fui convidada pela pequena para ir à Aparecida - pela excursão da igreja - e fiquei sabendo que lá fazia um frio de lascar. Tentei desistir, inventar uma constipação intestinal, mas não consigo dizer "não" com facilidade praquela pequetita.

Então, fomos à viagem: eu, André, Hanna (a pequena), dona Edite (minha sogra), dona Lia (irmã da minha sogra), Manel (amigo), Verônica (namorada do Manel), dona Teresa (mãe-fofa do Manel).

Meu relato, portanto, sobre a viagem...


Parte 1 - Sobre a ida e a volta.

O ônibus não é o mais confortável de todos (mas tem banheiro! - mas não usamos), mas a viagem foi tranquila. Na volta, pegamos trânsito e demoramos mais tempo do que o previso. Tanto na ida quanto na volta, dormi bastante (em posições um pouco desconfortáveis), mas ok. 

Os guias do nosso ônibus eram muito simpáticos, solícitos, gentis e agradáveis. Só temos elogios a eles. As pessoas do ônibus, também, eram muito legais. A sua grande maioria eram de senhorinhas.

As paradas foram no Posto Graal, que tem comidas e ótimas coisas (apesar de caras). Na ida, a fila do banheiro era kilométrica e a parada foi às 2h e pouco da matina. Um frio de congelar os ossos (e o xixi).


Parte 2 - Sobre o clima

Foi me relatado que Aparecida fazia um frio do cacete. Não senti tanto frio assim (eu estava com quatro blusas e um casaco), e foi bem suportável (eu sou extremamente friorenta). Ao longo do dia fez sol e sentimos bastante calor (o que adoro).


Parte 3 - Coisas inusitadas

Chegamos na cidade às 4h30, mas só saímos do ônibus às 6h30. Ao chegar, logo queremos escovar os dentes. Era uma "escovação de dentes" coletivas, numa grande pia, do lado de fora dos banheiros. Uma experiência antropológica maravilhosa. De verdade.

Fomos em um cinema 6D (eu, André e Hanna) e achei um barato, apesar de ficar um pouquinho tonta.


Parte 4 - Sobre o comércio

Uma feira com diversas lojas, a grande maioria de artigos religiosos (mas que também vendiam outras coisas). Os preços, de tudo, bastante acessíveis.

Compramos muitas coisas religiosas, mas também coisas diversas (brinquedos, tênis, bolsa), a valores ótimos. Comprei algumas lembranças para alguns amigos. Queria trazer muitas coisas, para todos (eu adoro presentear), mas não foi possível.

Para comer, era difícil. Tudo muito cheio, atendimento meio ruim. Sempre uma multidão, em todos os locais. 

Ao comprar as velas, por exemplo (um comércio específico para elas) me impressionou as pessoas estarem em um local sagrado, religioso, RECLAMANDO. Acho feio, desproporcional. Mas, acho também que faz parte do ser humano reclamar. Há que termos compreensão, acho.


Parte 5 - Sobre a basílica, a missa, o templo, as pessoas

Fomos assistir a missa de 9h, e não conseguimos entrar totalmente na basílica. Na entrada, na escada, tinha gente sentada. No caminho, também. Sequer conseguímos ver o padre e/ou o altar. Ficamos em pé, no meio do caminho, no meio das pessoas, sentadas no chão.

Fiquei impressionada com a infinidade de gente. Me pareceu um público maior de gente mais humilde (digo humilde sem nenhum tom pejorativo). Se eram ricos, pobres, ou miseráveis, não importa. Eram pessoas simples, todas iguais a mim e a você. Muito chinelo, tênis, gente descalça. Nenhuma pessoa super-bem-vestida/calçada/maquiada. 

Conseguíamos ouvir os padres com clareza, orando, celebrando a missa. E as cantorias, e as músicas... Eu não sou católica e, com isso, não conseguia acompanhar a cantoria. Mas foi muita emoção cantar / orar o Pai Nosso, no meio da multidão. Ou ouvir a multidão cantando - junta - as músicas. Chorei muito. É uma coisa, uma emoção, uma plenitude indescritível. 

No meio da multidão, orando, eu me sentia de duas formas: única, sozinha. E, ao mesmo tempo, eu também era a multidão. Eu era o UM e era o TODO. E todos eram o SI MESMO e o TODO. Isso foi uma percepção muito clara e linda. 

Consigo perceber que o ser humano se religa ao outro ser humano através da religião, através do que ele acredita ser Deus. Consigo ver a união e a unidade tão linda e tão bela. E isso foi muito emocionante. Muito mesmo.

Ao acender as velas, senti quase a mesma emoção. Era um local de colocar as velas, onde já tinham centenas de outras acesas. Um acendia a sua vela na vela do outro. As velas caiam (as minhas) e apagavam, e tudo bem por isso. A vela não precisa estar acesa (se estiver acesa dentro de mim). Via as pessoas colocando as suas velas e orando - silenciosas ou não - e, todas as outras, ali, juntas, acendendo cada uma as suas... era de uma beleza...

E o calor das velas, e o movimento das chamas, e o cheiro das velas, dava uma outra beleza e sentido ao lugar.

Após o "acendimento das velas", conseguimos voltar à basílica, e aí consegui assistir parte de uma missa, de poder me ajoelhar no chão, e agradecer, e orar, e pedir. 


Parte 6 - Sobre as orações

Algumas pessoas queridas, que sabiam que eu ia / estava em Aparecida, me pediram orações. Não vou citar, para não expor ninguém. 

Eu ia me oferecer para orar para quem quisesse, se quisesse, mas ia parecer "dadivosa demais" (o que não é meu caso), ou de querer aparecer, sei lá. Ou ia acabar criando uma lista gigantesca de gente querendo oração que não seria possível...

Então, sem parecer egoísta, eu concentrei minhas orações na minha família, na família do André, e nas famílias que me pediram orações. E, as pessoas com quem falei pós isso (para quem orei), me agradeceram. E eu queria dizer que eu é que fui muito grata de poder orar por outro. De poder agradecer e pedir. 

E, sobre essa coisa de EU e TODO MUNDO, enquanto eu orava, eu consegui visualizar (nem pensei nisso, mas consegui perceber), todo mundo orando por todo mundo. Vou exemplificar: eu estava orando pela família "Silva". Eu, Luana, orando pelos Silva. Mas eu conseguia "perceber" todos que lá estavam, aquela centena de pessoas orando pelos Silva comigo. Como se fôssemos um único coração em oração. 

E, ao mesmo tempo, cada um que lá estava orava por uma família diferente. Pela sua ou pelo do outro. E eu me sentia, também, orando por cada família desconhecida. Isso foi de uma grande emoção e aprendizado. 


E, eu só tenho a agradecer ao André, e a família dele (minha) essa oportunidade, de experienciar isso tudo. Eu voltei renovada. Com a fé renovada. Religada com Deus e comigo mesma. 

Um grande beijo, com agradecimento, fé, e com o que há de melhor dentro de mim. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário